Apresuntado x presunto: especialistas alertam para diferenças e riscos no consumo
Produto mais barato pode conter menos carne, mais aditivos e alto teor de sódio, impactando a saúde
Muito presente no dia a dia do consumidor brasileiro, o apresuntado costuma ser confundido com o presunto tradicional. Apesar da aparência semelhante e do uso comum em sanduíches e lanches rápidos, especialistas alertam que os dois produtos possuem diferenças significativas na composição e no valor nutricional.
De acordo com normas brasileiras, o apresuntado é um produto cárneo industrializado que pode conter uma mistura de carne suína, água, amido, proteínas adicionais e aditivos químicos. Diferentemente do presunto, que é produzido a partir de cortes mais nobres do pernil do porco, o apresuntado pode utilizar partes menos valorizadas, que passam por processos de moagem, mistura e prensagem.
Desde 2022, a legislação permite a adição de até 2,5% de proteínas não cárneas, além de água e amido, o que contribui para reduzir o custo de produção e também o teor real de carne no produto final.
Impactos na saúde preocupam
Nutricionistas apontam que o consumo frequente de apresuntado pode trazer riscos à saúde, principalmente devido ao alto teor de sódio, gorduras e conservantes.
Segundo a nutricionista clínica Mariana Lopes, alimentos ultraprocessados como o apresuntado devem ser consumidos com moderação. “Estamos falando de um produto com baixo valor nutricional e alta carga de sódio e aditivos químicos, como nitratos e nitritos, que são utilizados para conservação e coloração. O consumo excessivo está associado a doenças cardiovasculares e aumento da pressão arterial”, explica.
Outro ponto de atenção é a densidade nutricional. Enquanto o presunto tende a oferecer maior quantidade de proteína de qualidade, o apresuntado apresenta maior presença de gorduras e ingredientes que não contribuem para a nutrição adequada.
Indústria e praticidade
Especialistas em tecnologia de alimentos destacam que o apresuntado surge como uma alternativa mais acessível ao consumidor, justamente por utilizar processos industriais que permitem maior rendimento.
O engenheiro de alimentos Carlos Mendes explica que a diferença está no processo. “O apresuntado passa por emulsificação, mistura e prensagem, formando uma massa homogênea. Isso permite a incorporação de outros ingredientes, reduzindo custos. Já o presunto mantém mais características da carne original”, detalha.
Apesar da praticidade e do preço mais baixo, ele reforça a importância da leitura dos rótulos. “O consumidor precisa observar a lista de ingredientes e a quantidade de sódio. Nem sempre o produto mais barato é a melhor escolha para a saúde”, alerta.
Consumo consciente
A recomendação de especialistas é priorizar alimentos menos processados e reduzir o consumo de embutidos no dia a dia. Quando consumidos, devem fazer parte de uma dieta equilibrada e não serem a base da alimentação.
A diferença entre apresuntado e presunto pode parecer apenas técnica, mas, na prática, reflete diretamente na qualidade do que vai à mesa e nos impactos à saúde a longo prazo.
Autor: Redação
Foto: Reprodução



