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SEMEADURA DA SOJA 2026/27 AVANÇA EM MATO GROSSO E CHEGA A 1,15% DA ÁREA

Plantio começou pelas regiões com melhores condições de umidade; Imea prevê aceleração dos trabalhos com aumento das chuvas na próxima semana

DA REDAÇÃO | FOTO: REPRODUÇÃO

A semeadura da soja da safra 2026/27 já começou em Mato Grosso e alcançou 1,15% da área prevista até esta sexta-feira (18), conforme dados do Informe de Semeadura divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O resultado representa avanço de 0,60 ponto percentual em relação ao mesmo período da temporada anterior.

O início dos trabalhos ocorre de maneira desigual entre as regiões do estado, acompanhando a disponibilidade de umidade no solo. Onde as condições são consideradas favoráveis, produtores já colocaram as máquinas em campo para dar início ao plantio.

OESTE E MÉDIO-NORTE CONCENTRAM AVANÇO

Entre as regiões produtoras, o oeste de Mato Grosso apresenta o maior percentual de área semeada, com 2,19%, principalmente nos municípios de Sapezal e Campo Novo do Parecis.

Na sequência aparece o médio-norte, com 2,16% da área plantada, enquanto o norte do estado registra 1,44%, com os trabalhos concentrados principalmente em municípios localizados nas proximidades da BR-163.

No sudeste mato-grossense, o plantio atingiu 0,26% da área estimada, sobretudo em áreas irrigadas e propriedades de produtores que também trabalham com o cultivo do algodão.

Já no Vale do Guaporé, a semeadura ainda não havia começado quando o levantamento foi realizado.

A expectativa do Imea é que o ritmo do plantio aumente a partir do fim da próxima semana, diante da previsão de maiores volumes de chuva em diferentes regiões de Mato Grosso.

PRODUTORES ADOTAM ESTRATÉGIAS CONTRA A IRREGULARIDADE DAS CHUVAS

O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, explica que os produtores têm utilizado diferentes estratégias para administrar os riscos relacionados ao clima. Entre elas estão o aproveitamento da janela de plantio e a distribuição das operações por um período maior.

A estratégia ganha importância diante da irregularidade das chuvas observada no estado, que pode provocar diferenças significativas de precipitação até mesmo entre propriedades próximas.

“Os produtores têm trabalhado principalmente com a janela. Temos visto produtores adotando estratégia, não só aqueles que têm uma problemática com o parque de máquinas, mas também porque temos visto muito a famosa ‘chuva de manga’, em que uma faixa recebe um volume de chuva muito maior e, às vezes, cinco ou dez quilômetros à frente não cai uma gota”, explicou Gauer.

Além do manejo do calendário, ferramentas como o seguro rural e a diversificação das culturas de segunda safra começam a ganhar espaço na gestão de risco. Entre as alternativas estão o gergelim e o sorgo, que podem apresentar menor demanda hídrica em determinadas condições.

Segundo o superintendente, a combinação dessas estratégias pode contribuir para reduzir a exposição dos produtores a possíveis mudanças no comportamento das chuvas.

EL NIÑO AUMENTA ATENÇÃO SOBRE CALENDÁRIO DO MILHO

Além das condições de umidade no início do plantio, o cenário climático previsto para os próximos meses também está no radar dos produtores.

Segundo Cleiton Gauer, um eventual El Niño de maior intensidade pode provocar impactos principalmente sobre o calendário do milho segunda safra. A preocupação está relacionada à possibilidade de atrasos na semeadura da soja, o que reduziria a janela disponível para o cultivo do cereal.

“Quando nós falamos em início de plantio, a palavra destaque seria cautela. É preciso ter uma condição ideal, com uma previsibilidade de que haverá mais chuvas nos próximos dias após a semeadura”, afirmou.

O histórico de anos marcados por El Niño mais intenso indica que o fenômeno pode afetar a produtividade do milho segunda safra em Mato Grosso. Entre os fatores apontados estão tanto eventuais atrasos no plantio da soja quanto a antecipação do encerramento do período chuvoso.

Outro ponto destacado por Gauer é o crescimento da área destinada ao milho no estado. Com uma área cultivada significativamente maior do que há uma década, eventuais perdas de janela de plantio podem representar um volume expressivo de produção exposto ao risco climático.

“Dez anos atrás eram cerca de 4 milhões de hectares e hoje já são 7,5 milhões. Qualquer percentual de área que fique fora da janela representa um volume significativo de produção em risco”, avaliou.

O Povo MT segue acompanhando o avanço da safra de soja e os principais indicadores do agronegócio em Mato Grosso.

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