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Mães em situação de vulnerabilidade recebem acolhimento e apoio da Defensoria Pública em Mato Grosso

Órgão oferece assistência jurídica e suporte humanizado para mulheres que enfrentam violência, abandono, dificuldades financeiras e desafios na criação dos filhos

A maternidade, por si só, já representa uma jornada de desafios e responsabilidades. Para muitas mulheres atendidas pela Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso, essa realidade se torna ainda mais difícil diante da vulnerabilidade social, da violência doméstica, da ausência de apoio familiar e das dificuldades financeiras.

Segundo a primeira subcorregedora-geral da Defensoria, Karol Bento, grande parte das mães atendidas pelo órgão é formada por mulheres jovens, de baixa renda e sem estrutura social ou educacional suficiente para enfrentar sozinhas a criação dos filhos.

De acordo com ela, muitas dependem de programas sociais, recebem pensões alimentícias irregulares ou sequer contam com o auxílio dos pais das crianças. Em diversos casos, as mulheres precisam sustentar a casa e cuidar dos filhos sem qualquer rede de apoio.

Karol destaca que, diante dessa realidade, o acolhimento oferecido pela instituição se torna tão importante quanto a assistência jurídica. Questões como pensão alimentícia, guarda dos filhos, documentação, reconhecimento de paternidade e acesso à saúde estão entre as principais demandas recebidas diariamente.

A defensora também compartilhou sua experiência pessoal com a maternidade. Mãe de dois filhos, que nasceram quando ela tinha 48 e 51 anos, respectivamente, Karol afirma que mesmo contando com estabilidade financeira e apoio familiar, reconhece os desafios intensos da rotina materna.

No Núcleo de Defesa da Mulher de Cuiabá, a defensora pública Rosana Leite acompanha diariamente mães vítimas de violência doméstica e situações extremas de vulnerabilidade. Segundo ela, muitas mulheres vivem o medo constante de denunciar agressores por receio de prejudicar os filhos emocional ou financeiramente.

Rosana relata ainda que, em casos envolvendo violência sexual contra crianças, as mães enfrentam sofrimento adicional ao lidar com o medo de que o processo judicial provoque novos traumas.

Além dos conflitos familiares, muitas mulheres atendidas pela Defensoria convivem com insegurança financeira, dificuldade de sustento e dependência econômica de relacionamentos abusivos. Mesmo assim, a defensora reforça a importância de valorizar o papel das mães e reconhecer o esforço diário dessas mulheres.

Entre as ações desenvolvidas pelo órgão está o projeto “Defensoria no Berçário”, realizado no Hospital Santa Helena, em Cuiabá. A iniciativa leva atendimento jurídico diretamente às mães ainda no pós-parto, oferecendo orientações e serviços relacionados à emissão de certidão de nascimento, reconhecimento de paternidade, pensão alimentícia, guarda de crianças e encaminhamentos para exames de DNA.

Para a Defensoria Pública, celebrar o Dia das Mães também significa dar visibilidade às dificuldades enfrentadas por milhares de mulheres e reforçar o compromisso com políticas de acolhimento, proteção e garantia de direitos.

“A maternidade em situação de vulnerabilidade exige mais do que assistência jurídica. É necessário acolher, orientar e criar condições para que essas mulheres tenham apoio para seguir em frente”, destacou Karol Bento.

Autor: Redação
Foto: DPEMT

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