OPERAÇÃO CONTRA DESMATAMENTO ILEGAL APLICA R$ 86,8 MILHÕES EM MULTAS EM MATO GROSSO

Fiscalização percorreu mais de 10,3 mil hectares em Aripuanã e Colniza, apreendeu três armas de fogo e munições e identificou indícios de ocupação irregular em área embargada.
DA REDAÇÃO | FOTO: CBMMT
O Governo de Mato Grosso aplicou R$ 86,8 milhões em multas por infrações ambientais durante a Operação Abafa Amazônia II, encerrada neste sábado (17). Ao longo de 13 dias, as equipes fiscalizaram 10.397,08 hectares nos municípios de Aripuanã e Colniza, no noroeste do Estado, com atenção especial à região do Distrito de Guariba.
A operação teve como objetivo combater o desmatamento ilegal, a exploração florestal irregular, o uso indevido do fogo e as ocupações clandestinas. As ações também resultaram na apreensão de três armas de fogo e munições.
Coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), a força-tarefa reuniu órgãos estaduais e federais para intensificar a fiscalização em áreas consideradas prioritárias devido aos indícios de irregularidades ambientais.
Participaram da operação a Polícia Militar de Proteção Ambiental (PMPA), a Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), vinculada à Polícia Judiciária Civil (PJC-MT), a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), a Força Nacional de Segurança Pública e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT).
Monitoramento identificou áreas prioritárias
Segundo o comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), tenente-coronel BM Heitor Alves de Souza, a definição das regiões fiscalizadas levou em consideração levantamentos de geomonitoramento e informações sobre possíveis crimes e infrações ambientais.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram uma concentração elevada de focos de calor no noroeste mato-grossense, mesmo durante o período proibitivo do uso do fogo, iniciado em julho.
Diante desse cenário, os órgãos públicos intensificaram a atuação conjunta para identificar irregularidades, ampliar a presença das equipes e impedir a continuidade de práticas ilegais.
“A partir do monitoramento e da análise de informações, conseguimos direcionar as equipes para áreas prioritárias, ampliar a presença do poder público e identificar situações que exigem intervenção imediata. A atuação integrada foi fundamental para coibir práticas ilegais e proteger o patrimônio ambiental”, destacou o comandante.
Durante a operação, os agentes percorreram áreas desmatadas, regiões com recorrência de focos de calor e locais com sinais de ocupação irregular.
Armas e munições são apreendidas em áreas fiscalizadas
Em Colniza, município que registrou o maior número de focos de calor no Estado, as equipes identificaram sinais de ocupação em uma área que já estava embargada.
No local, os militares encontraram um barraco recém-construído. Dentro da estrutura havia um aparelho celular, um fogão e uma panela ainda quentes, indícios de utilização recente do espaço.
Durante a vistoria, os agentes localizaram, sob um colchão, uma arma de fogo do tipo garrucha, calibre .22, com dois canos. Também foi apreendido um recipiente contendo dez munições do mesmo calibre.
Já em Aripuanã, as equipes apreenderam duas espingardas, uma de calibre .32 e outra de calibre .20.
O apoio aéreo do Ciopaer reforçou as atividades de fiscalização, principalmente em locais de difícil acesso. A aeronave foi utilizada para transportar equipes, sobrevoar áreas com indícios de desmatamento e auxiliar na identificação de possíveis invasões e queimadas.
Ao avaliar os resultados, o tenente-coronel BM Heitor Alves de Souza ressaltou que a fiscalização permite não apenas identificar irregularidades, mas também intervir diretamente nas áreas afetadas.
“Para além de identificar as irregularidades, a fiscalização permitiu agir diretamente nas áreas afetadas, impedindo a continuidade de atividades ilegais e reforçando o cumprimento da legislação ambiental. Esse trabalho é essencial para reduzir os impactos ao meio ambiente e garantir a responsabilização dos infratores”, concluiu.
Período proibitivo do fogo segue até novembro
Em Mato Grosso, o período proibitivo do uso do fogo em atividades de limpeza e manejo de áreas rurais começou em 1º de julho e segue até 30 de novembro de 2026, abrangendo todo o território estadual. Nas áreas urbanas, a proibição permanece durante o ano inteiro.
O uso irregular do fogo pode provocar incêndios florestais de grandes proporções, além de colocar em risco a saúde pública, a segurança da população e o meio ambiente.
Denúncias podem ser feitas pelos telefones 193, do Corpo de Bombeiros Militar, e 190, da Polícia Militar.
O Povo MT segue acompanhando as ações de fiscalização ambiental em Mato Grosso e os resultados das operações voltadas ao combate ao desmatamento, às queimadas ilegais e à ocupação irregular de áreas protegidas.



