
Por Luciana Bueno
Foto: Assessoria
O neurocirurgião e candidato a deputado federal Giovani Mendes (PL) defende a ampliação de políticas públicas destinadas às famílias de pessoas neurodivergentes. A proposta considera os impactos que a rotina de cuidados pode provocar na saúde, na vida profissional, na renda e na convivência familiar de pais, mães, avós e outros responsáveis.
Para Mendes, o acompanhamento de pessoas neurodivergentes não deve ficar restrito ao paciente. Segundo ele, os familiares que integram essa rotina também precisam ser contemplados por ações de saúde e assistência social.
“Ser pai, mãe ou responsável por uma criança atípica é viver uma rotina cheia de desafios e conquistas, um dia de cada vez e, muitas vezes, sem rede de apoio”, afirma.
O candidato chama atenção ainda para a chamada sobrecarga do cuidador. Em determinadas situações, familiares precisam reduzir ou até abandonar atividades profissionais para acompanhar tratamentos, consultas e demais necessidades, o que pode comprometer o orçamento doméstico.
“Por trás de quem cuida, também existe uma pessoa que precisa se cuidar, trabalhar e descansar. Mas como e quando?”, questiona.
EXPERIÊNCIA NA ÁREA DA SAÚDE
Com 29 anos de atuação profissional, Mendes é neurocirurgião com experiência nas áreas vascular e pediátrica. Ao longo da carreira, afirma ter realizado mais de 5 mil cirurgias pela rede pública de saúde.
Segundo o candidato, a experiência no atendimento de casos de alta complexidade permitiu acompanhar de perto as dificuldades enfrentadas pelas famílias durante períodos de diagnóstico, tratamento e recuperação.
“Focamos muito no paciente e esquecemos a situação de quem cuida do paciente. A pessoa também esquece de se cuidar”, destaca.
Na avaliação de Mendes, os efeitos da sobrecarga vão além da área da saúde. A necessidade de acompanhamento contínuo pode interferir no trabalho, na renda, na educação, na mobilidade e até nas relações dentro da própria família.
PROPOSTA NO CONGRESSO
Entre as medidas defendidas pelo candidato estão iniciativas para ampliar o acesso dos cuidadores a serviços de saúde, garantir momentos de descanso e criar condições que permitam conciliar as responsabilidades familiares com trabalho e outras atividades.
Mendes também cita estudos sobre a sobrecarga de cuidadores. Entre os dados apresentados por ele está uma pesquisa brasileira realizada com 100 cuidadores, na qual 57% apresentaram níveis moderados ou severos de sobrecarga.
O candidato afirma ainda que outras pesquisas relacionam a rotina intensa de cuidados a fatores como ansiedade, depressão, estresse, fadiga e redução da qualidade de vida.
A intenção, segundo Mendes, é levar o tema ao debate no Congresso Nacional e defender medidas que fortaleçam a rede de apoio às famílias.
“Falta tempo, falta dinheiro, falta saúde, falta um olhar real para aqueles que se dedicam integralmente. Está na hora de ter alguém que olhe para essa pessoa”, afirma.
Para o candidato, oferecer suporte aos cuidadores também representa uma forma de melhorar as condições de vida das próprias pessoas neurodivergentes.
“Quando essa família recebe apoio, a sociedade toda ganha”, conclui.




