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PRODUTORES RURAIS REFORÇAM PAPEL NA PROTEÇÃO DAS FLORESTAS DURANTE O PERÍODO DE ESTIAGEM

No Dia de Proteção às Florestas, agricultores destacam ações de prevenção aos incêndios e ressaltam que preservar o meio ambiente é fundamental para garantir a produção de alimentos.

Por Luciana Bueno
Foto: Aprosoja-MT

O Brasil concentra uma das maiores riquezas ambientais do planeta e abriga extensas áreas de vegetação nativa que desempenham papel fundamental na conservação da biodiversidade, na regulação do clima e na proteção dos recursos hídricos. Com a chegada da estiagem, no entanto, essas áreas passam a enfrentar um dos períodos mais críticos do ano devido ao aumento do risco de incêndios florestais.

Em Mato Grosso, estado que reúne importantes áreas dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, a prevenção ao fogo faz parte da rotina de milhares de produtores rurais. Além de produzir alimentos, eles também atuam na preservação das áreas de vegetação existentes dentro das propriedades, adotando medidas para evitar que incêndios provoquem danos ambientais e econômicos.

Segundo o vice-coordenador da Comissão de Sustentabilidade da Aprosoja Mato Grosso, Nathan Belusso, cerca de 60% do território mato-grossense permanece coberto por vegetação nativa, sendo aproximadamente metade dessa área localizada em propriedades privadas.

“O produtor rural também exerce o papel de guardião dessas áreas. Nas regiões agrícolas existe monitoramento constante, manutenção de aceiros e rápida mobilização sempre que um foco de incêndio é identificado”, destaca.

Durante os meses de seca, caracterizados por baixa umidade do ar e temperaturas elevadas, qualquer foco de calor pode se transformar rapidamente em um incêndio de grandes proporções. Nessas situações, segundo Belusso, normalmente são os próprios produtores que iniciam o combate às chamas antes mesmo da chegada das equipes especializadas.

Além dos prejuízos ambientais, o fogo compromete diretamente a atividade agrícola. Incêndios podem destruir a cobertura vegetal que protege o solo, reduzir sua fertilidade, danificar cercas, máquinas, estruturas e comprometer a produtividade das próximas safras.

Outro fator de preocupação é a responsabilidade legal. Conforme explica Nathan Belusso, o proprietário rural responde pela proteção da vegetação existente dentro da fazenda e deve adotar todas as medidas possíveis para combater os incêndios e registrar oficialmente qualquer ocorrência, principalmente quando houver suspeita de ação criminosa.

A produtora rural e delegada coordenadora do núcleo da Aprosoja MT em Sorriso, Aline Beledelli, afirma que a preservação ambiental faz parte da gestão da propriedade e segue rigorosamente as determinações do Código Florestal Brasileiro.

Ela explica que áreas de preservação permanente e reservas legais são mantidas conforme estabelece a legislação e ressalta que existe uma forte rede de cooperação entre produtores durante a estiagem.

“Quando alguém identifica fumaça ou um foco de incêndio, todos são avisados imediatamente. Caminhões-pipa ficam abastecidos, equipamentos permanecem prontos e os vizinhos se unem para impedir que o fogo se espalhe”, relata.

No município de Diamantino, o delegado coordenador da Aprosoja MT, Flávio Kroling, destaca que o trabalho preventivo começa antes mesmo do período seco, com a construção e manutenção de aceiros ao redor das áreas de vegetação.

Segundo ele, atualmente os produtores investem em equipamentos, implementos agrícolas e treinamento das equipes para realizar o combate inicial aos incêndios, reduzindo os impactos ambientais e econômicos.

“Quem mais perde quando ocorre um incêndio é o próprio produtor. A floresta leva muitos anos para se recuperar e a lavoura também sofre grandes prejuízos. Por isso, preservar é uma prioridade para quem vive da terra”, afirma.

Os produtores ressaltam que produção agrícola e conservação ambiental caminham juntas. A manutenção das áreas de vegetação nativa contribui para o equilíbrio climático, protege os recursos hídricos, favorece a biodiversidade e cria condições essenciais para o desenvolvimento sustentável da atividade agropecuária.

No Dia de Proteção às Florestas, a mensagem do setor é clara: preservar vai muito além do cumprimento da legislação. A abertura de aceiros, o monitoramento permanente, a manutenção de equipamentos e a atuação conjunta entre produtores demonstram que a proteção das florestas faz parte do cotidiano de quem depende diretamente da terra para produzir alimentos e garantir a sustentabilidade das futuras gerações.

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