Cidades

CAMPANHA “SEJA A VOZ QUE ACOLHE” BUSCA ENVOLVER SOCIEDADE NO COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EM MT

Iniciativa da Defensoria Pública pretende orientar familiares, vizinhos e colegas a reconhecer sinais de violência e oferecer acolhimento às vítimas

DA REDAÇÃO

Foto: Reprodução

A Defensoria Pública de Mato Grosso (DPEMT), por meio do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem), iniciou nesta segunda-feira (10) a campanha “Seja a Voz que Acolhe”, voltada à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher no estado.

A iniciativa pretende ampliar a participação da sociedade na identificação de situações de violência doméstica e familiar, principalmente entre pessoas que convivem diretamente com possíveis vítimas. A proposta é orientar familiares, vizinhos, amigos e colegas de trabalho sobre como reconhecer sinais de alerta e oferecer apoio sem retirar da mulher sua autonomia.

Como parte da campanha, a população poderá consultar o “Painel da Violência”, plataforma que reúne informações sobre os atendimentos realizados pela Defensoria Pública às mulheres em Mato Grosso. Também estará disponível o “Painel de Defesa das Mulheres”, com informações sobre os serviços oferecidos pelo Nudem.

A campanha será divulgada ainda em diferentes meios de comunicação, incluindo televisão, rádio, jornais e materiais impressos.

CAMPANHA NASCEU A PARTIR DE PESQUISA

Segundo a defensora pública e coordenadora do Nudem, Rosana Leite, a ideia começou a ser estruturada em 2023, após uma pesquisa realizada pela Defensoria em parceria com instituições que integram a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.

O levantamento ouviu familiares e pessoas próximas de mulheres que foram vítimas de feminicídio naquele ano. Conforme os dados apresentados pela defensora, mais de 70% dos entrevistados afirmaram que desconfiavam ou tinham conhecimento de que as vítimas estavam inseridas em relacionamentos considerados tóxicos.

A partir desse resultado, o Nudem identificou a necessidade de trabalhar também com quem está ao redor das mulheres, buscando transformar essas pessoas em integrantes ativos da rede de proteção.

ACOLHER SEM RETIRAR O PROTAGONISMO DA VÍTIMA

A campanha reforça que apoiar uma mulher em situação de violência não significa tomar decisões por ela. A orientação é ouvir, acreditar no relato, evitar julgamentos e não responsabilizar a vítima pela agressão sofrida.

A proposta também chama atenção para a necessidade de reconhecer que a violência doméstica pode estar presente mesmo quando não existem marcas físicas aparentes.

Para Rosana Leite, a sociedade precisa compreender que o enfrentamento da violência contra a mulher é uma responsabilidade do Poder Público, mas que as pessoas próximas também desempenham papel importante ao oferecer suporte e orientar sobre os caminhos disponíveis para buscar proteção.

LEI MARIA DA PENHA COMPLETA 20 ANOS

A mobilização ocorre em agosto, mês em que a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completa duas décadas de existência.

A legislação é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) uma das três melhores leis do mundo voltadas à proteção dos direitos das mulheres. Apesar dos avanços proporcionados pela norma, os índices de violência ainda representam um desafio para os órgãos públicos e para toda a sociedade.

Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontaram que Mato Grosso registrou, em 2025, a terceira maior taxa de feminicídios do país, com 2,7 casos para cada 100 mil habitantes.

O índice ficou abaixo do registrado em 2024, quando Mato Grosso apresentou taxa de 2,5 feminicídios por 100 mil habitantes e ocupou a primeira posição nacional.

Apesar da redução, a defensora pública avalia que os números ainda exigem atenção e ações permanentes de prevenção e proteção.

A campanha “Seja a Voz que Acolhe” busca justamente ampliar essa rede, mostrando que familiares, amigos, vizinhos e colegas podem contribuir para que mulheres em situação de violência não permaneçam isoladas e tenham acesso à informação, acolhimento e aos mecanismos de proteção disponíveis.

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