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EJA DA ALMT TRANSFORMA VIDAS E MARCA O DIA DOS PROFESSORES COM HISTÓRIAS DE SUPERAÇÃO

Projeto desenvolvido em parceria com a Seduc já matriculou 161 estudantes e possibilitou que 103 concluíssem os estudos; relatos de alunos e educadores mostram como a educação devolve a confiança e abre caminhos para novos sonhos.

DA REDAÇÃO | FOTO: JLSIQUEIRA/ALMT

Retomar os estudos depois de anos longe da sala de aula exige coragem, persistência e, muitas vezes, o apoio de quem acredita que ainda é possível recomeçar. Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), a Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem proporcionado essa oportunidade a pessoas que precisaram interromper a trajetória escolar e agora buscam concluir o ensino médio, conquistar novas oportunidades e realizar sonhos antigos.

A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e ganhou um significado especial no dia 15 de outubro, quando é celebrado o Dia dos Professores. Mais do que ensinar conteúdos, os educadores acompanham histórias de superação, ajudam a recuperar a autoestima dos estudantes e mostram que o aprendizado pode transformar a vida em qualquer idade.

O projeto começou em 2023, inicialmente voltado aos servidores do Legislativo que não haviam concluído o ensino médio. Com a ampliação da iniciativa, as vagas passaram a contemplar também moradores da comunidade.

Desde a implantação, 161 estudantes foram matriculados nas quatro turmas abertas. Desse total, 103 concluíram os estudos nas três primeiras edições: 50 alunos em 2023, 32 em 2024 e 21 em 2025. A turma atual reúne 37 estudantes, com formatura prevista para dezembro. Segundo dados da Escola do Legislativo, aproximadamente 90% dos participantes concluem o curso.

PROJETO AMPLIOU O ACESSO À EDUCAÇÃO

A proposta surgiu a partir da percepção da psicopedagoga Telma Campos, ao iniciar seu trabalho na Secretaria de Escola e Memória do Legislativo. Ela identificou servidores que não haviam concluído o ensino médio e viu a necessidade de criar condições para que pudessem voltar a estudar.

A iniciativa cresceu e passou a atender cada vez mais pessoas de fora da Assembleia. Em 2023, dos 58 matriculados, 15 eram servidores e 43 pertenciam à comunidade. No ano seguinte, foram dez servidores e 28 alunos externos. Em 2025, cinco servidores e 23 integrantes da comunidade participaram das aulas.

Na turma de 2026, a presença da comunidade se tornou ainda mais expressiva: dos 37 estudantes matriculados, apenas um é servidor da ALMT, enquanto os outros 36 são moradores da comunidade.

Os números demonstram como o projeto ampliou seu alcance e passou a representar uma oportunidade de retomada dos estudos para pessoas com diferentes trajetórias de vida.

AOS 22 ANOS, LARISSA SONHA COM A FACULDADE

Entre os estudantes está Larissa Nascimento Sampaio, de 22 anos, que trabalha como babá e decidiu voltar à escola incentivada pela mãe, que também não concluiu os estudos.

Para Larissa, terminar o ensino médio é o primeiro passo para alcançar um objetivo maior: ingressar em uma faculdade e construir uma carreira profissional.

“Minha mãe sempre me incentivou e hoje é minha principal motivação. Quero trazer esse orgulho para ela. Meu maior sonho, depois de concluir o ensino médio, é entrar para uma faculdade. Sei que terminar os estudos é o primeiro passo”, afirma.

A jovem conta que, por algum tempo, sentiu insegurança ao acompanhar antigas colegas que seguiram para a faculdade enquanto ela ainda tinha o ensino médio incompleto. A experiência na EJA, porém, tem ajudado a mudar essa percepção.

O incentivo dos professores foi decisivo para que Larissa voltasse a acreditar na própria capacidade.

“Muitas vezes eu pensava que não era capaz. Um dia, uma professora elogiou minhas atividades e aquelas palavras me fizeram perceber que realmente consigo. Os professores incentivam a gente de verdade e fazem cada um enxergar que é capaz”, relata.

AOS 52 ANOS, ABADIA REDESCOBRE A VONTADE DE SONHAR

A história de Abadia Gonçalves Medeiros Silva, de 52 anos, também representa o significado da EJA para quem decide retomar a formação depois de muitos anos.

Ela conta que voltou a estudar quando já não acreditava que conseguiria aprender novamente. Na sala de aula, encontrou acolhimento, incentivo e motivação para seguir em frente.

“O EJA não é só uma escola, é acolhimento. Os professores fazem a gente acreditar que consegue, mesmo diante das dificuldades. Voltar a estudar trouxe de volta para mim a vontade de seguir em frente e sonhar novamente”, destaca.

Histórias como a de Abadia mostram que o retorno à escola não se resume à conclusão de uma etapa da educação formal. Para muitos estudantes, significa recuperar a confiança, ampliar a autonomia e voltar a enxergar possibilidades para o futuro.

PROFESSORES QUE ENSINAM E TAMBÉM APRENDEM

Desde o início do projeto, 17 professores já atuaram na EJA da Assembleia Legislativa. Atualmente, quatro docentes da rede estadual trabalham nas áreas de Ciências da Natureza, Matemática, Ciências Humanas e Linguagens.

Para a professora Soely Maria de Meira, ensinar jovens e adultos que retornam à escola depois de anos é uma experiência marcada pela troca de conhecimentos.

Segundo ela, os estudantes chegam à sala de aula com experiências adquiridas no trabalho, na família e na comunidade, que enriquecem o processo de aprendizagem.

“Eles trazem vivências e experiências adquiridas ao longo dos anos. Poder contribuir nessa nova fase, ajudar na realização de sonhos e na recuperação da confiança é uma vivência muito rica”, afirma.

A professora Antônia Lúcia de Queiroz Tenório também destaca que o trabalho na EJA ultrapassa o ensino dos conteúdos escolares. Para ela, a modalidade representa uma oportunidade de resgatar a dignidade, ampliar a cidadania e garantir o direito à educação.

“Ensinar na EJA não é apenas ensinar os conteúdos que ficaram para trás, mas acolher pessoas que, por caminhos difíceis, acabaram saindo da escola. Ver uma pessoa de 60, 70 ou até 80 anos sentada em uma carteira mostra que o desejo de aprender e de transformar nunca morre. Cada dia ali é uma vitória contra o tempo e contra a exclusão”, ressalta.

A HISTÓRIA DE SEBASTIÃO E O SONHO DE LER A BÍBLIA

Entre as experiências que marcaram a trajetória de Antônia está a de Sebastião, trabalhador da construção civil com mais de 60 anos que chegou à EJA sem saber ler.

O sonho dele era conseguir acompanhar a leitura da Bíblia na igreja e identificar sozinho o letreiro do ônibus, sem precisar pedir ajuda a outras pessoas.

Com acompanhamento durante o ano letivo, atividades extras e apoio pedagógico, Sebastião começou a desenvolver a leitura. O momento mais marcante aconteceu quando conseguiu ler sozinho um pequeno parágrafo diante dos colegas.

“Ele chorou, a turma inteira aplaudiu. Depois disso, mudou a postura, a forma de andar e de falar. Ele se empoderou”, recorda a professora.

Para Antônia, experiências como essa revelam o alcance da educação na vida de quem teve o acesso ao conhecimento interrompido. Cada conquista representa um passo em direção à independência e à participação mais ativa na sociedade.

“Eles me ensinam todas as noites o verdadeiro significado da palavra resiliência. Ensinam que o conhecimento é um direito básico e que nunca é tarde para recomeçar”, afirma.

A educadora destaca que acompanhar a evolução dos estudantes é uma das maiores recompensas da profissão. Aprender a ler um letreiro, compreender um documento, ler a Bíblia ou ajudar os netos nas tarefas escolares são conquistas que ampliam a autonomia e fortalecem a autoestima.

Para ela, o sentido mais profundo da educação está justamente nessa transformação: oferecer conhecimento, abrir possibilidades e permitir que cada pessoa reconheça seu próprio potencial.

No Dia dos Professores, as histórias vividas na EJA da ALMT reforçam a importância dos educadores que, além de compartilhar conhecimento, ajudam a construir caminhos para novos começos.

O Povo MT segue acompanhando iniciativas que ampliam o acesso à educação e valorizam o trabalho de profissionais que transformam vidas por meio do ensino.

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