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EXPORTAÇÕES DE MILHO EM MATO GROSSO CAEM 32% E ACENDEM ALERTA PARA ESTOQUES

Maior oferta dos Estados Unidos e da Argentina reduz a competitividade do cereal brasileiro e pode pressionar a armazenagem no estado

DA REDAÇÃO | FOTO: IMEA

As exportações de milho de Mato Grosso registraram queda superior a 30% em setembro, reflexo do aumento da oferta internacional e da concorrência mais acirrada entre os principais países produtores. O cenário, apontado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), preocupa o setor e amplia a atenção sobre o escoamento da produção, os estoques finais e a capacidade de armazenagem para a próxima safra.

De acordo com boletim divulgado pelo instituto na segunda-feira (12), o estado embarcou 2,85 milhões de toneladas de milho em setembro de 2026. O volume representa uma redução de 32,07% em relação ao mesmo mês de 2025 e ficou 19,01% abaixo da média registrada nos últimos cinco anos.

A desaceleração também aparece nos números acumulados da temporada. Entre julho e setembro, Mato Grosso exportou 7,61 milhões de toneladas do cereal, uma queda de 21,44% na comparação com o mesmo período do ciclo anterior.

MAIOR OFERTA INTERNACIONAL AUMENTA CONCORRÊNCIA

Segundo o analista de milho do Imea, Gabriel Brandão, o principal fator para a redução dos embarques é o crescimento da disponibilidade do cereal no mercado internacional, que amplia a disputa pelos compradores e limita a competitividade brasileira.

Nos Estados Unidos, a ampla oferta e os estoques elevados têm pressionado as cotações, favorecendo a comercialização do milho norte-americano. Na Argentina, a perspectiva de uma safra recorde, associada à redução das retenções, também ampliou a disponibilidade do produto para exportação e estimulou as negociações com outros países.

Com maior volume disponível nesses dois importantes fornecedores globais, o milho mato-grossense enfrenta dificuldades para manter o ritmo de vendas observado em temporadas anteriores.

O reflexo já aparece entre os principais destinos do produto estadual. O Egito importou 1,97 milhão de toneladas, volume 3,85% menor. Para o Irã, os embarques somaram 739 mil toneladas, recuo de 29,30%. Já a Espanha recebeu 710 mil toneladas, uma redução de 29,94%.

Para Gabriel Brandão, a maior presença de milho no mercado global intensificou a disputa pelos principais destinos compradores e restringiu o espaço para o produto brasileiro.

ESTADO TEM ATÉ JANEIRO PARA ACELERAR EMBARQUES

Apesar do desempenho abaixo do registrado anteriormente, Mato Grosso ainda dispõe de uma janela importante para ampliar as exportações até janeiro de 2027. A partir de fevereiro, a soja tende a disputar com maior intensidade a estrutura logística utilizada para o escoamento da produção agrícola.

Conforme a análise do Imea, caso os embarques dos próximos meses repitam os volumes observados no ciclo anterior, o estado poderá alcançar aproximadamente 21 milhões de toneladas exportadas até janeiro.

Para atingir a projeção de 24,10 milhões de toneladas na temporada, entretanto, ainda será necessário embarcar cerca de 3 milhões de toneladas entre fevereiro e junho de 2027.

O desafio está no fato de que esse volume supera o padrão histórico de exportações para o período, que costuma registrar embarques de até aproximadamente 2 milhões de toneladas.

Diante desse cenário, a manutenção do ritmo atual aumenta o risco de Mato Grosso encerrar a temporada com exportações abaixo da estimativa do instituto.

EXCEDENTE PODE AUMENTAR PRESSÃO SOBRE ARMAZENAGEM

A redução das exportações pode trazer consequências para além do comércio exterior. Caso o milho que deixa de ser embarcado não encontre espaço em outros segmentos da demanda, uma parcela maior da produção poderá permanecer no estado, elevando os estoques finais.

Esse possível excedente também aumenta a preocupação com a capacidade de armazenagem, especialmente diante da entrada da produção da próxima temporada. A concentração de volumes maiores nas propriedades e nas estruturas de armazenamento pode dificultar o planejamento logístico e ampliar os desafios de comercialização.

Para os produtores rurais, o ritmo dos embarques é um dos fatores que influenciam a formação dos preços e as alternativas de venda da nova safra. A maior disponibilidade interna, caso se confirme, poderá intensificar a pressão sobre o mercado estadual.

O desempenho das exportações nos próximos meses será decisivo para avaliar se Mato Grosso conseguirá alcançar a projeção de embarques do Imea e evitar um acúmulo maior de milho no estado.

O cenário reforça a importância do acompanhamento da demanda internacional, da competitividade brasileira e das condições logísticas para o escoamento da produção mato-grossense.

O Povo MT segue acompanhando os indicadores do agronegócio e os impactos do mercado internacional sobre a economia de Mato Grosso.

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