
Dados foram apresentados nesta segunda-feira (28), durante evento no Hotel Gran Odara, em Cuiabá, que também marcou o lançamento do Anuário do Cooperativismo Mato-grossense 2026
POR LUCIANA BUENO | FOTO: O POVO MT
O Hotel Gran Odara, em Cuiabá, foi palco, nesta segunda-feira (28), de um evento que reuniu representantes do cooperativismo mato-grossense para apresentar um amplo levantamento sobre a participação do setor na economia de Mato Grosso. Durante o encontro, foram divulgados os resultados do estudo “Impactos do Cooperativismo na Economia de Mato Grosso”, elaborado pelo Observatório do Cooperativismo de Mato Grosso em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), além do lançamento do Anuário do Cooperativismo Mato-grossense 2026.
O evento, acompanhado pelo O Povo MT, apresentou números que dimensionam a presença das cooperativas no estado e seus reflexos sobre produção, emprego, renda, arrecadação, comércio exterior, educação e indicadores sociais.
De acordo com o estudo apresentado durante a programação, o cooperativismo mato-grossense movimentou R$ 56,05 bilhões em ingressos e receitas em 2025 e esteve associado à mobilização de R$ 75,26 bilhões em produção dentro de Mato Grosso. Considerando os efeitos em todo o país, o valor chega a R$ 100,28 bilhões.
Além dos resultados financeiros das próprias cooperativas, o levantamento estima que a atividade cooperativista esteve associada à mobilização de 376,8 mil empregos formais e informais, diretos e indiretos em Mato Grosso, além de R$ 37,15 bilhões em valor adicionado, R$ 2,88 bilhões em arrecadação de impostos e R$ 12,48 bilhões em massa salarial.
A apresentação dos dados ocorreu diante de representantes do Sistema OCB/MT, lideranças e integrantes do setor, em um encontro voltado à discussão sobre a dimensão econômica e social alcançada pelo cooperativismo no estado.
EVENTO MARCA LANÇAMENTO DE ANUÁRIO
Além da apresentação do estudo de impacto econômico, um dos destaques da programação realizada no Hotel Gran Odara foi o lançamento do Anuário do Cooperativismo Mato-grossense 2026.
A publicação reúne os principais dados oficiais do segmento e apresenta um panorama da evolução das cooperativas em Mato Grosso, incluindo informações sobre número de organizações, cooperados, empregos, receitas, ativos e capital social.
Segundo os dados do anuário, Mato Grosso encerrou 2025 com 172 cooperativas e 1,99 milhão de cooperados, distribuídos em sete ramos.
A base de cooperados cresceu de 1,75 milhão, em 2024, para 1,99 milhão em 2025.
No mesmo período, os ingressos e receitas das cooperativas avançaram de R$ 47,95 bilhões para R$ 56,05 bilhões. Os ativos totais também cresceram, passando de R$ 78,69 bilhões para R$ 88,65 bilhões, enquanto o capital social aumentou de R$ 6,57 bilhões para R$ 7,42 bilhões.
O setor contabilizou ainda 14,09 mil empregos diretos.
IMPACTO VAI ALÉM DAS COOPERATIVAS
Um dos pontos apresentados durante o evento foi justamente a dimensão dos impactos indiretos provocados pela atividade cooperativista.
O estudo da FIPE utilizou uma Matriz Insumo-Produto, metodologia que permite mensurar os efeitos diretos e indiretos de determinada atividade sobre diferentes setores da economia.
A estimativa apresentada aponta que, para cada R$ 1 de demanda mobilizada pelo cooperativismo, são gerados R$ 1,34 em produção dentro de Mato Grosso.
Na análise nacional, cada R$ 1 milhão de demanda mobilizada está associado a 8,58 postos de trabalho formais e informais, sendo 6,72 deles em Mato Grosso.
O levantamento demonstra, portanto, que a atuação das cooperativas não se limita aos resultados registrados dentro das próprias organizações. A atividade também movimenta fornecedores, prestadores de serviços, trabalhadores e diferentes cadeias produtivas.
MUNICÍPIOS COM COOPERATIVAS APRESENTAM DIFERENCIAIS
Outro estudo apresentado durante o encontro analisou a trajetória socioeconômica de municípios com e sem presença de cooperativas.
Mais de 30 variáveis foram consideradas, envolvendo áreas como atividade econômica, trabalho e renda, arrecadação, comércio exterior, agropecuária, educação e indicadores sociais.
Nos municípios analisados, a presença cooperativista esteve associada a um diferencial estimado de R$ 14,2 mil no PIB por habitante.
Também foram identificados diferenciais de 64,9 empregos formais adicionais por mil habitantes, R$ 300,20 a mais em massa salarial por habitante e R$ 206,20 em arrecadação municipal por habitante.
No comércio exterior, foram apontados diferenciais de US$ 7.250 em exportações por habitante e US$ 7.156 no saldo comercial por habitante.
Na educação, os municípios com presença cooperativista apresentaram diferencial de 3,9 pontos percentuais na taxa de aprovação da 3ª série do Ensino Médio e de 2,1 matrículas no Ensino Superior por mil habitantes.
O levantamento também identificou menor incidência de famílias inscritas no Cadastro Único e beneficiárias do Bolsa Família entre os municípios analisados com presença cooperativista.
COOPERATIVISMO DE MATO GROSSO MOVIMENTA OUTROS ESTADOS
Os efeitos econômicos também ultrapassam as fronteiras estaduais.
Dos R$ 100,28 bilhões em produção mobilizada no Brasil, R$ 75,26 bilhões estão associados a impactos em Mato Grosso, enquanto R$ 25,02 bilhões correspondem às repercussões nos demais estados.
Em relação ao valor adicionado, dos R$ 47,40 bilhões estimados, R$ 37,15 bilhões estão em Mato Grosso.
Na arrecadação, o estudo aponta R$ 4,11 bilhões em efeitos no país, sendo R$ 2,88 bilhões relacionados ao estado.
Já dos cerca de 481 mil empregos mobilizados em todo o Brasil, 376,8 mil estão associados à economia mato-grossense.
Os números reforçam a integração das cooperativas do estado com cadeias produtivas, fornecedores e prestadores de serviços de outras regiões brasileiras.
LIDERANÇAS DESTACAM IMPORTÂNCIA DOS DADOS
Durante o evento em Cuiabá, o presidente do Sistema OCB/MT, Nelson Piccoli, destacou que os números apresentados ajudam a dimensionar a presença do cooperativismo em diferentes regiões e segmentos da economia estadual.

OCB/MT, Nelson Piccoli.
“O cooperativismo está presente em diferentes setores da economia e em diferentes regiões de Mato Grosso. Esses números mostram a dimensão que o movimento alcançou e, principalmente, a sua capacidade de gerar oportunidades e movimentar a economia”, afirmou.
O superintendente do Sistema OCB/MT, Frederico Azevedo, ressaltou que o levantamento permite enxergar os efeitos da atividade cooperativista para além dos resultados individuais das organizações.
Já a gerente de Desenvolvimento e Inteligência de Cooperativas do Sistema OCB/MT, Sâmyla Sousa, destacou que a sistematização dos dados amplia a capacidade de compreender a relação entre as cooperativas, a economia e os municípios.
MATO GROSSO TEM QUASE 2 MILHÕES DE COOPERADOS
O crescimento da base de cooperados foi um dos indicadores apresentados no Anuário 2026.
O salto de 1,75 milhão para 1,99 milhão de cooperados em apenas um ano mostra a ampliação da participação da população no sistema cooperativista.
Mato Grosso também se destaca nacionalmente pela densidade do cooperativismo formal. Conforme dados da RAIS, o estado ocupa a quinta posição no país em estabelecimentos e vínculos cooperativos por 100 mil habitantes.
A divulgação do estudo e do anuário durante o evento realizado nesta segunda-feira, em Cuiabá, amplia o conhecimento sobre o peso econômico do cooperativismo e fornece uma fotografia atualizada do setor em Mato Grosso.
Com 172 cooperativas, 1,99 milhão de cooperados, R$ 56,05 bilhões em ingressos e receitas e 14,09 mil empregos diretos, o cooperativismo mantém presença em diferentes segmentos da economia estadual e amplia sua conexão com os municípios e com outras cadeias produtivas.
O O Povo MT acompanhou o evento e segue trazendo os principais acontecimentos e indicadores que movimentam a economia de Mato Grosso.












