Informação ajuda mulheres a reconhecer a violência e buscar proteção em Várzea Grande
Durante palestra realizada na Unidade de Saúde da Família do Jardim Eldorado, participantes receberam orientações sobre os tipos de violência, direitos e caminhos para buscar apoio e proteção

Da Redação
Foto: Assessoria
A violência contra a mulher nem sempre começa com uma agressão física. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem no controle excessivo, no ciúme, nas ameaças, nas humilhações, na tentativa de controlar roupas, amizades, dinheiro e até o celular.
A necessidade de reconhecer esses comportamentos e buscar ajuda foi reforçada durante uma palestra realizada na manhã desta segunda-feira (17), na Unidade de Saúde da Família do Jardim Eldorado, em Várzea Grande. A ação integra as atividades do Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
As mulheres atendidas pela unidade participaram de uma conversa sobre direitos, formas de violência e os mecanismos disponíveis para quem precisa de orientação ou proteção.
A atividade foi conduzida pelas advogadas Patrícia Campos e Adriana Ragnini, da Comissão de Combate à Violência contra a Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).
Durante o encontro, foram apresentados os diferentes tipos de violência previstos na legislação. Além da agressão física, também são consideradas formas de violência a prática psicológica, moral, sexual e patrimonial.
A orientação destacou que ameaças, perseguições, humilhações constantes, controle financeiro e isolamento da vítima de familiares e amigos podem integrar o ciclo de violência e não devem ser tratados como situações normais dentro de um relacionamento.
Números mostram dimensão da violência
Em Mato Grosso, 7.159 mulheres vítimas de violência doméstica foram acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar ao longo de 2025. O número representa aumento de 26,3% em relação a 2024, quando 5.670 mulheres receberam acompanhamento.
Em Várzea Grande, a Justiça registrou 1.421 novos processos relacionados a medidas protetivas de urgência durante 2025. A média corresponde a aproximadamente 118 pedidos por mês.
O número não representa o total de mulheres vítimas de violência, mas demonstra a procura pela proteção judicial diante de situações de violência doméstica e familiar.
O cenário também envolve casos que chegam ao extremo. Mato Grosso contabilizou 27 feminicídios no primeiro semestre de 2025, conforme dados da Coordenadoria de Enfrentamento à Violência contra a Mulher da Polícia Civil.
Lei garante mecanismos de proteção
A Lei Maria da Penha, instituída pela Lei nº 11.340/2006, estabelece mecanismos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher e prevê medidas de proteção para vítimas em situação de risco.
Durante a palestra, as participantes foram orientadas a não esperar uma agressão física para procurar ajuda. Sinais de medo, ameaça, perseguição, humilhação e controle também precisam ser considerados e podem indicar uma situação de violência.
Segundo a responsável técnica da unidade, Thalita Almeida, o acesso à informação pode ser determinante para que a vítima reconheça a situação e consiga romper o ciclo de violência.
“É importante que a mulher saiba reconhecer os sinais da violência e entenda que ela tem direitos e uma rede que pode acolhê-la. Muitas vezes, a informação é o primeiro passo para que ela consiga romper esse ciclo e buscar proteção”, destacou.
Onde buscar atendimento
Em Várzea Grande, o Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV) funciona no Fórum do município, de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h, oferecendo acolhimento e orientação. O atendimento também pode ser procurado pelo WhatsApp (65) 3688-8404.
A Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e Vulneráveis de Várzea Grande também passou a funcionar em regime de plantão 24 horas desde maio deste ano, ampliando o atendimento às vítimas de violência doméstica e familiar. O contato é (65) 98173-0670.
A mensagem reforçada durante a atividade é que a violência não deve ser naturalizada e que pedir ajuda pode ser o primeiro passo para interromper uma situação de risco.
Informação orienta, conhecimento fortalece e a busca por proteção pode salvar vidas.



