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POLÍCIA CIVIL INVESTIGA FRAUDE EM CADASTRO AMBIENTAL DE FAZENDA DE R$ 84 MILHÕES EM MT

Operação Canadá cumpre 14 mandados em quatro cidades de Mato Grosso e no Pará contra grupo suspeito de falsificar documentos e tentar obter crédito

Da Redação
Foto: Polícia Civil de Mato Grosso

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta terça-feira (18), a Operação Canadá, que investiga um grupo suspeito de fraudar registros no Sistema Mato-grossense de Cadastro Ambiental Rural (SIMCAR) para tentar alterar a titularidade de parte de uma propriedade rural localizada em Confresa.

Ao todo, são cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Rondonópolis e Ribeirão Cascalheira, além de Tailândia, no estado do Pará. As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias, Polo Barra do Garças.

A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) e envolve profissionais credenciados para atuar no sistema de cadastro ambiental, incluindo engenheiros florestais, técnicos em agrimensura, responsáveis por empresas de topografia e engenharia e pessoas apontadas como procuradoras em procedimentos cartorários considerados suspeitos.

Segundo a Polícia Civil, não há indícios de participação de servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). O órgão e os proprietários da Fazenda Canadá, em Confresa, são tratados como vítimas no caso.

CADASTRO FOI ALTERADO SEM AUTORIZAÇÃO

As investigações começaram depois que os proprietários legítimos perceberam que a representação geográfica da fazenda registrada no Cadastro Ambiental Rural havia sido deslocada eletronicamente para outra região de Mato Grosso.

Além da alteração das informações, as senhas e os e-mails vinculados ao acesso ao sistema também teriam sido modificados sem autorização dos proprietários.

Durante as diligências, a Dema identificou a criação de novos cadastros ambientais em nome dos donos da propriedade, sem consentimento, além da produção de documentos que, segundo os investigadores, apresentariam informações ideologicamente falsas.

Entre os documentos investigados estão procurações públicas, substabelecimentos e escrituras de compra e venda que teriam sido utilizados para simular uma transferência de titularidade de parte da fazenda.

IMÓVEL FOI AVALIADO EM R$ 84 MILHÕES

Um dos cadastros considerados fraudulentos foi utilizado como base para uma avaliação rural estimada em R$ 84 milhões.

O documento teria sido apresentado como garantia em tentativas de obtenção de crédito junto a instituições financeiras. A Polícia Civil apura agora a extensão dessas movimentações e a eventual participação de outras pessoas no esquema.

A investigação também encontrou indícios de pagamento de propina a um escrevente para viabilizar o reconhecimento fraudulento de assinaturas em um documento de arrendamento relacionado à propriedade.

54 POLICIAIS PARTICIPAM DA OPERAÇÃO

A ação mobilizou 54 policiais civis de unidades vinculadas à Diretoria de Atividades Especiais e das Delegacias Regionais de Rondonópolis e Ribeirão Cascalheira.

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) também participa dos trabalhos. No Pará, as diligências em Tailândia contam com apoio da Polícia Civil daquele estado.

Os investigados podem responder por crimes como fraude em informações ambientais, falsidade ideológica, falsificação e uso de documento falso, estelionato, corrupção ativa e associação criminosa.

Todo o material recolhido durante as buscas será encaminhado para perícia e análise do Núcleo de Inteligência da Dema. O objetivo é reunir novos elementos para concluir o inquérito e definir eventual responsabilização e indiciamento dos envolvidos.

ORIGEM DO NOME

A Operação Canadá recebeu esse nome em referência à propriedade rural pertencente a uma das vítimas da investigação.

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