UFMT ABRE AS PORTAS DA CIÊNCIA A ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO EM CUIABÁ

Atividade “Um Dia de Cientista” levou alunos da rede estadual a conhecer laboratórios, projetos de pesquisa e oportunidades de formação na universidade pública.
DA REDAÇÃO | FOTO: UFMT
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) recebeu, nesta segunda-feira (19), estudantes do terceiro ano do ensino médio da rede estadual para uma experiência de aproximação com a pesquisa científica e a vida universitária. A atividade “Um Dia de Cientista”, realizada durante a Semana do Conhecimento, proporcionou aos jovens uma visita ao Restaurante Universitário (RU) e uma mostra de laboratórios e projetos desenvolvidos pela instituição.
A iniciativa foi promovida pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq) e integrou, pela primeira vez, a programação do evento. A proposta foi apresentar aos estudantes diferentes áreas do conhecimento, demonstrar aplicações práticas da ciência e ampliar a compreensão sobre as possibilidades de ingresso e permanência na universidade pública.
Segundo o pró-reitor de Pesquisa, professor Bruno Araújo, a atividade busca fortalecer a relação entre a universidade e a sociedade, incentivando os jovens a conhecerem a produção científica realizada na instituição.
“Nosso objetivo é que os estudantes conheçam um pouco mais do que se faz na Universidade em termos de produção do conhecimento em todas as áreas. Queremos criar um vínculo ainda maior entre a sociedade e a universidade, para que esses estudantes possam se inspirar e, quem sabe, começar a construir uma trajetória, primeiro na graduação e depois na ciência e na tecnologia”, explicou.
VISITA AJUDA NA ESCOLHA PROFISSIONAL
A programação também fez parte do Giro das Profissões, iniciativa vinculada ao projeto Pré-Enem Digital, desenvolvido pela rede estadual de ensino. A ação permite que estudantes concluintes do ensino médio conheçam de perto os cursos de graduação e o cotidiano acadêmico, contribuindo para a escolha profissional.

De acordo com o professor Cristiano Pereira, ponto focal do projeto, a parceria com a UFMT oferece aos alunos uma oportunidade de conhecer melhor o ensino superior público.
“O Giro das Profissões busca apresentar os cursos das universidades para direcionar os estudantes na hora de escolherem uma carreira. Essa parceria com a UFMT é extremamente importante e traz para o estudante um olhar especial para a universidade pública”, destacou.
A professora Thaís Inaê Froeder Rosa, do Colégio Dom Pedro II, também ressaltou a importância de aproximar os jovens desse ambiente. Para ela, conhecer a instituição ajuda a desconstruir a ideia de que a universidade é um espaço distante da realidade dos estudantes.
“Muitos dos alunos nunca estiveram aqui e não têm noção do que é a universidade. É muito importante mostrar que esse é um espaço real, que pertence a eles também, enquanto sociedade, e que podem vislumbrar um futuro fazendo parte dessa comunidade, estudando e desenvolvendo pesquisas”, afirmou.
ESTUDANTES CONHECEM A ESTRUTURA DA UNIVERSIDADE
Entre os participantes, Maísa Sousa, estudante do Liceu Cuiabano, destacou a oportunidade de conhecer melhor a instituição. Ana Clara Martins, também aluna da escola, contou que até então conhecia a UFMT apenas pelas redes sociais.
“Nunca tinha vindo aqui. Achei a Universidade bem bonita, bem grande”, relatou Ana Clara, que pretende cursar Direito.
A visita também permitiu que os jovens conhecessem o Restaurante Universitário e sua importância para a permanência dos estudantes no ensino superior. Ana Clara relacionou o serviço à própria experiência com a alimentação escolar em período integral, ressaltando a relevância de iniciativas que contribuem para as condições de estudo.

ROBÓTICA, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E SAÚDE NA MOSTRA
Durante a exposição, os estudantes tiveram contato com pesquisas, tecnologias e experiências interativas conduzidas por pesquisadores da UFMT. Os projetos abordaram temas como robótica, inteligência artificial, jogos educativos, saúde, microbiologia, genética e engenharia.
Participaram da mostra o grupo Sistemas Embarcados, Tecnologia e Aplicações (SETA), o Media Lab, o Intersaúde na Escola, o Fermant Lab, o Laboratório de Metodologias Ativas e Tecnologias Educacionais (LAMTE), o Laboratório de Citogenética e Genética Animal (LABGEN) e o Geoinfra.
O grupo SETA apresentou circuitos eletrônicos e sistemas embarcados, incluindo um braço robótico controlado por Wi-Fi. A demonstração ajudou a explicar o funcionamento de circuitos e microcontroladores e suas aplicações em tecnologias mais complexas.
Já o Media Lab apresentou o jogo digital Casa dos Bichos, desenvolvido para apoiar a educação bilíngue de estudantes surdos, com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua e o português como segunda.
Na área da saúde, o projeto Intersaúde na Escola mostrou pesquisas relacionadas à vacinação, saúde mental, uso de smartphones e atuação da enfermagem no ambiente escolar. Os alunos conheceram instrumentos de coleta de dados, resultados científicos apresentados em histórias em quadrinhos e jogos voltados à compreensão de evidências na área.
O Fermant Lab demonstrou a participação de micro-organismos benéficos na produção de alimentos fermentados, como kombucha e kefir de água. A atividade incluiu observações ao microscópio, amostras de culturas microbianas e exemplos de produtos resultantes da fermentação.
O LAMTE apresentou o material Ciência Delas, voltado à divulgação das contribuições de pesquisadoras na área da computação, além de jogos interativos e um carrinho com inteligência artificial. O laboratório também explicou a estrutura de formação da Faculdade de Ciência e Tecnologia, que prevê uma primeira graduação de formação geral, com duração de três anos, seguida de uma segunda graduação voltada ao aprofundamento em áreas específicas.
No LABGEN, pesquisas com escorpiões e peixes demonstraram como análises genéticas podem identificar diferenças entre organismos visualmente semelhantes. Os exemplos destacaram a contribuição da genética para a compreensão de acidentes envolvendo animais peçonhentos e para a preservação da diversidade biológica em diferentes bacias hidrográficas.
O Geoinfra, por sua vez, desenvolveu atividades práticas de classificação de solos e interpretação de curvas de nível. Os estudantes compararam características de solos arenosos e argilosos e conheceram a importância dessas propriedades para obras de infraestrutura e para a engenharia de transportes.
CIÊNCIA COMO CAMINHO PARA O FUTURO
Ao reunir estudantes da educação básica, professores e pesquisadores, o “Um Dia de Cientista” proporcionou aos jovens uma visão mais próxima da produção científica e das oportunidades oferecidas pela universidade pública.
A experiência também evidenciou como a pesquisa está presente em diferentes aspectos da vida cotidiana, desde tecnologias digitais e desenvolvimento de jogos até saúde, alimentação, preservação ambiental e infraestrutura.
A iniciativa integra a programação da Semana do Conhecimento da UFMT e reforça a importância da aproximação entre a educação básica e o ensino superior, estimulando os estudantes a conhecerem diferentes possibilidades de formação acadêmica e construção profissional.
O Povo MT segue acompanhando as iniciativas de educação, ciência e inovação que contribuem para ampliar oportunidades aos estudantes de Mato Grosso.



