EXPORTAÇÃO DE FRANGO DE MATO GROSSO CRESCE 24% E ATINGE MAIOR VOLUME EM NOVE ANOS

Estado embarcou 90,12 mil toneladas entre janeiro e setembro de 2026, com Arábia Saudita na liderança dos destinos internacionais, segundo o Imea
DA REDAÇÃO | FOTO: CNA/REPRODUÇÃO
Mato Grosso registrou o maior volume de exportação de carne de frango dos últimos nove anos para os primeiros nove meses do ano. Entre janeiro e setembro de 2026, o estado embarcou 90,12 mil toneladas do produto, crescimento de 24,42% em comparação com o mesmo período de 2025. Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgados na edição 330 do boletim Imea Informa.
O resultado reforça a presença da avicultura mato-grossense no mercado internacional, mesmo diante de restrições comerciais e dificuldades logísticas que afetaram o fluxo de produtos para alguns destinos. Segundo a análise do instituto, parte do avanço está relacionada à recuperação dos embarques após os embargos enfrentados pela carne de frango brasileira em 2025, entre maio e agosto, em razão de casos de gripe aviária.
De acordo com Felipe Andrade, integrante da equipe do Imea responsável pelo acompanhamento dos setores de leite, aves e suínos, a redução das exportações no ano passado influenciou a base de comparação e contribuiu para o crescimento observado em 2026.
Outro fator que interferiu no comércio internacional foi o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã, iniciado em março deste ano, que provocou impactos na circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz. A situação trouxe dificuldades para as relações comerciais com países do Oriente Médio, região importante para a comercialização da carne de frango produzida em Mato Grosso.
“Mesmo com os impactos no comércio com o Oriente Médio, Mato Grosso mantém um bom ritmo de exportações, com a Ásia e os países do Oriente Médio entre os principais destinos da carne de frango do estado”, destacou Andrade.
ARÁBIA SAUDITA LIDERA COMPRAS
Entre os principais compradores da carne de frango mato-grossense, a Arábia Saudita ocupou a primeira posição, com 27,34 mil toneladas adquiridas entre janeiro e setembro.
Na sequência, o mercado formado por Hong Kong e China recebeu 10,77 mil toneladas. Os Emirados Árabes Unidos apareceram em terceiro lugar, com 10,37 mil toneladas no período.
Os números demonstram a importância dos mercados asiático e do Oriente Médio para a avicultura estadual, que mantém o ritmo de embarques mesmo diante das oscilações no cenário internacional.
EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS COMEÇAM OUTUBRO EM ALTA
Os primeiros sete dias úteis de outubro também apontaram avanço nas exportações brasileiras de carne de frango. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Imea, mostram que o faturamento médio diário chegou a US$ 53 milhões, alta de 46,84% em relação à média diária registrada em outubro de 2025.
No mesmo comparativo, o volume médio diário embarcado cresceu 28,12%, alcançando 27,60 mil toneladas por dia. Ao todo, foram exportadas 193,21 mil toneladas durante o período analisado.
O desempenho indica um início de mês aquecido para o comércio externo brasileiro e amplia as perspectivas para a cadeia produtiva, incluindo os avicultores integrados de Mato Grosso.

PRODUTORES ACOMPANHAM OPORTUNIDADES DO MERCADO
Na região de Nova Mutum, a aproximadamente 40 quilômetros do município, o avicultor Paulo André Zen mantém uma estrutura formada por dois núcleos e quatro aviários, com capacidade para alojar cerca de 140 mil frangos por lote.
O sistema produtivo funciona em ciclos de 40 a 42 dias, seguidos por um intervalo de 15 dias destinado ao vazio sanitário, procedimento importante para a biossegurança da produção. Ao longo do ano, a propriedade entrega, em média, 5,8 lotes.
Para o produtor, o aumento da demanda internacional representa uma oportunidade de fortalecer a atividade e ampliar a parceria com a empresa integradora. Entretanto, os efeitos do aquecimento do mercado não chegam imediatamente à propriedade rural.
“O aumento do consumo de carne de frango no mercado internacional é positivo, pois cria perspectivas de fortalecimento da parceria com a empresa integradora e de expansão da atividade. No entanto, o aquecimento do mercado não se traduz imediatamente em ganhos para nós, produtores. Isso porque o processo de negociação com a empresa é lento, o que faz com que os reflexos da maior demanda levem tempo para chegar à ponta produtora”, afirmou Zen.
SUSPENSÃO DO MÉXICO TEM EFEITO LIMITADO EM MT
Apesar do cenário positivo, o setor também acompanha medidas sanitárias que afetam o comércio internacional. O México suspendeu a importação de produtos avícolas brasileiros após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina.
A enfermidade é uma infecção viral altamente contagiosa entre aves e pode provocar problemas respiratórios e neurológicos, além de elevar a mortalidade dos plantéis. Conforme as informações sanitárias apresentadas, a doença não representa risco significativo à saúde humana.
Em Mato Grosso, não há registros da enfermidade, e a participação mexicana nas exportações estaduais é reduzida. Segundo o Imea, o país respondeu por 1,59% dos embarques mato-grossenses de carne de frango entre janeiro e setembro de 2026.
A China, por sua vez, restringiu as compras de produtos avícolas provenientes exclusivamente de Santa Catarina, conforme os dados divulgados.
Diante desse cenário, o Sistema Famato reforça a importância da vigilância sanitária e da adoção de medidas preventivas nas propriedades rurais, essenciais para proteger os plantéis, preservar a produção e manter o acesso aos mercados compradores.
Com o avanço das exportações e a presença consolidada em destinos estratégicos, a avicultura de Mato Grosso segue como parte importante da cadeia agropecuária estadual, acompanhando as oportunidades e os desafios do comércio global.
O Povo MT segue acompanhando os indicadores do agronegócio e os resultados que movimentam a economia de Mato Grosso.



