Estilo de vida

No Dia Nacional da Adoção, casal celebra conquista da paternidade em Rondonópolis

Audiência realizada pela Vara da Infância e Juventude oficializou a adoção de menino de quase 3 anos por casal homoafetivo

Luciana Bueno | Foto: TJMT

O que começou com um sorriso espontâneo e um abraço apertado se transformou em uma história marcada pelo amor, acolhimento e construção de uma família. No Dia Nacional da Adoção, celebrado em 25 de maio, o casal Magnus Costa e Gustavo da Silva Carvalho viveu um dos momentos mais emocionantes de suas vidas ao oficializar a adoção do filho, durante audiência de ratificação realizada pela Vara da Infância e Juventude de Rondonópolis.

A criança, hoje com quase 3 anos, chegou à vida dos dois ainda bebê e rapidamente criou uma conexão que mudou completamente a rotina da família. Segundo o casal, um dos momentos mais marcantes aconteceu poucos dias após o início da convivência, quando o menino os chamou de “papai” pela primeira vez.

“Foi impossível segurar a emoção. Naquele instante sentimos que já éramos, de fato, os pais dele”, relembra Magnus.

Apesar da guarda provisória já concedida anteriormente, a audiência representou a conclusão oficial do processo de adoção e trouxe alívio ao casal, que aguardava ansiosamente pela decisão definitiva da Justiça.

“O sentimento era de vitória. Existia um medo natural de algo acontecer até tudo ser oficializado. Quando saiu a confirmação, veio uma paz enorme”, afirmaram.

O desejo de formar uma família sempre esteve presente na vida de Magnus. Já Gustavo passou a considerar a possibilidade da adoção após conversas com amigos próximos. A partir disso, os dois buscaram informações, participaram do curso preparatório promovido pelo Grupo de Apoio à Adoção de Rondonópolis (GAAR) e iniciaram o processo no Sistema Nacional de Adoção.

A espera foi cercada de expectativa, ansiedade e esperança. Quando receberam a ligação informando sobre a possibilidade de acolher a criança, o casal conta que a emoção tomou conta.

“A notícia chega de repente e muda tudo. É uma decisão para a vida inteira. Ao mesmo tempo em que sentimos medo, também veio uma felicidade impossível de explicar”, disseram.

Desde então, a casa passou a ser preenchida por brincadeiras, descobertas e momentos em família. Os pais afirmam que decidiram criar o filho priorizando o convívio familiar, longe do excesso de telas e baseado em princípios como respeito, empatia, amor e educação.

“Hoje tudo gira em torno dele. Queremos ensinar valores humanos e cristãos, mostrando a importância do respeito ao próximo e do amor”, destacaram.

O casal também revelou que, no início do processo, existia receio sobre possíveis episódios de preconceito por se tratar de uma adoção realizada por uma família homoafetiva. No entanto, a experiência foi diferente do que imaginavam.

“Nos surpreendemos positivamente. Recebemos acolhimento, carinho e respeito das pessoas durante toda a trajetória”, contaram.

Outro ponto importante para Magnus e Gustavo foi a preservação dos vínculos familiares da criança. O irmão biológico do menino também foi adotado por outra família de Rondonópolis, e os encontros entre eles seguem sendo incentivados pelos pais adotivos.

“As famílias criaram amizade e fazemos questão de manter esse contato. Queremos que eles cresçam conhecendo a própria história e fortalecendo essa conexão”, explicaram.

Para o juiz substituto da Vara da Infância e Juventude de Rondonópolis, Antonio Bertalia Neto, o principal aspecto em um processo de adoção é garantir um ambiente seguro, saudável e afetivo para a criança.

“A felicidade e a segurança de uma criança não dependem do formato familiar, mas da qualidade do vínculo de amor, respeito e proteção oferecido diariamente”, destacou o magistrado.

Segundo ele, a legislação brasileira não estabelece distinção entre casais homoafetivos e heteroafetivos nos processos de adoção. O foco da Justiça, conforme ressaltou, é assegurar o melhor interesse da criança.

Ao oficializarem a adoção justamente no Dia Nacional da Adoção, Magnus e Gustavo agora usam a própria história como incentivo para outras famílias que desejam adotar.

“Existem muitas crianças esperando apenas uma oportunidade de receber amor e ter um lar. Vale a pena confiar no processo. Nossa família é prova disso”, finalizaram.

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