
Relatório mostra cenário de câmbio, inflação e atividade econômica, além de mudanças nos mercados de grãos, carnes, etanol e fretes em Mato Grosso
POR LUCIANA BUENO | FOTO: REPRODUÇÃO
O mercado do agronegócio segue marcado por diferentes movimentos de preços, oferta, demanda e condições internacionais. Dados divulgados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, na última semana, o dólar apresentou leve recuo, enquanto os mercados de soja, milho, algodão e proteínas animais registraram comportamentos distintos.
No câmbio, a média do dólar Ptax ficou em R$ 5,15 por dólar, uma queda de 0,13% em relação à semana anterior. Conforme o Imea, o movimento foi influenciado principalmente pela redução dos preços do petróleo, diante de sinalizações favoráveis relacionadas à oferta global da commodity.
A queda do petróleo tende a reduzir pressões inflacionárias, mas o mercado financeiro também permaneceu atento aos desdobramentos dos cenários fiscal e político domésticos, fatores que contribuíram para as oscilações da moeda norte-americana.
INFLAÇÃO E ATIVIDADE ECONÔMICA
O relatório também destaca a divulgação do IPCA-15 de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A prévia da inflação registrou alta de 0,70% no mês e acumulou avanço de 4,47% em 12 meses.
Segundo os dados apresentados, todos os grupos pesquisados registraram alta em setembro. O maior destaque ficou com Habitação, que avançou 2,07%.
O resultado ocorreu após o fim da incorporação do bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica, movimento que havia contribuído para reduzir a pressão sobre o indicador no mês anterior.
Outro dado destacado pelo Imea foi o Índice de Gerentes de Compras (PMI), que alcançou 58,4 pontos em setembro, maior nível em mais de cinco anos.
O PMI de serviços avançou de 56,5 pontos em agosto para 58,7 pontos em setembro. Já o PMI industrial passou de 53,9 para 57 pontos no mesmo período.
Como índices acima de 50 pontos indicam expansão da atividade, os números apontam crescimento tanto no setor de serviços quanto na indústria. Por outro lado, empresas relataram dificuldades crescentes para encontrar mão de obra qualificada.
SOJA
No mercado da soja, a colheita nos Estados Unidos alcançou 17% da área até 27 de setembro. O percentual está próximo do registrado na safra passada, embora ligeiramente abaixo dos 18% observados no mesmo período de 2025.
O ritmo dos trabalhos foi afetado pelas chuvas nas principais regiões produtoras. Segundo o Imea, as condições climáticas podem continuar interferindo no avanço da colheita.
Ao mesmo tempo, cerca de 75% das áreas norte-americanas já estavam em fase de queda das folhas, indicando avanço da maturação das plantas e aumento da área apta para a colheita.
Com a evolução dos trabalhos, os rendimentos obtidos pelos produtores deverão contribuir para uma avaliação mais precisa sobre o tamanho da produção e da oferta global da oleaginosa.
MILHO
No milho, os embarques brasileiros da safra 2025/26 somaram 6,59 milhões de toneladas entre julho e agosto de 2026, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O volume representa queda de 28,93% em comparação com a safra anterior.
No mesmo período, o prêmio médio do milho em Santos recuou 9,66%, indicando menor sustentação da demanda externa. Paralelamente, o aumento da procura doméstica ampliou a disputa pelo cereal disponível.
No mercado internacional, a concorrência também aumentou diante de projeções de maiores exportações por parte dos Estados Unidos, Argentina e Ucrânia.
Nesse cenário, o desempenho das exportações brasileiras passa a depender de fatores como preços, comportamento do câmbio e competitividade dos portos utilizados para o escoamento da produção.
ALGODÃO
O mercado norte-americano de algodão apresentou aceleração nos embarques durante a safra 2026/27.
Os Estados Unidos embarcaram 265,09 mil toneladas, volume 32,19% superior ao registrado na safra 2025/26.
Somente na semana encerrada em 17 de setembro, foram embarcadas 35,86 mil toneladas, aumento de 20,04% em relação ao mesmo período da temporada anterior.
Os compromissos de exportação chegaram a 1,03 milhão de toneladas, alta de 16,65%, representando 40,99% da projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Para alcançar a estimativa, os norte-americanos precisam comercializar aproximadamente 32,97 mil toneladas por semana, acima da média recente de 27,26 mil toneladas.
De acordo com o Imea, preços menores e a recuperação da demanda asiática podem contribuir para a manutenção do ritmo de embarques.
PECUÁRIA
No mercado pecuário, o bezerro de ano acumulou valorização de 1,94% até a quarta semana de setembro, na comparação com agosto, chegando a R$ 15,95 por quilo.
O cenário é influenciado pela menor disponibilidade de animais para reposição, o que tem estimulado a retenção de fêmeas e contribuído para sustentar os preços.
Por outro lado, os custos dos principais insumos utilizados na atividade avançaram de forma mais intensa. O milho subiu 9,82%, enquanto o farelo de soja teve alta de 13,17% no período.
Com isso, as relações de troca entre o bezerro e os insumos pioraram para o pecuarista.
A relação bezerro/milho recuou 7,17%, para 69,27 sacas por cabeça. Já a relação bezerro/farelo caiu 9,92%, para 1,72 tonelada por cabeça.
Na prática, apesar da valorização do bezerro, o aumento dos custos dos insumos reduziu o poder de compra do produtor.
CARNE SUÍNA
As exportações brasileiras de carne suína in natura alcançaram 78,65 mil toneladas até a terceira semana de agosto, considerando 15 dias úteis, segundo a Secex.
A média diária de embarques chegou a 5,24 mil toneladas, alta de 2,42% em relação a agosto de 2025.
O faturamento no período foi de US$ 184,19 milhões. Já o preço médio pago por tonelada ficou em US$ 2.341,90, queda de 9,23% na comparação anual.
Considerando os 21 dias úteis do mês, a estimativa é de que as exportações alcancem 110,11 mil toneladas, avanço de 2,42% ante agosto do ano anterior.
CARNE DE FRANGO
As exportações brasileiras de carne de frango e miudezas também apresentaram crescimento.
Até a terceira semana de agosto, foram embarcadas 337,90 mil toneladas em 15 dias úteis. A média diária chegou a 22,53 mil toneladas, aumento de 26,63% em comparação com agosto de 2025.
O faturamento acumulado no período foi de US$ 673,77 milhões.
Mantido o ritmo observado, a estimativa é de que o país exporte 473,06 mil toneladas de carne de frango ao longo do mês, também representando alta de 26,63% na comparação anual.
ETANOL
No setor de agroindústria, o preço médio do etanol nas bombas de Mato Grosso subiu 0,74% na última semana, encerrando o período em R$ 4,11 por litro.
Com o avanço, o preço médio no Estado ficou ligeiramente acima da média nacional, de R$ 4,10 por litro.
O movimento ocorre depois de meses em que o etanol mato-grossense permaneceu abaixo da média brasileira.
A relação de preços entre etanol e gasolina aumentou 2,81 pontos percentuais na semana, chegando a 60%. Mesmo com a elevação, o indicador manteve o etanol dentro de uma faixa considerada mais vantajosa ao consumidor em relação à gasolina.
FRETES DE GRÃOS
Na logística, os fretes rodoviários de grãos permaneceram próximos dos níveis registrados anteriormente, com pequenas oscilações entre as principais rotas de Mato Grosso.
Segundo o Imea, a estabilidade esteve relacionada ao equilíbrio entre a disponibilidade de caminhões e a demanda por transporte.
Na rota entre Rondonópolis e Paranaguá, no Paraná, o frete médio ficou em R$ 365,95 por tonelada, retração de 0,16%.
Já no trecho entre Querência e Uberlândia, em Minas Gerais, o valor médio foi de R$ 271,28 por tonelada, queda de 0,45%.
Os dados mostram que, apesar das oscilações observadas em diferentes segmentos do agronegócio, o mercado logístico permaneceu relativamente estável na última semana.
Para Mato Grosso, um dos principais produtores e exportadores agrícolas do país, o comportamento do câmbio, dos preços internacionais, da demanda externa e dos custos de transporte continua sendo determinante para a formação das margens dos produtores e para a competitividade da produção estadual.
O Povo MT acompanha os principais indicadores econômicos e as movimentações do agronegócio de Mato Grosso.



