PRODUÇÃO DE CAFÉ AVANÇA EM MATO GROSSO E PRODUTORES AMPLIAM PRODUTIVIDADE COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA

Atuação do Senar MT acompanha 261 propriedades e busca aliar aumento da produção, controle de custos e qualidade dos grãos
DA REDAÇÃO | FOTO: REPRODUÇÃO
A cafeicultura vem ganhando espaço em Mato Grosso, especialmente entre pequenos produtores, com avanços na produtividade e investimentos em assistência técnica, capacitação e melhoria da qualidade. No Dia Internacional do Café, celebrado nesta quinta-feira (1º), o Sistema Famato destaca o crescimento da atividade e as iniciativas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva no estado.
Por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Cafeicultura acompanha atualmente 261 propriedades em seis municípios da região Noroeste: Colniza, Juína, Aripuanã, Cotriguaçu, Nova Bandeirantes e Nova Monte Verde.
O acompanhamento é realizado por técnicos de campo, que orientam os cafeicultores tanto no manejo das lavouras quanto na organização financeira da atividade. Entre abril e julho deste ano, 219 propriedades atendidas pela ATeG comercializaram 19,4 mil sacas de café e alcançaram faturamento de R$ 16,2 milhões.
Depois da contabilização dos custos operacionais, a margem econômica registrada no período chegou a 73%.
Os números também evidenciam a importância de combinar produtividade e qualidade. Segundo a assistência técnica, o aumento do volume produzido não representa necessariamente maior rentabilidade quando ocorre perda na qualidade do produto.
Por isso, o trabalho desenvolvido nas propriedades envolve controle dos custos, manejo adequado das lavouras e cuidados para preservar o padrão do café, buscando melhores condições de comercialização e maior valorização do produto.
CAPACITAÇÃO NO INTERIOR
Além do acompanhamento individualizado nas propriedades, o Senar MT promove ações de capacitação para produtores e profissionais ligados à atividade.
Em setembro, foi realizado pela primeira vez o Workshop do Café em Colniza. O evento ocorreu no dia 26 e levou informações técnicas sobre produção e qualidade aos cafeicultores do município.
A instituição também promoveu, em julho, a segunda edição do Workshop do Café em Juína, ampliando as oportunidades de acesso a conhecimento técnico para os produtores da região.
Segundo o gerente de Assistência Técnica do Senar MT, Bruno de Faria, os eventos também servem para apresentar aos produtores o trabalho desenvolvido pela assistência técnica.
“É uma oportunidade de mostrar o trabalho da nossa assistência técnica nos municípios onde atuamos. A capacitação é fundamental para que o produtor possa aprimorar sua produção e entregar ao consumidor um café com a qualidade que o mercado busca”, afirmou.
O presidente do Sindicato Rural de Colniza, Antônio Melo, avalia que o crescimento da cafeicultura no município aumenta a necessidade de investimentos em tecnologia, qualidade e infraestrutura.
Para ele, iniciativas de capacitação ajudam os produtores a encontrar alternativas para os desafios que acompanham a expansão da atividade.
“A cafeicultura vem crescendo muito em Colniza, e esse evento é importante para fortalecer o produtor, levar tecnologia e melhorar a qualidade da produção. Hoje, temos o desafio da logística, porque a estrutura ainda não acompanha esse crescimento. Produção nós temos; agora, precisamos trabalhar para protegê-la e criar condições para que ela avance ainda mais”, destacou.
CUSTOS E PLANEJAMENTO
O planejamento financeiro também ocupa espaço importante na orientação aos cafeicultores. Conforme levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custo médio anual para produção de café em Mato Grosso foi estimado em R$ 11,5 mil por hectare no segundo trimestre de 2026.
A estimativa considera um modelo de produção de café canéfora em pequenas propriedades. O tempo necessário para recuperar o investimento varia de acordo com o estágio da lavoura.
Em áreas recém-implantadas, o retorno ocorre em um período mais longo. Já em lavouras consolidadas, a recuperação do investimento tende a ocorrer em menor prazo.
Para a supervisora de ATeG, Cristiani Bernini, o produtor precisa acompanhar os custos e buscar equilíbrio entre quantidade e qualidade.
“A orientação é buscar equilíbrio entre produtividade e qualidade. A produção de mais sacas, por si só, não significa maior renda se houver perda no padrão do café. O produtor precisa conhecer seus custos, manejar a lavoura de forma adequada e trabalhar para entregar um produto de qualidade, que tenha maior valor de mercado”, explica.
MATO GROSSO É O 9º MAIOR PRODUTOR
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam uma produção estimada de 268,9 mil sacas de café em Mato Grosso na safra 2026. O volume representa uma redução de 3,5% em relação à safra anterior e coloca o estado na nona posição entre os maiores produtores nacionais.
Apesar da queda estimada no volume total, a produtividade das lavouras mato-grossenses apresentou avanço.
A área em produção foi reajustada para 10,3 mil hectares, enquanto a produtividade alcançou 26,1 sacas por hectare, um crescimento de 10,8%.
O desempenho é associado principalmente à expansão dos cafezais clonais de Coffea canephora, espécie que inclui os cafés conilon e robusta, além das condições de disponibilidade hídrica durante o período reprodutivo das plantas.
O cenário reforça o papel da assistência técnica, da capacitação e do planejamento na busca por uma cafeicultura mais produtiva e com maior capacidade de gerar renda aos produtores mato-grossenses.
O Povo MT segue acompanhando o desempenho do agronegócio e das cadeias produtivas que movimentam a economia de Mato Grosso.



