
MT Hemocentro é recertificado pela Hemobrás e já enviou 7,8 mil bolsas de plasma para a indústria pública em 2026
DA REDAÇÃO | FOTO: LUIZA GOULART / SES-MT
O sangue doado por milhares de mato-grossenses está ganhando um novo destino e ajudando a salvar vidas mesmo depois de deixar de ser utilizado em transfusões. O MT Hemocentro, único banco de sangue público de Mato Grosso, foi recertificado pela Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) para continuar fornecendo plasma excedente das doações para o fracionamento industrial e a produção de medicamentos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A certificação permite que o Estado permaneça integrado à cadeia nacional de produção de hemoderivados. O plasma que não é utilizado diretamente em transfusões pode ser encaminhado à indústria pública, onde passa por processos de fracionamento para a obtenção de substâncias utilizadas na fabricação de medicamentos.
Entre os produtos que podem ser produzidos a partir do plasma estão albumina, imunoglobulinas e fatores de coagulação VIII e IX, componentes utilizados no tratamento de pacientes com hemofilias, deficiências imunológicas, grandes queimaduras, hemorragias e outras condições clínicas.
MAIS DE 7,8 MIL BOLSAS ENVIADAS EM 2026
A participação de Mato Grosso nessa cadeia vem crescendo. Somente entre janeiro e agosto de 2026, o MT Hemocentro encaminhou 7.872 bolsas de plasma para a indústria pública.
O secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, destacou que a recertificação confirma o cumprimento dos requisitos técnicos necessários para que a unidade continue participando do processo nacional de produção de medicamentos.
“Essa qualificação demonstra que o MT Hemocentro atende aos requisitos técnicos e de qualidade necessários para integrar a cadeia nacional de produção de hemoderivados. Com isso, parte do sangue coletado em Mato Grosso retorna na forma de medicamentos destinados aos pacientes do SUS. É a solidariedade da população mato-grossense salvando ainda mais vidas”, afirmou.
Na prática, a iniciativa amplia o aproveitamento das doações realizadas no Estado e permite que um componente do sangue que poderia perder sua utilidade transfusional seja transformado em matéria-prima para medicamentos de alto valor terapêutico.
PLASMA É APROVEITADO ALÉM DA TRANSFUSÃO
O plasma é a parte líquida do sangue e contém proteínas importantes para o funcionamento do organismo. Quando não há indicação para utilização transfusional, o componente pode ser separado e destinado ao processamento industrial.
Nesse processo, substâncias presentes no plasma são aproveitadas para a produção de medicamentos utilizados em diferentes tratamentos.
O diretor do MT Hemocentro, Fernando Henrique Modolo, ressaltou que a estratégia representa um avanço na gestão do ciclo do sangue.
“Além de garantir os hemocomponentes necessários para transfusões, a unidade amplia o aproveitamento das doações realizadas pela população, reduzindo desperdícios e contribuindo para a produção de medicamentos de alto valor terapêutico”, explicou.
OUTRAS SETE UNIDADES ESTÃO EM PROCESSO DE QUALIFICAÇÃO
O trabalho de expansão da cadeia não está restrito ao MT Hemocentro. Atualmente, sete Unidades de Coleta e Transfusão de Mato Grosso estão em processo de qualificação para também poderem encaminhar plasma excedente à indústria pública.
As unidades participaram, em caráter técnico observacional, da auditoria realizada pela Hemobrás em agosto no MT Hemocentro.
A expectativa é de que, após a conclusão do processo de qualificação, essas unidades também estejam aptas a integrar o sistema de aproveitamento do plasma excedente.
Segundo o MT Hemocentro, a ampliação desse processo poderá aumentar a quantidade de plasma encaminhada para a produção de medicamentos e fortalecer a participação de Mato Grosso na cadeia nacional de hemoderivados.
INICIATIVA É RECONHECIDA POR INOVAÇÃO
O trabalho desenvolvido pelo MT Hemocentro também recebeu reconhecimento estadual.
A prática “MT Hemocentro: do Sangue ao Medicamento – Inovação na Gestão do Plasma” conquistou o primeiro lugar no Prêmio Eficiência e Inovação em Práticas Públicas de 2026, na categoria “Melhoria da Gestão Pública”.
A premiação reconheceu a estratégia de ampliar o aproveitamento do plasma e integrá-lo ao processo de produção de medicamentos para o SUS.
Além do Selo Servidor Eficiente e Inovador em Práticas Públicas e de passagens aéreas nacionais ou internacionais, com direito a acompanhante, as quatro servidoras do MT Hemocentro responsáveis pela iniciativa receberam, juntas, R$ 200 mil em premiação.
DA DOAÇÃO AO TRATAMENTO
A recertificação do MT Hemocentro mostra que o caminho percorrido por uma doação de sangue pode ir muito além da transfusão realizada imediatamente após a coleta.
Uma única doação pode gerar diferentes componentes e, quando o plasma excedente é aproveitado industrialmente, também pode contribuir para a produção de medicamentos utilizados por pacientes que dependem de tratamentos específicos e contínuos.
Com o avanço da qualificação de novas unidades, Mato Grosso busca ampliar esse aproveitamento e reduzir perdas ao longo do ciclo do sangue.
Mais do que uma etapa técnica, o processo transforma a solidariedade de quem doa sangue em uma cadeia que pode chegar novamente ao paciente na forma de tratamento.
O Povo MT segue acompanhando as ações que fortalecem a saúde pública e ampliam o aproveitamento das doações de sangue realizadas pelos mato-grossenses.



