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MATO GROSSO BATE RECORDE DE ABATES DE BOVINOS NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2026

Demanda aquecida da China impulsionou a pecuária mato-grossense, que também registrou exportações históricas de carne bovina.

Por Redação / Foto: Reprodução

Mato Grosso alcançou o maior volume de abates de bovinos já registrado para um primeiro semestre, consolidando a força da pecuária estadual no mercado nacional e internacional. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que, entre janeiro e junho de 2026, foram abatidas 3,65 milhões de cabeças de gado, resultado impulsionado principalmente pelo aumento da demanda externa, com destaque para a China.

O desempenho representa crescimento de 3,58% em relação ao mesmo período de 2025 e reflete o aquecimento das exportações de carne bovina, além da maior procura por animais terminados ao longo dos seis primeiros meses do ano.

Segundo a analista de bovinocultura de corte do Imea, Ana Eufrázio, o recorde foi sustentado principalmente pelo aumento do abate de machos.

Do total de animais abatidos, 1,81 milhão eram machos, volume 13,05% superior ao registrado no primeiro semestre do ano passado. Já o abate de fêmeas caiu 4,26%, totalizando 1,85 milhão de cabeças.

De acordo com a analista, essa redução demonstra uma mudança no ciclo pecuário. Após anos de elevado descarte de matrizes, muitos produtores passaram a reter fêmeas para recompor os rebanhos, favorecidos por um cenário mais atrativo para a reposição.

Além dos abates, Mato Grosso também registrou um semestre histórico nas exportações de carne bovina. Foram embarcadas 511,75 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), alta de 38,76% em relação ao mesmo período de 2025. A receita alcançou US$ 2,41 bilhões, crescimento de 63,82%.

O Imea destaca que a forte demanda da China, responsável por mais da metade das exportações de carne bovina do estado, foi determinante para os resultados recordes.

Outro fator que impulsionou os embarques foi a antecipação das exportações para o mercado chinês antes do esgotamento da cota de salvaguarda. Com a aplicação de uma sobretaxa de 55% para embarques acima do limite estabelecido, frigoríficos aceleraram as vendas no primeiro semestre para evitar custos adicionais.

Com a cota já preenchida, o mercado começa a apresentar sinais de desaceleração. Na última semana de junho, o indicador do boi gordo a prazo registrou queda de 2%, equivalente a R$ 6,62 por arroba, refletindo a redução da demanda por parte de frigoríficos exportadores.

Perspectivas para o segundo semestre

As projeções do Imea indicam que a menor participação da China nas compras poderá pressionar os preços da arroba durante o terceiro trimestre. No entanto, a oferta mais restrita de animais terminados tende a limitar quedas mais expressivas.

A expectativa é de que o mercado volte a ganhar ritmo a partir da segunda quinzena de outubro, quando frigoríficos deverão iniciar o planejamento para atender à nova cota de exportação destinada ao mercado chinês em 2027.

Segundo o instituto, a combinação entre demanda internacional aquecida e a corrida para aproveitar a cota de exportação explica os recordes registrados pela pecuária mato-grossense no primeiro semestre deste ano.

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