
Encontro reuniu produtores e trabalhadores rurais em palestras sobre ansiedade, depressão, autocuidado e os sinais de alerta do corpo e da mente
DA REDAÇÃO | FOTO: REPRODUÇÃO
A saúde mental de produtores e trabalhadores rurais foi tema de uma ação realizada no dia 25 de setembro pelo Sindicato Rural de Dom Aquino, em parceria com o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato), por meio do Programa Saúde no Campo, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT). A programação ocorreu na sede do sindicato e promoveu momentos de informação, orientação e escuta sobre os cuidados com a saúde física e emocional.
A iniciativa integrou as ações relacionadas ao Setembro Amarelo e buscou chamar a atenção para a importância de reconhecer sinais de ansiedade, depressão, estresse, sobrecarga e outros problemas que podem afetar a qualidade de vida de quem vive e trabalha no campo.
Durante o encontro, os participantes acompanharam palestras da neurologista Emilly Cruz e da psicóloga Suelen Cristina Mohr, que abordaram diferentes aspectos da relação entre corpo, mente e emoções.
Com o tema “Quando o corpo fala: reconhecendo os sinais de que algo não está bem”, Emilly Cruz explicou como alterações na saúde física podem estar relacionadas ao estado emocional. Entre os sinais abordados estavam estresse, ansiedade, cansaço excessivo, mudanças no sono e no apetite e dores que podem indicar a necessidade de atenção e acompanhamento profissional.
Na sequência, a psicóloga Suelen Cristina Mohr conduziu a palestra “Quando a mente pede ajuda: reconhecer, falar e buscar apoio”. A profissional tratou de temas como ansiedade, depressão, sobrecarga e isolamento, além de reforçar a importância de falar sobre os próprios sentimentos e construir uma rede de apoio.
SAÚDE MENTAL NO CAMPO
Para o presidente do Sindicato Rural de Dom Aquino, Wildon Cardoso, levar o debate sobre saúde mental ao meio rural é uma maneira de ampliar o cuidado com produtores, trabalhadores e suas famílias.
Segundo ele, a rotina no campo envolve uma série de responsabilidades que podem contribuir para o aumento da ansiedade e para o surgimento de problemas emocionais.
“O Setembro Amarelo é uma oportunidade para falar sobre um assunto que muitas vezes acaba ficando de lado, principalmente quando se trata da saúde mental do produtor, do trabalhador e da trabalhadora rural. Vivemos em um mundo muito dinâmico, cheio de responsabilidades e desafios no dia a dia, como as preocupações com contas, vendas e produção. Além disso, temos as responsabilidades com a família e com as pessoas que estão ao nosso redor, e tudo isso pode aumentar a ansiedade e até levar à depressão. Muitas vezes, acabamos esquecendo de olhar para nós mesmos”, afirmou.
AÇÃO CHEGOU ÀS PROPRIEDADES RURAIS
O trabalho de conscientização sobre saúde mental não ficou restrito à programação realizada na sede do Sindicato Rural. Ao longo de setembro, profissionais do Programa Saúde no Campo também levaram o tema diretamente às propriedades rurais atendidas em Dom Aquino.
Durante as visitas, a técnica de saúde do programa, Doralice dos Anjos, desenvolveu uma atividade individual utilizando uma pequena caixa contendo sementes de girassol e um espelho.
Na parte externa da caixa, a frase “Quem cuida de todos também precisa ser cuidado” convidava os produtores a abrir o objeto e olhar para si mesmos. A dinâmica foi utilizada como ponto de partida para abordar questões relacionadas ao autocuidado, sentimentos e rotina.
A proposta também criou oportunidades para conversas individuais, permitindo que os produtores falassem sobre dificuldades, preocupações e emoções enfrentadas no dia a dia.
“Eu usei o girassol como um símbolo e foi muito interessante porque eles tiveram uma boa aceitação. Escolhi conversar individualmente com cada um e percebi a importância da escuta. Falar sobre sentimentos é muito difícil, mas eles foram se abrindo”, relatou Doralice.
Ao todo, a técnica esteve em cerca de 30 propriedades e alcançou mais de 80 pessoas. Durante os atendimentos, os produtores também receberam orientações sobre a importância de buscar ajuda profissional sempre que necessário e conheceram serviços disponibilizados pelo programa, incluindo atendimento psicológico por meio do Tele Saúde.
ROTINA INTENSA PODE DIFICULTAR O AUTOCUIDADO
De acordo com Doralice, a rotina de produtores e trabalhadores rurais pode ser marcada por longas jornadas e pouco espaço para descanso, diálogo e cuidado pessoal.
Em alguns casos, o trabalho começa ainda durante a madrugada e se estende até a noite, com atividades que seguem praticamente todos os dias da semana.
“Eles trabalham muito, cuidam da produção, da família e dos funcionários. Às vezes, estão todos juntos, mas não conseguem conversar sobre o que estão sentindo. Por isso, a escuta é tão importante. Não é vergonha pedir ajuda”, destacou.
A profissional reforçou que criar espaços de diálogo pode ajudar a identificar situações que muitas vezes permanecem escondidas pela própria rotina ou pela dificuldade de falar sobre sentimentos.
PARCERIA AMPLIOU ATENDIMENTO AOS PRODUTORES
Para o supervisor do Programa Saúde no Campo, Paulo Gonçalves, a ação realizada em Dom Aquino demonstra a importância de aproximar as iniciativas de saúde da realidade vivenciada nas propriedades rurais.
Segundo ele, a mobilização reuniu o programa, o Sindicato Rural e o Senar-MT para proporcionar aos produtores e suas famílias acesso a informações e profissionais de diferentes áreas.
“A ação em Dom Aquino foi resultado da parceria entre o programa, por meio da técnica Doralice, Sindicato Rural e o Senar MT, que juntos mobilizaram profissionais da psicologia e da neurologia para abordar a saúde mental. Momentos como esse são importantes porque proporcionam informação, acolhimento e espaço para conversar sobre temas que muitas vezes ainda são tratados em silêncio, como depressão e ansiedade. Foi muito importante unir forças para proporcionar esse momento aos produtores e suas famílias”, afirmou.
A ação reforça a importância de ampliar o debate sobre saúde mental no meio rural e de facilitar o acesso à informação, à escuta e aos serviços de atendimento. A proposta também evidencia que o cuidado com quem trabalha no campo vai além da saúde física e passa pela atenção aos sentimentos, à rotina e aos sinais que podem indicar a necessidade de buscar ajuda.
O Povo MT segue acompanhando ações voltadas à saúde, ao bem-estar e à qualidade de vida da população de Mato Grosso.


