CÁRMEN LÚCIA CRITICA MISOGINIA E DESTACA APAGAMENTO HISTÓRICO DAS MULHERES NA CIÊNCIA

Durante palestra na Semana do Conhecimento da UFMT, ministra do STF alertou para a persistência do machismo, da desigualdade de gênero e da violência contra a mulher.
POR LUCIANA BUENO | FOTO: UFMT
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, fez um alerta sobre a persistência do machismo, da misoginia e da desigualdade de gênero durante palestra na Semana do Conhecimento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), realizada nesta terça-feira (13), em Cuiabá. Diante de estudantes e professores, a magistrada também abordou o apagamento histórico das contribuições femininas na ciência e na política.
Em sua fala, a ministra destacou que a garantia constitucional de igualdade entre homens e mulheres ainda não se traduz plenamente na realidade brasileira. Para ela, o preconceito continua presente nas relações sociais e representa um obstáculo à construção de uma sociedade mais justa.
“Apesar de termos uma Constituição que garante direitos iguais, nós não vivemos num mundo em que a igualação já se fez”, afirmou, ao mencionar os 38 anos da Constituição Federal de 1988.
Cármen Lúcia também chamou a atenção para a presença da misoginia em diferentes espaços da sociedade, ressaltando que o enfrentamento à discriminação contra as mulheres exige conscientização e mudanças de comportamento.
“Nós somos uma sociedade muito preconceituosa no Brasil, uma sociedade machista, uma sociedade em que a misoginia permeia todas as relações”, pontuou.
MULHERES E O APAGAMENTO HISTÓRICO NA CIÊNCIA
Outro ponto abordado pela ministra foi a falta de reconhecimento de mulheres que contribuíram para o desenvolvimento científico, político e social. Ao discutir o tema em uma universidade, Cármen Lúcia trouxe para o centro do debate a importância de reconhecer a participação feminina na produção do conhecimento e na construção da história.
O apagamento histórico ocorre quando as contribuições de mulheres são ignoradas, minimizadas ou atribuídas a outros, dificultando que suas trajetórias sejam conhecidas pelas novas gerações.
A discussão também reforça a importância de ampliar a visibilidade das pesquisadoras, incentivar a participação feminina nos espaços de decisão e garantir condições mais igualitárias para o desenvolvimento profissional e acadêmico.
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER ACENDE ALERTA EM MATO GROSSO
A palestra ocorre em um cenário preocupante para Mato Grosso, onde os números de mortes de mulheres reforçam a necessidade de políticas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero.
Conforme os dados mencionados no contexto do evento, o Estado já contabilizava 40 mulheres mortas em 2026. O número evidencia a gravidade do problema e a importância de fortalecer a rede de proteção, ampliar o acolhimento às vítimas e combater comportamentos que naturalizam a violência e a discriminação.
A presença de Cármen Lúcia na Semana do Conhecimento da UFMT também ampliou o espaço de discussão sobre direitos fundamentais, igualdade e responsabilidade social das instituições de ensino na formação de cidadãos conscientes.
Ao abordar a desigualdade e a misoginia, a ministra ressaltou questões que ultrapassam o campo jurídico e alcançam o cotidiano das mulheres brasileiras, reforçando a importância de transformar os direitos garantidos pela Constituição em condições reais de segurança, respeito e igualdade.
O Povo MT acompanha a programação da Semana do Conhecimento da UFMT e os debates sobre direitos das mulheres, ciência e igualdade de gênero em Mato Grosso.



