Agro

Famato alerta para risco de falta de sal mineral e aumento dos custos da pecuária em Mato Grosso

Escassez de insumos pode afetar o maior rebanho bovino do Brasil, elevar despesas nas propriedades rurais e impactar toda a cadeia produtiva do agro

Da Redação | Foto: Famato

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) emitiu um alerta sobre o risco de desabastecimento de fosfato bicálcico no mercado brasileiro, componente essencial para a fabricação de suplementos minerais utilizados na alimentação do rebanho bovino.

A preocupação é ainda maior em Mato Grosso, estado que concentra o maior rebanho bovino do país e cuja economia possui forte dependência da atividade pecuária. Segundo a entidade, a possível escassez do insumo poderá comprometer a produção de carne e leite, além de elevar significativamente os custos enfrentados pelos produtores rurais.

Levantamento realizado pela Famato junto a fabricantes de suplementos minerais, empresas de nutrição animal e pecuaristas aponta que o mercado já enfrenta dificuldades de abastecimento e reajustes nos preços dos produtos utilizados na suplementação do gado.

Entre os fatores que explicam o cenário estão a insuficiência da produção nacional para atender à demanda do agronegócio brasileiro, a dependência de importações, restrições internacionais de oferta, impactos de conflitos geopolíticos nas cadeias logísticas e a priorização do consumo interno por países exportadores de matérias-primas estratégicas.

Além do risco de falta do produto, a entidade destaca que os suplementos minerais e concentrados destinados à engorda dos animais já registram aumentos expressivos de preço, com expectativa de novos reajustes nos próximos meses.

Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o momento exige atenção e medidas rápidas para evitar prejuízos ao setor produtivo.

“O sal mineral é fundamental para garantir desempenho produtivo, reprodução, sanidade e ganho de peso dos animais. Quando esse insumo começa a faltar ou se torna mais caro, os reflexos chegam diretamente ao produtor e podem atingir toda a cadeia de abastecimento de alimentos”, afirmou.

Segundo a entidade, a deficiência mineral no rebanho pode provocar redução da fertilidade, queda da imunidade, menor produção de leite, perda de desempenho produtivo e aumento dos riscos sanitários nas propriedades.

O vice-presidente da Famato e coordenador da Comissão de Pecuária de Corte, Amarildo Merotti, ressalta que a situação se torna ainda mais delicada diante de outros desafios enfrentados pelos pecuaristas.

“Mato Grosso possui o maior rebanho bovino do Brasil. Qualquer instabilidade no fornecimento de sal mineral afeta milhares de produtores. Além disso, o setor enfrenta aumento dos custos de produção, dificuldades relacionadas ao abastecimento de vacinas e redução dos preços pagos pela indústria frigorífica”, destacou.

A Famato também chama atenção para os impactos que a escassez de insumos fosfatados pode gerar na agricultura. O fósforo é considerado um elemento estratégico para a produção agrícola, especialmente em Mato Grosso, líder nacional na produção de grãos, fibras e proteína animal.

Segundo a federação, eventuais problemas de abastecimento podem comprometer o planejamento das lavouras, elevar custos operacionais e reduzir a competitividade do agronegócio estadual.

Entre as medidas defendidas pela entidade estão a redução temporária ou até mesmo a isenção de tarifas de importação para fosfato bicálcico e enxofre, a diminuição da carga tributária sobre produtos destinados à nutrição animal, a simplificação dos processos alfandegários e a ampliação das relações comerciais com países fornecedores, como a Bolívia.

A federação também defende o avanço do Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050, iniciativa que busca reduzir a dependência externa do Brasil por meio da ampliação da produção nacional de insumos estratégicos para a agricultura e pecuária.

Para a Famato, fortalecer a produção interna de fertilizantes e minerais é uma medida essencial para garantir segurança alimentar, estabilidade econômica e maior competitividade ao agronegócio brasileiro.

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