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OPERAÇÃO SACRILEGIUM: GRUPO DE SP É ALVO DE AÇÕES CONTRA FURTOS EM APARTAMENTOS DE LUXO EM CUIABÁ

Investigação aponta que criminosos viajavam de São Paulo para a Capital, monitoravam condomínios e retornavam ao Estado de origem após os furtos

DA REDAÇÃO
Foto: Polícia Civil-MT

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (2), a Operação Sacrilegium, destinada a desarticular um grupo criminoso de São Paulo suspeito de praticar furtos em apartamentos de alto padrão em Cuiabá. As investigações apontam que os integrantes se deslocavam de carro até a Capital mato-grossense, escolhiam condomínios e possíveis vítimas e, depois das ações, retornavam rapidamente ao Estado de origem.

Ao todo, são cumpridas 20 ordens judiciais, sendo 12 mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva, um mandado de internação de adolescente, três determinações de quebra de sigilo bancário e três ordens de bloqueio de valores, que podem chegar a R$ 300 mil.

As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá, após representação apresentada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) da Capital.

A investigação foi construída a partir de dois inquéritos policiais que apuraram furtos distintos, ambos com elevado prejuízo financeiro para as vítimas. Os trabalhos contaram com o apoio da Polícia Civil de São Paulo.

Segundo os investigadores, apesar de os crimes terem ocorrido em momentos diferentes, os elementos reunidos apontaram que os envolvidos pertenciam ao mesmo grupo e utilizavam uma estratégia organizada para dificultar a identificação.

GRUPO VIAJAVA DE SÃO PAULO PARA CUIABÁ

As apurações revelaram que os suspeitos percorriam longas distâncias de carro para chegar a Cuiabá. Antes de agir, levantavam informações sobre condomínios residenciais, moradores e formas de acesso aos edifícios.

A escolha dos alvos não ocorria de maneira aleatória. Os criminosos buscavam informações sobre os moradores e observavam as condições de segurança e circulação dentro dos prédios, inclusive verificando se as vítimas estavam ou não em seus apartamentos.

Depois de executarem os furtos, os investigados deixavam Mato Grosso e seguiam novamente para São Paulo.

O acompanhamento das movimentações dos suspeitos, aliado a imagens de sistemas de monitoramento e registros de passagem por rodovias, ajudou os investigadores a estabelecer a conexão entre os deslocamentos interestaduais e os crimes ocorridos em Cuiabá.

FURTO DE R$ 300 MIL EM APARTAMENTO NO DUQUE DE CAXIAS

Um dos casos investigados aconteceu em 13 de abril de 2025, em um apartamento localizado no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá.

Conforme as investigações, um dos integrantes do grupo conseguiu entrar antecipadamente no condomínio. Para evitar levantar suspeitas, ele teria se apresentado falsamente como morador e permaneceu em uma área que não era alcançada pelas câmeras de segurança.

Enquanto isso, outro integrante apareceu posteriormente na portaria e perguntou especificamente pela moradora do apartamento que seria alvo. Ao confirmar que ela havia saído, o grupo iniciou a execução do plano.

O suspeito que já estava dentro do edifício se dirigiu ao apartamento pelas escadas e, segundo a investigação, arrombou a porta de acesso pela cozinha.

No interior do imóvel, foram violadas gavetas e retirados diversos objetos de valor, entre eles joias, peças de ouro, pérolas, pedras preciosas e dinheiro em moeda nacional e estrangeira.

O prejuízo inicialmente calculado chegou a aproximadamente R$ 300 mil.

VEÍCULO FOI RASTREADO ATÉ SÃO PAULO

Durante a apuração, imagens de monitoramento permitiram identificar o veículo utilizado para dar suporte à ação criminosa.

Registros de sistemas de monitoramento e de concessionárias responsáveis por trechos de rodovias ajudaram a reconstruir o trajeto do automóvel. Conforme os dados levantados, o veículo entrou em Mato Grosso no dia anterior ao furto e deixou o Estado poucas horas depois da prática do crime, seguindo em direção a São Paulo.

A análise das informações também indicou uma possível divisão de tarefas entre os integrantes.

Enquanto um dos suspeitos teria executado diretamente o furto, outro ficou responsável por verificar se a vítima estava fora do imóvel. Os demais permaneceram nas proximidades para prestar suporte e garantir o deslocamento do grupo.

OUTRO FURTO ENTROU NO RADAR DA DERF

O segundo inquérito apurou outro furto ocorrido em 19 de setembro de 2025, também em Cuiabá.

Nesse episódio, a atuação policial resultou na apreensão do veículo e de aparelhos celulares que estavam sendo utilizados pelos investigados. O material recolhido passou a integrar as investigações e contribuiu para a reconstrução das etapas de planejamento e execução dos crimes.

A partir da análise dos elementos reunidos, os investigadores conseguiram identificar como os suspeitos buscavam informações antes de escolher os locais onde pretendiam atuar.

Entre os dados levantados estavam nomes de moradores, endereços dos condomínios, localização dos edifícios e condições de acesso aos apartamentos.

As investigações indicaram ainda que, no mesmo dia, diferentes condomínios da Capital foram avaliados como possíveis alvos.

INFORMAÇÕES ERAM TROCADAS EM TEMPO REAL

Outro elemento identificado pela Polícia Civil foi a comunicação entre os integrantes durante a atuação em Cuiabá.

Conforme as apurações, os suspeitos compartilhavam informações sobre as condições encontradas em cada condomínio e, a partir dessas observações, decidiam se prosseguiriam ou não com determinada ação.

Esse sistema permitia que o grupo alterasse a estratégia conforme as circunstâncias encontradas nos locais monitorados.

A reconstrução das movimentações também possibilitou aos investigadores individualizar a participação de cada suspeito e estabelecer a atuação coordenada entre os integrantes.

INVESTIGAÇÃO APONTA ATUAÇÃO ORGANIZADA

Embora os dois inquéritos tenham sido instaurados para investigar ocorrências diferentes, o cruzamento das informações revelou que os suspeitos pertenciam ao mesmo grupo criminoso e teriam participado dos dois casos.

O padrão identificado envolve deslocamento de São Paulo para Cuiabá, levantamento prévio de informações, seleção de condomínios e moradores, divisão de funções e retorno ao Estado de origem logo após os crimes.

Para a Polícia Civil, os elementos obtidos durante a investigação foram fundamentais para identificar e individualizar a atuação dos envolvidos.

Com isso, a Derf representou pela adoção das medidas judiciais cumpridas nesta quarta-feira.

BUSCAS TENTAM RECUPERAR PATRIMÔNIO DAS VÍTIMAS

As equipes policiais procuram localizar durante as buscas objetos que possam ter sido subtraídos nos furtos, além de celulares, computadores, documentos, dinheiro e outros materiais capazes de contribuir para o avanço das investigações.

Os dispositivos eletrônicos eventualmente apreendidos também poderão fornecer novas informações sobre a atuação do grupo, inclusive possibilitando a identificação de outros integrantes e o esclarecimento sobre o destino dos bens retirados das vítimas.

Também foram determinadas medidas de bloqueio patrimonial. Os valores eventualmente encontrados ficarão vinculados às determinações judiciais e poderão, observadas as providências previstas em lei, contribuir para a reparação dos prejuízos provocados pelos crimes.

POR QUE “SACRILEGIUM”?

O nome da operação vem do latim “Sacrilegium”, expressão associada à violação de algo considerado sagrado.

A denominação escolhida pelos investigadores faz referência ao caráter dos crimes apurados: a invasão de residências, espaço protegido constitucionalmente e diretamente relacionado à intimidade, à privacidade e à segurança das famílias.

Segundo as investigações, os imóveis não eram invadidos de forma ocasional. As ações eram precedidas por levantamento de informações e executadas de maneira coordenada, com funções distribuídas entre os integrantes do grupo.

As diligências continuam para esclarecer completamente os fatos, identificar eventuais outros envolvidos e localizar o patrimônio que possa ter sido obtido por meio das ações criminosas.

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