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OPERAÇÃO JANUS INVESTIGA FACÇÃO QUE USAVA CESTAS BÁSICAS PARA LAVAR DINHEIRO EM MT

Polícia Civil cumpre 14 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Goiânia contra grupo investigado por lavagem de dinheiro e organização criminosa

DA REDAÇÃO | FOTO: PCMT

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (23), a Operação Janus, para desarticular um núcleo de uma facção criminosa investigado por utilizar empresas do setor de alimentos e a distribuição de cestas básicas para movimentar e dar aparência de legalidade a recursos obtidos por meio de atividades criminosas.

Ao todo, são cumpridas 14 ordens judiciais, sendo 11 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de bens móveis e imóveis relacionados aos fatos investigados. Os alvos são investigados pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá, com base nas investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).

As medidas são cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, em Mato Grosso, além de Goiânia, em Goiás. A operação conta com apoio da Delegacia Regional de Rondonópolis, da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz) e da Polícia Civil de Goiás.

NÚCLEO CRIMINOSO

A investigação começou a partir da análise de materiais apreendidos em operações anteriores da GCCO/Draco. Durante o trabalho, os investigadores identificaram a participação de integrantes de uma facção criminosa, inclusive pessoas que, mesmo custodiadas, continuavam envolvidas na articulação de atividades ilícitas.

Segundo a Polícia Civil, empresas formalmente constituídas para atuar no comércio de alimentos e cestas básicas eram utilizadas pelo grupo para movimentar recursos e tentar conferir aparência de legalidade ao dinheiro obtido por meio das atividades criminosas.

A apuração também permitiu identificar a função desempenhada por diferentes integrantes na obtenção, movimentação, utilização e distribuição dos recursos.

CESTAS BÁSICAS COMO ESTRATÉGIA DE ASSISTENCIALISMO

Conforme as investigações, o grupo utilizava a distribuição de cestas básicas como uma forma de assistencialismo direcionada a integrantes e simpatizantes da facção.

Os recursos empregados na compra dos alimentos seriam provenientes, direta ou indiretamente, de atividades criminosas, especialmente tráfico de drogas e golpes virtuais. Posteriormente, os valores eram inseridos em operações comerciais simuladas com o objetivo de ocultar ou dissimular sua origem.

De acordo com a investigação, enquanto alguns integrantes eram responsáveis pela obtenção e movimentação do dinheiro, outros atuavam na aquisição dos alimentos e na logística de distribuição das cestas.

Um dos investigados é apontado como responsável pela logística de distribuição dos alimentos e pela utilização do assistencialismo como estratégia para fortalecer a presença territorial do grupo criminoso.

MOVIMENTAÇÃO MILIONÁRIA

A investigação também identificou empresas utilizadas para dar suporte à distribuição das cestas básicas.

Uma delas, localizada em Várzea Grande, movimentou R$ 13,2 milhões ao longo de quatro anos, segundo os elementos analisados no processo. A empresa, porém, não apresentaria estrutura física compatível com a atividade empresarial declarada.

A análise patrimonial também apontou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada por alguns dos investigados.

Em um dos casos, foram identificadas movimentações superiores a R$ 36 milhões em contas de uma investigada. Em outro, mais de R$ 4,7 milhões foram movimentados nas contas de um dos alvos.

BLOQUEIO E SEQUESTRO DE PATRIMÔNIO

A Operação Janus também busca identificar e constranger judicialmente bens relacionados ao grupo criminoso, com o objetivo de interromper o fluxo financeiro utilizado para manter as atividades ilícitas e a estrutura de assistencialismo atribuída à facção.

Entre as medidas determinadas está o sequestro de um veículo e de um imóvel localizado em Goiânia (GO). Segundo os elementos apresentados na investigação, os bens podem estar relacionados ao produto ou proveito das atividades criminosas.

As investigações continuam para reunir novos elementos, concluir o inquérito policial e apurar a responsabilidade dos envolvidos.

POR QUE OPERAÇÃO JANUS?

O nome da operação faz referência a Jano, deus da mitologia romana tradicionalmente representado com duas faces.

A escolha do nome remete à dupla finalidade atribuída ao núcleo investigado: de um lado, a aparência de assistencialismo proporcionada pela distribuição de cestas básicas; de outro, a utilização dessa estrutura para movimentar recursos de origem ilícita e tentar ampliar a influência territorial da facção.

O Povo MT segue acompanhando o caso.

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