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PRODUTIVIDADE DA SOJA DEPENDE DE GENÉTICA, CLIMA, SOLO E MANEJO, APONTAM PESQUISADORES

Escolha da cultivar, qualidade do solo, disponibilidade de água e controle de pragas e doenças estão entre os fatores que determinam o potencial produtivo da lavoura

DA REDAÇÃO | FOTO: APROSOJA MT/MATEUS DIAS

A produtividade de uma lavoura de soja não depende de um único fator. O resultado é construído pela interação entre genética, clima, condições do solo, disponibilidade de água, sanidade das plantas e decisões de manejo adotadas ao longo do ciclo da cultura.

Embora parte dessas condições esteja fora do controle do produtor, como o comportamento do clima, outras podem ser planejadas e ajustadas, entre elas a escolha da cultivar, a correção e fertilidade do solo, a época de semeadura e as estratégias de controle de pragas e doenças.

Pesquisadores dos Centros Tecnológicos (CTECNOs) da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e do Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT) destacam que conhecer as características da propriedade e utilizar materiais genéticos adaptados ao ambiente são medidas importantes para reduzir limitações ao desenvolvimento das plantas.

CLIMA DEFINE CONDIÇÕES PARA A LAVOURA

Entre os fatores que mais interferem no desempenho da soja está o clima. Temperatura, disponibilidade de água e radiação solar influenciam diretamente o desenvolvimento da cultura e também ajudam a definir as melhores condições para a implantação da lavoura.

O coordenador de pesquisa do CTECNO Araguaia, André Somavilla, explica que o comportamento climático precisa ser considerado no planejamento da safra.

“O clima precisa ser ponderado, ter temperaturas e insolação adequadas, não pode ser muito chuvoso, nem pouco chuvoso. Por isso o clima é o que determina as épocas do ano de semeadura das culturas”, explica.

De acordo com o pesquisador, tanto o excesso quanto a falta de chuva podem prejudicar o desenvolvimento da soja. Temperaturas muito altas ou muito baixas e condições inadequadas de luminosidade também podem limitar o desempenho das plantas.

É nesse cenário que o melhoramento genético ganha importância. O desenvolvimento de novas cultivares permite selecionar características que favoreçam o desempenho da soja em diferentes ambientes.

Entre essas características estão maior potencial produtivo, resistência ou tolerância a determinadas pragas e doenças e eficiência nos componentes responsáveis pela formação da produtividade.

“O melhoramento genético é extremamente importante porque ele consegue selecionar e mesmo cruzar indivíduos que possuem características desejáveis”, destaca Somavilla.

ESCOLHA DA CULTIVAR DEVE CONSIDERAR A REGIÃO

A seleção de uma cultivar não deve considerar apenas o potencial produtivo observado em condições ideais. Segundo os pesquisadores, é necessário avaliar a adaptação do material às características da região e da propriedade.

O histórico de ocorrência de pragas e doenças, as condições do solo e o comportamento climático também devem fazer parte da decisão.

Uma cultivar de elevado potencial produtivo precisa estar inserida em um ambiente capaz de oferecer as condições necessárias para que suas características sejam expressas. Por isso, a genética atua em conjunto com os demais componentes do sistema produtivo.

QUALIDADE DO SOLO INFLUENCIA DESENVOLVIMENTO

Outro fator determinante está relacionado às condições do solo. A qualidade desse ambiente interfere no desenvolvimento das raízes, na disponibilidade de nutrientes e na capacidade de sustentação da planta ao longo do ciclo.

A pesquisadora do CTECNO Parecis, Daniela Facco, explica que os principais atributos relacionados à qualidade do solo podem ser divididos em três grupos: químicos, físicos e biológicos.

“Aqueles solos com má qualidade química, com baixa disponibilidade de nutrientes, acidez restritiva ao crescimento radicular, podem prejudicar a produtividade das culturas. Solos compactados também podem prejudicar o desenvolvimento radicular das culturas e reduzir o potencial produtivo. E a biologia também é um parâmetro essencial dos solos. Quando há uma baixa qualidade biológica desse solo, uma baixa atividade de microrganismos, baixo teor de matéria orgânica, isso tudo vai impactar negativamente a produtividade da soja”, afirma.

A análise das condições do solo, portanto, é uma ferramenta importante antes da implantação da lavoura. A identificação de limitações químicas, físicas e biológicas permite que o produtor planeje medidas de correção e manejo de acordo com as necessidades da área.

ÁGUA É ESSENCIAL PARA A CULTURA

A disponibilidade hídrica também exerce papel fundamental durante o ciclo da soja. A água participa de processos fisiológicos da planta e é necessária para a absorção de nutrientes.

Segundo Daniela Facco, não basta considerar apenas o volume total de chuva. A distribuição das precipitações ao longo do ciclo também influencia as condições disponíveis para o desenvolvimento da cultura.

“Todos os processos envolvendo as plantas envolvem água. A absorção de nutrientes pela solução do solo é dependente da presença dessa água no solo que é abastecida pela chuva. Então, a presença de água, boas precipitações, é essencial para manter esse solo com uma boa disponibilidade hídrica e consequentemente a planta vai conseguir se manter naquele ambiente, absorver nutrientes e fazer todos os seus processos fisiológicos”, analisa.

MANEJO INTEGRA OS DIFERENTES FATORES

É no manejo da lavoura que diferentes decisões precisam ser alinhadas. A escolha da cultivar, a época de semeadura, a correção e fertilidade do solo, a implantação da cultura e o acompanhamento durante o ciclo devem considerar as características específicas do ambiente de produção.

Uma limitação em qualquer uma dessas etapas pode comprometer o resultado final, mesmo quando os demais fatores estão adequados.

A proteção contra pragas e doenças também precisa fazer parte do planejamento. Para Somavilla, plantas que sofrem danos podem ter seu desenvolvimento comprometido e, consequentemente, apresentar redução no potencial produtivo.

“Uma planta que não está sadia, não está em seu pleno desenvolvimento, ela vai ter perda de produtividade, independente do grau de intensidade dessas avarias na cultura”, afirma.

O pesquisador ressalta que existem níveis de dano considerados toleráveis dentro das estratégias de manejo. Ainda assim, o monitoramento da lavoura é necessário para identificar a ocorrência de pragas e doenças e orientar as decisões de controle.

O acompanhamento permite avaliar cada situação e definir as medidas necessárias para preservar o desenvolvimento das plantas ao longo do ciclo.

PLANEJAMENTO COMEÇA ANTES DA SEMEADURA

Para os pesquisadores, a definição das estratégias para alcançar o potencial produtivo começa antes da entrada das máquinas na área. O histórico da propriedade, as características do solo, o comportamento das cultivares disponíveis, as condições climáticas e os principais desafios fitossanitários devem ser considerados no planejamento.

A escolha do material genético precisa levar em conta a adaptação ao ambiente e as características desejadas para a área. O calendário de implantação também deve considerar o comportamento climático e as particularidades de cada região produtora.

O objetivo é reduzir as limitações durante o ciclo e criar condições para que a planta consiga expressar seu potencial.

Dessa forma, a produtividade da soja é resultado da combinação entre genética, ambiente, qualidade do solo, disponibilidade de água, sanidade e manejo. Quanto mais esses componentes estiverem alinhados às características da propriedade, maiores são as condições para o desenvolvimento adequado da cultura e para a expressão do potencial produtivo da lavoura.

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