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ATEG FLORICULTURA AJUDA PRODUTORA DE TANGARÁ DA SERRA A TRANSFORMAR CULTIVO DE FLORES EM OPORTUNIDADE DE RENDA

Acompanhamento do Senar MT contribuiu para diversificação da produção, melhoria do manejo e novas possibilidades de comercialização

DA REDAÇÃO | FOTO: SENAR-MT

Aos 56 anos, Aparecida Olímpia Ramos, de Tangará da Serra, encontrou nas flores não apenas uma atividade de cultivo, mas também uma nova perspectiva para a própria vida. O que durante muito tempo foi apenas uma forma de manter por perto uma paixão antiga começou a ganhar novos caminhos a partir do acompanhamento da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Floricultura, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT).

A trajetória da produtora é marcada por momentos difíceis, nos quais o cultivo das plantas passou a ter um significado ainda maior. Cuidar das mudas, acompanhar o desenvolvimento das plantas, realizar polinizações e esperar pelas primeiras florações ajudaram Cida, como é conhecida, a encontrar motivos para continuar.

Com o tempo, o que antes era encarado principalmente como uma coleção de plantas começou a ser visto também como uma possibilidade de negócio e geração de renda.

“Para mim, minha família foi o meu pilar. Se eu não tivesse tido esse apoio, eu não estaria aqui. Foi um processo difícil, mas eles estiveram do meu lado e não me deixaram desistir”, afirma.

DO HOBBY À POSSIBILIDADE DE NEGÓCIO

Cida já cultivava principalmente rosas-do-deserto quando teve contato com a ATeG. O encontro aconteceu enquanto ela ajudava uma amiga durante a Feira das Flores de Tangará da Serra, evento realizado anualmente no Dia das Mães pelo Senar MT, em parceria com o Sindicato Rural, a Prefeitura do município e produtores atendidos pelo programa.

A partir do acompanhamento técnico, a produtora passou a observar o cultivo por uma perspectiva diferente. Além de cuidar das plantas, começou a considerar questões como demanda, diversificação, manejo, organização da produção e comercialização.

“Para mim, as flores passaram a ser vida. Quando comecei a ver as coisas que eu já tinha feito, as polinizações, comecei a ver florir, comecei a ver vida. Eu não tinha essa visão que tenho hoje. Antes, eu colecionava e pronto; não queria vender. Mas hoje estou vendo que mudou a minha vida. Ainda não é a renda principal da casa, mas, em breve, espero que seja”, conta Cida.

O acompanhamento foi realizado pelo técnico de campo credenciado pelo Senar MT, Henrique Almeida, que trabalhou com a produtora tanto questões relacionadas à produção quanto à organização da atividade.

DIVERSIFICAÇÃO PARA ENFRENTAR DESAFIOS

No início da assistência, Cida enfrentava dificuldades no cultivo e concentrava a maior parte da produção em rosas-do-deserto. Naquele momento, segundo o técnico, havia menor demanda por algumas variedades, além de problemas relacionados a pragas, doenças e baixa floração.

A partir da análise da propriedade e da realidade da produtora, o trabalho passou a buscar alternativas para melhorar o desempenho das plantas e ampliar as possibilidades de comercialização.

“Foi um trabalho bem dificultoso, trabalhoso e de muita paciência. Primeiro, a gente precisa conhecer o produtor e criar um vínculo. Aos poucos, ela foi vendo os resultados e começou a acreditar no trabalho”, explica Henrique.

Com as orientações e a observação do comportamento do mercado, Cida começou a diversificar o viveiro. Além das rosas-do-deserto, passou a cultivar outras plantas ornamentais e folhagens, priorizando espécies com maior procura.

A mudança também alcançou a forma de comercializar a produção. A produtora passou a participar de feiras e começou a organizar melhor a atividade, buscando transformar o cultivo em uma fonte de renda.

“Por meio do conhecimento técnico adaptado à realidade dela, ao clima e à propriedade, fomos ajustando para trazer resultado. Isso melhorou as plantas, a comercialização e a parte financeira, e também trouxe mais ânimo”, destaca o técnico.

CAPACITAÇÃO PARA CRESCER

Além da assistência diretamente relacionada ao viveiro, Cida vem investindo na própria formação. Ao longo do processo, participou de cursos do Senar MT em diferentes áreas e buscou novos conhecimentos para aprimorar o trabalho.

Entre as capacitações mais recentes estão conteúdos relacionados à adubação foliar, produção em viveiros de mudas e gestão financeira. Para ela, aprender faz parte do processo de transformar uma atividade que começou como paixão em uma oportunidade cada vez mais estruturada.

O objetivo agora é ampliar a produção, testar novas variedades e, principalmente, conquistar um espaço próprio para desenvolver o viveiro.

“Meu futuro é conquistar meu espaço e continuar trabalhando com as flores. Quero melhorar muito, fazer mudanças de genética, algo novo”, planeja.

A história de Cida mostra como a assistência técnica aliada à capacitação e ao apoio familiar pode contribuir para que pequenos produtores enxerguem novas possibilidades dentro da própria atividade. No caso dela, as flores deixaram de ser apenas parte de uma coleção e passaram a representar também um projeto de futuro.

O Povo MT segue acompanhando histórias de produtores de Mato Grosso que encontram na capacitação, no conhecimento e no empreendedorismo caminhos para fortalecer suas atividades e ampliar as oportunidades no campo.

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