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APÓS VENCER CÂNCER DE MAMA, MULHER TRANSFORMA A PRÓPRIA HISTÓRIA EM ESPERANÇA PARA OUTRAS PACIENTES

Carmelinda Farias Aguiar enfrentou três cirurgias e anos de tratamento; hoje, aos 62 anos, visita mulheres em tratamento oncológico em Sinop para oferecer acolhimento, fé e incentivo.

DA REDAÇÃO | FOTO: MATEUS DIAS/APROSOJA MT

A experiência de enfrentar um câncer de mama agressivo transformou a vida de Carmelinda Farias Aguiar, de 62 anos, e fez nascer nela uma missão: apoiar mulheres que atravessam o mesmo desafio. Depois de passar por três cirurgias, enfrentar períodos de debilidade extrema e depender de suplementação alimentar para sobreviver, ela hoje compartilha sua história com pacientes atendidas pela Rede Feminina de Combate ao Câncer de Sinop (REFCCS), em Mato Grosso.

A trajetória de Carmelinda é marcada pela superação, pela fé e pela solidariedade. Durante o tratamento, ela recebeu apoio da instituição e foi beneficiada por iniciativas de assistência nutricional. Agora, recuperada da doença, retorna ao local para conversar com outras mulheres, incentivar quem está começando a jornada e mostrar que o acolhimento pode fazer diferença nos momentos mais difíceis.

A história ganha destaque durante a campanha Outubro Rosa, dedicada à conscientização sobre o câncer de mama, à importância do diagnóstico precoce e ao cuidado com a saúde feminina.

Diagnóstico avançado mudou a rotina

Antes da descoberta da doença, Carmelinda conciliava uma rotina intensa. Cursava faculdade, trabalhava em uma clínica e também exercia atividades como servidora pública. Segundo ela, a falta de tempo dificultava a atenção às mudanças no próprio corpo.

O diagnóstico veio em estágio avançado, apenas oito meses depois de um exame que não havia apontado a doença.

A partir daí, sua vida mudou rapidamente. Em cerca de 30 dias após a descoberta, passou por uma cirurgia para retirada da mama. Posteriormente, precisou de outra intervenção para remover nódulos na região da axila. A terceira cirurgia foi necessária para permitir a alimentação por sonda, já que seu estado de saúde havia se deteriorado e ela não conseguia mais se alimentar normalmente.

O tratamento também envolveu sessões frequentes de quimioterapia e dificuldades que afetaram diretamente sua alimentação, sua disposição e sua autonomia.

Suplemento alimentar ajudou durante o tratamento

Entre os recursos que contribuíram para enfrentar a fase mais delicada esteve a suplementação alimentar recebida por meio da assistência oferecida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Sinop.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) é parceira da instituição e, há quatro anos, contribui com a distribuição de bebida de soja utilizada como complemento alimentar para pacientes oncológicos.

Carmelinda foi uma das mulheres beneficiadas. Durante aproximadamente dois anos, o suplemento fez parte de sua rotina, em um período no qual até mesmo comer havia se tornado um desafio.

“Eu mesma fui uma paciente que passei dois anos tomando suplemento. Porque, no meu caso, não foi fácil lutar para sobreviver. Chegou um tempo em que eu não tinha mais ânimo para comer, nem nada, e tive que fazer cirurgia na boca. Meus dentes caíam, eu não tinha como me alimentar, e esse suplemento foi de grande valia”, contou.

Ela relembra que a irmã preparava vitaminas com o produto, que se tornou uma das poucas alternativas que seu organismo aceitava durante o tratamento.

“Era a única coisa que meu estômago aceitava, só derivados de soja, fubá, essas coisas. Comida, eu não comia. Foi muito bom porque eu me fortalecia, ganhava resistência e um pouco mais de ânimo, porque a cada oito dias eu fazia quimioterapia”, relatou.

A experiência mostra como o suporte nutricional pode integrar o cuidado de pacientes que enfrentam dificuldades para se alimentar durante tratamentos oncológicos. A suplementação, no entanto, deve ser orientada conforme as necessidades de cada paciente e não substitui o acompanhamento médico e nutricional.

Fé diante dos momentos mais difíceis

Durante a fase mais crítica da doença, Carmelinda também precisou lidar com o sofrimento das pessoas próximas. Segundo ela, a debilidade física era tão intensa que alguns acreditavam que não conseguiria sobreviver.

A paciente chegava à Rede Feminina de Combate ao Câncer carregada no colo e se alimentava por sonda. Apesar da situação delicada, afirma que manteve a fé e a confiança em Deus.

“Os de fora só olham, ficam tristes. A família fica triste. Todos que ficam em volta de você têm aquele olhar de ‘essa vai morrer’. Quem olhava para mim dizia que eu não iria escapar. Eu chegava carregada no colo aqui na REFCCS e me alimentava por sonda”, relembrou.

A confiança na própria recuperação e a espiritualidade foram importantes para atravessar aquele período, segundo seu relato.

De paciente a rede de apoio

Hoje, a realidade é diferente. Depois de superar a doença, Carmelinda voltou a realizar sonhos, viajar e aproveitar experiências que antes pareciam distantes. Entre elas está a oportunidade de voar de parapente.

Ela também passou a reservar mais tempo para si mesma e encontrou uma forma de transformar o que viveu em apoio a outras mulheres.

As visitas à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Sinop fazem parte dessa nova etapa. Por conhecer as dificuldades físicas e emocionais do tratamento, Carmelinda conversa com pacientes, compartilha sua experiência e procura oferecer palavras de incentivo a quem ainda está enfrentando a doença.

Seu conselho é que as mulheres não deixem de cuidar de si mesmas e procurem manter a esperança ao longo do processo.

“O meu conselho para as pacientes que estão vindo agora para essa fase do tratamento é, em primeiro lugar, você se coloca você. É só eu, eu e Deus. E sempre, não desistir, ter fé. Com o passar do tempo, você vai vendo que as reações vão sendo diferentes, vai ganhando resistência, vai ganhando amor por você própria, aí você vê o mundo diferente”, afirmou.

Para Carmelinda, aprender a olhar para si mesma com mais atenção e carinho também faz parte da transformação vivida após o diagnóstico.

Câncer de mama exige atenção e diagnóstico precoce

A história da paciente reforça a importância da conscientização sobre o câncer de mama. Para o triênio de 2026 a 2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos da doença por ano no Brasil. O câncer de mama representa aproximadamente 30% dos casos de câncer entre mulheres.

O diagnóstico em estágio avançado continua sendo um desafio. Dados citados na divulgação da iniciativa apontam que 51% das mulheres recebem o diagnóstico quando a doença já está em estágio avançado.

Conhecer o próprio corpo e procurar atendimento diante de alterações suspeitas são medidas importantes. Entre os sinais que exigem avaliação estão:

  • Nódulo na mama, especialmente quando endurecido, fixo ou em crescimento;
  • Alterações no formato do mamilo ou retração da pele;
  • Saída espontânea de secreção com sangue por um único mamilo;
  • Feridas ou alterações persistentes na pele do mamilo;
  • Caroços na região das axilas;
  • Aumento progressivo da mama acompanhado de inchaço ou aspecto de casca de laranja.

A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, mas exige avaliação profissional. A observação das mamas não substitui os exames de rastreamento recomendados conforme a idade e as orientações de saúde vigentes.

Solidariedade que continua fazendo diferença

Ao retornar à instituição onde recebeu apoio, Carmelinda representa uma rede de solidariedade que ultrapassa a assistência material. Sua presença oferece às pacientes a oportunidade de conversar com alguém que conhece, na prática, os desafios de enfrentar um câncer agressivo.

Depois de atravessar cirurgias, quimioterapia e dificuldades para se alimentar, ela encontrou uma maneira de retribuir o acolhimento que recebeu: estar ao lado de outras mulheres durante o tratamento.

Sua história mostra que a recuperação também pode abrir espaço para novos projetos, sonhos e formas de ajudar. Na Rede Feminina de Combate ao Câncer de Sinop, a mulher que um dia precisou de apoio agora compartilha força e esperança com quem está começando essa caminhada.

O Povo MT segue acompanhando histórias de superação, iniciativas de solidariedade e ações de conscientização que contribuem para ampliar o acesso à informação e fortalecer o cuidado com a saúde.

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