PREFEITURA DE CUIABÁ CRIA GRUPOS REFLEXIVOS PARA HOMENS AUTORES DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Iniciativa inédita no município reúne homens encaminhados pela Justiça e busca reduzir a reincidência por meio da reflexão, conscientização e mudança de comportamento
DA REDAÇÃO | FOTO: REPRODUÇÃO
A Prefeitura de Cuiabá iniciou uma nova estratégia de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher com a criação dos Grupos Reflexivos para Homens Autores de Violência (GRHAV). A iniciativa, inédita no município, busca atuar diretamente com os homens encaminhados pela Justiça, promovendo reflexão sobre comportamentos violentos e estimulando mudanças capazes de reduzir a reincidência.
A primeira turma reúne nove homens encaminhados pelas Varas de Violência Doméstica e Familiar. Os encontros começaram recentemente e serão realizados até novembro, totalizando 12 reuniões, uma vez por semana, sempre às terças-feiras, no Fórum de Cuiabá.
Uma segunda turma está prevista para começar ainda em setembro, com encontros semanais às quartas-feiras.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal da Mulher e desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a Fundação Uniselva, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e o Fórum de Cuiabá.
As reuniões são sigilosas e conduzidas por psicólogas e outros profissionais capacitados para atuar como facilitadores. A equipe recebeu formação teórica e metodológica conduzida pelo professor e pesquisador da UFMT, doutor Alessandro Vinicius de Paula.
ESTRATÉGIA TAMBÉM VOLTADA AOS HOMENS
Para a secretária municipal da Mulher, tenente-coronel Hadassah Suzannah, o enfrentamento à violência doméstica precisa envolver também os autores, como forma de ampliar as ações de prevenção.
“Trabalhar também com os homens autores de violência é mais uma estratégia de atuação e representa um avanço para Cuiabá. O objetivo é reduzir a reincidência da violência doméstica por meio da reflexão sobre comportamentos violentos. A expectativa é que esses autores de violência se tornem mais conscientes sobre o impacto de suas atitudes”, afirmou.
Segundo a secretária, a proposta busca complementar as demais ações da rede de proteção e enfrentamento à violência contra a mulher, atuando também na origem de comportamentos que podem resultar em novas agressões.
AUTORRESPONSABILIDADE É UM DOS PRINCIPAIS EIXOS
A psicóloga da Secretaria Municipal da Mulher, Leandra Santos, explica que o trabalho com os homens complementa o atendimento já oferecido às mulheres por diferentes áreas da rede pública.
“Trabalhamos com a mulher em várias frentes, na assistência social, na saúde, no atendimento psicológico, entre outros. Entretanto, é necessário trabalhar de forma mais ativa com os homens autores de violência”, destacou.
De acordo com a psicóloga, um dos principais objetivos dos encontros é estimular a autorresponsabilidade. Os participantes são convidados a analisar criticamente as próprias atitudes, reconhecer a responsabilidade pelos atos praticados e identificar padrões de comportamento relacionados à violência.
“É uma forma de diminuir a reincidência e fazer com que saiam do grupo mais conscientes sobre autorresponsabilidade e sobre o que é ser homem sem recorrer à violência”, afirmou Leandra.
A proposta, portanto, não se limita à discussão sobre os episódios que levaram os participantes à Justiça. O trabalho busca promover uma reflexão mais ampla sobre relações, comportamentos e formas de lidar com conflitos sem recorrer à violência.
PROGRAMA RECEBEU R$ 420 MIL
A implementação dos Grupos Reflexivos para Homens Autores de Violência avançou em junho, quando a equipe responsável passou pela capacitação teórica e metodológica necessária para iniciar as atividades.
O programa foi viabilizado por meio de uma emenda parlamentar de R$ 420 mil, destinada pelo então vereador Fellipe Corrêa. Os recursos garantem a execução do projeto durante um ano.
A iniciativa representa uma ampliação das estratégias de enfrentamento à violência doméstica em Cuiabá, ao incorporar ações direcionadas não apenas à proteção e ao atendimento das mulheres, mas também à responsabilização e à transformação de comportamentos dos homens autores de violência.



