NOVA NR-1 EXIGE ATENÇÃO A RISCOS PSICOSSOCIAIS E MUDA ROTINA DAS EMPRESAS

Palestra em Cuiabá reuniu lideranças do Senac-MT para discutir saúde mental, prevenção e adequação às novas regras trabalhistas
Da Redação
Foto: Senac-MT
As mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passaram a contemplar de forma expressa os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais, foram discutidas nesta segunda-feira (17), durante uma palestra realizada no Senac Quantum, em Cuiabá.
O encontro reuniu colaboradores do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de Mato Grosso (Senac-MT) que ocupam cargos de liderança. A proposta foi esclarecer os impactos da atualização da norma e reforçar a responsabilidade dos gestores na prevenção de situações que possam comprometer a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.
A palestra foi conduzida pela juíza do trabalho Graziele Cabral, que apresentou os principais pontos da nova regulamentação e orientou sobre as medidas que devem ser adotadas pelas organizações.
A atualização da NR-1 entrou em vigor em 26 de maio e determina que o gerenciamento de riscos ocupacionais também considere fatores psicossociais relacionados à organização e às condições de trabalho.
CUIDADO COM O TRABALHADOR
Durante a abertura do evento, o presidente do Sistema Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, conhecido como Tião da Zaeli, destacou que o cuidado com os trabalhadores deve integrar a atuação das instituições.
“A Federação são pessoas, não são prédios. A Federação são entregas, são resultados e transformação na vida de quem passa por ela. Nós temos que cuidar do público interno, senão não estamos habilitados para cuidar do externo”, afirmou.
O dirigente também relatou experiências da vida empresarial e ressaltou que questões pessoais e familiares podem refletir no desempenho profissional. Para ele, a nova realidade exige das empresas atenção não apenas ao cumprimento das normas, mas também à qualidade das relações no ambiente de trabalho.
O diretor regional do Senac-MT, Igor Cunha, destacou a importância do tema para os profissionais que ocupam posições de liderança, por estarem diretamente envolvidos na gestão das equipes.
“O equilíbrio emocional impacta muito o nosso desempenho no dia a dia. Precisamos entender de que maneira vamos melhorar nossa relação de trabalho e nossa relação enquanto equipe”, afirmou.
Segundo Igor, a capacitação também está alinhada à missão da instituição de preparar profissionais para o mercado.
“Nós estamos qualificando o primeiro time de dentro de casa para depois ir para fora, para o mercado de trabalho. Então, vocês precisam estar muito bem preparados para tudo isso”, declarou.
O QUE MUDA COM A NR-1
Entre os fatores psicossociais que devem ser considerados estão situações como sobrecarga de trabalho, assédio, falta de suporte e problemas relacionados à organização das atividades profissionais.
A orientação apresentada durante a palestra é que as empresas iniciem o processo pela identificação dos riscos existentes. Depois do diagnóstico, devem ser realizadas a avaliação das situações encontradas e a definição de medidas de prevenção e controle.
Graziele Cabral explicou que o cumprimento da norma não se resume à elaboração de documentos. A partir dos riscos identificados, as organizações precisam estabelecer e colocar em prática planos de ação.
“Não é só fazer um documento. Depois desse documento vai gerar um plano de ação. Detectamos, por exemplo, que esse ambiente tem assédio, tem uma meta abusiva. O que vamos fazer? Vamos dar treinamentos, abrir um canal de denúncia. É o plano de ação que tem que ser executado”, explicou.
A magistrada também destacou que a adoção de medidas preventivas pode contribuir para a segurança jurídica das empresas, principalmente diante da complexidade dos transtornos relacionados à saúde mental, que podem ter múltiplas causas.
Nesse contexto, manter registros das ações adotadas e demonstrar a existência de medidas voltadas à prevenção pode ser relevante para as organizações.
“É preciso ver a NR-1 não como uma vilã, mas como uma forma de cuidar da saúde mental no ambiente de trabalho e se proteger de situações que podem acontecer”, afirmou Graziele.
A especialista ressaltou ainda que as exigências se aplicam a empresas de diferentes portes, com níveis de complexidade e procedimentos proporcionais à estrutura e ao grau de risco de cada organização.
A atividade integra as iniciativas do Senac-MT para capacitação e desenvolvimento de suas lideranças. A instituição busca preparar gestores e equipes para as mudanças nas relações de trabalho e fortalecer ações voltadas à prevenção e à construção de ambientes profissionais mais saudáveis.
O Sistema Comércio em Mato Grosso é filiado à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), presidida por José Roberto Tadros.



