Clínica de bronzeamento em Cuiabá é alvo de investigação após suspeita de gravação indevida de clientes nuas

Polícia Civil apreendeu equipamento de monitoramento instalado em vestiário feminino; caso é investigado sob sigilo pela Decon
Uma clínica de estética especializada em bronzeamento artificial, localizada na região do bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, passou a ser investigada pela Polícia Civil de Mato Grosso após denúncias de possível captação indevida de imagens de mulheres em situação de nudez dentro do estabelecimento.
A fiscalização foi realizada na manhã desta quinta-feira (14) por equipes da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor em conjunto com a Vigilância Sanitária Municipal de Cuiabá, após uma denúncia anônima informar que o vestiário feminino da clínica possuía uma câmera de segurança instalada em local que poderia registrar imagens das clientes durante a troca de roupas ou momentos de nudez.
Durante a inspeção no estabelecimento, policiais civis e fiscais localizaram o equipamento de monitoramento no ambiente citado na denúncia. Conforme os levantamentos preliminares, o espaço não possuía divisórias, barreiras visuais ou qualquer mecanismo que impedisse a eventual captação das imagens das mulheres enquanto utilizavam o vestiário.
Diante da situação, a Polícia Civil acionou a Perícia Oficial e Identificação Técnica para apreensão do aparelho DVR responsável pelo armazenamento das imagens e realização da perícia técnica no equipamento.
Além disso, a Decon instaurou procedimento investigativo para apurar quem possuía acesso ao sistema de monitoramento, há quanto tempo o equipamento estava instalado no local e se houve eventual armazenamento, compartilhamento ou divulgação indevida das imagens registradas.
De acordo com o delegado Rogério Ferreira, responsável pela investigação, o foco da apuração é esclarecer todas as circunstâncias envolvendo a possível violação da intimidade das clientes.
“As investigações buscam identificar quem tinha acesso direto ou remoto às imagens, além de verificar se houve armazenamento ou compartilhamento indevido do conteúdo eventualmente captado”, explicou o delegado.
Segundo a Polícia Civil, os fatos podem configurar, em tese, o crime previsto no artigo 216-B do Código Penal Brasileiro, que trata do registro não autorizado de conteúdo envolvendo cena de nudez ou ato íntimo de caráter privado. A legislação prevê pena de detenção de seis meses a um ano, além de multa.
O caso segue sob investigação e o procedimento tramita em sigilo.
Autor: Luciana Bueno / Foto: Reprodução



