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ESPORTE NA COMUNIDADE AMPLIA PARTICIPAÇÃO E JÁ TEM LISTA DE ESPERA ENTRE ADOLESCENTES EM CUIABÁ

Projeto gratuito no bairro Santa Isabel oferece aulas de voleibol e tênis de mesa e registra avanços na socialização, confiança e comportamento dos estudantes

DA REDAÇÃO | FOTO: BS COMUNICAÇÃO

Cinco meses após o início das atividades, o Projeto Esporte na Comunidade já apresenta resultados que vão além da prática esportiva entre adolescentes da Escola Estadual Marcelina de Campos, no bairro Santa Isabel, em Cuiabá. A iniciativa oferece gratuitamente aulas de voleibol e tênis de mesa e registra alta procura, com lista de espera para novos participantes.

As atividades começaram em abril de 2026 e, desde então, a adesão tem superado as expectativas da equipe. Atualmente, o projeto reúne cerca de 30 meninas e 27 meninos no voleibol, além de 22 inscritos no tênis de mesa.

A proposta, porém, não está concentrada apenas no aprendizado das modalidades. O projeto também busca estimular a convivência, a confiança, a disciplina, a responsabilidade e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

Segundo a profissional de Educação Física Débora Ribeiro, que atua no projeto, a procura demonstra o interesse dos adolescentes pelas atividades e reforça a importância de ampliar o acesso gratuito ao esporte.

“O principal objetivo do projeto não é o alto rendimento. É ampliar as oportunidades de contato com o esporte e possibilitar que os jovens tenham acesso a materiais e atividades que muitas vezes não estão ao alcance deles. Trabalhamos os fundamentos e a técnica, mas também priorizamos a interação social, o convívio em grupo e a ludicidade”, explica.

PARTICIPAÇÃO CRESCENTE

A adesão também é percebida no ambiente escolar. Para a coordenadora pedagógica Kátia Aparecida da Silva Nunes Miranda, o projeto encontrou uma demanda concreta entre os estudantes e passou a ocupar um espaço importante na rotina da escola.

“Desde o lançamento, o Projeto Esporte na Comunidade tem sido um verdadeiro achado para a nossa escola e para os nossos estudantes. A adesão foi excelente desde o início e, ao longo do desenvolvimento das atividades, percebemos um envolvimento cada vez maior dos adolescentes. O interesse foi tão significativo que atualmente temos inclusive lista de espera”, afirma.

De acordo com a coordenação, os estudantes passaram a encontrar nas atividades um espaço de convivência, aprendizagem e pertencimento. Entre os avanços observados estão maior socialização, responsabilidade, participação e capacidade de trabalhar em grupo, além do respeito às diferenças.

A equipe também identificou mudanças na postura de adolescentes que, no começo, demonstravam vergonha ou receio de errar. Com o passar dos meses, alguns passaram a participar mais das atividades, inclusive quando não estavam acompanhados pelos amigos.

“O que a gente procura mostrar é que todos estão ali para aprender. Cada um tem seu tempo e seu desenvolvimento. Não estamos ali para ver quem é melhor ou apenas para ganhar um jogo, mas para aprender, se desenvolver, se distrair e se divertir”, explica Débora.

ESPORTE COMO FERRAMENTA DE DESENVOLVIMENTO

As atividades também são utilizadas para trabalhar situações relacionadas ao comportamento e ao controle das emoções. Segundo Débora, alguns adolescentes que apresentavam dificuldades para lidar com frustrações e conflitos passaram a demonstrar maior controle durante as atividades.

Situações comuns dos jogos são aproveitadas para reforçar valores como respeito e responsabilidade. A honestidade durante as partidas, por exemplo, é reconhecida pelos profissionais como parte do processo de formação dos participantes.

Além do desenvolvimento social, os adolescentes também apresentam evolução nas próprias modalidades esportivas. No tênis de mesa, participantes que chegaram ao projeto sem experiência passaram a executar fundamentos e participar dos jogos com maior domínio.

A evolução também envolve coordenação motora e familiaridade com os equipamentos. O aprendizado é conduzido de acordo com o ritmo de cada participante, sem transformar as oficinas em uma disputa por desempenho.

PARCERIA COM A ESCOLA

A integração entre o projeto e a escola também ocorre fora dos horários das atividades. Como as oficinas são realizadas dentro da própria unidade de ensino, a equipe mantém diálogo com professores, direção e coordenação pedagógica e participa de ações promovidas pela instituição.

“A aproximação é fundamental. Uma escola não consegue atuar de forma isolada. Quando estabelecemos uma parceria efetiva entre escola, família, comunidade e iniciativas sociais e esportivas, ampliamos significativamente as possibilidades de desenvolvimento dos nossos estudantes”, destaca Kátia.

Para Gleicy Kelly Vital de Carvalho Marcelo, presidente da Associação de Desenvolvimento Social das Favelas e representante oficial da CUFA MT, a iniciativa coloca em prática a proposta de ampliar oportunidades para crianças e adolescentes.

“Por meio do Esporte na Comunidade, conseguimos levar gratuitamente o esporte para dentro da escola e ampliar o acesso de crianças e adolescentes a atividades que podem abrir novos caminhos. Mas o nosso trabalho vai além da prática esportiva. Acreditamos que, quando oferecemos uma oportunidade, também despertamos sonhos, autoestima, disciplina e novas possibilidades”, afirma.

PROJETO BUSCA NOVOS PARCEIROS

Com a procura crescente e a formação de uma lista de espera, a equipe já trabalha com a perspectiva de buscar novos patrocinadores e parceiros para garantir a continuidade da iniciativa e possibilitar uma nova edição.

A renovação dos equipamentos também está entre as necessidades do projeto. Raquetes, bolinhas, mesas e materiais utilizados nas atividades precisam de reposição e manutenção, tornando a captação de recursos importante para a permanência das oficinas.

Para a escola, a lista de espera demonstra que a iniciativa passou a ser reconhecida pelos estudantes como um espaço de convivência e desenvolvimento.

“A existência de uma lista de espera mostra que o projeto já ultrapassou a condição de uma ação pontual: ele passou a ser percebido pelos estudantes como um espaço importante de convivência, esporte e desenvolvimento. Queremos que essa experiência seja fortalecida, aprimorada e tenha continuidade”, afirma Kátia.

O Projeto Esporte na Comunidade é realizado pela Associação de Desenvolvimento Social das Favelas e pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), com organização da CUFA MT e do Projeto Onça Pintada, apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e produção da ERP Company.

A iniciativa é desenvolvida na Escola Estadual Marcelina de Campos, no bairro Santa Isabel, e utiliza o esporte como ferramenta de inclusão, cidadania e desenvolvimento de crianças e adolescentes.

O Povo MT segue acompanhando iniciativas que ampliam o acesso ao esporte e contribuem para o desenvolvimento de jovens em Mato Grosso.

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