ETANOL DE MILHO AVANÇA EM MATO GROSSO E DEVE REPRESENTAR 61,62% DA PRODUÇÃO NACIONAL

Visita técnica do Coagro à unidade da FS, em Lucas do Rio Verde, discutiu expansão industrial, agregação de valor ao milho e sustentabilidade na produção de biocombustíveis.
DA REDAÇÃO | FOTO: FIEMT
Mato Grosso deve ampliar sua participação na produção brasileira de etanol de milho na safra 2026/27, com estimativa de 7,33 milhões de metros cúbicos do biocombustível, crescimento de 18,67% em relação ao ciclo anterior. Se a projeção se confirmar, o estado responderá por 61,62% da produção nacional, consolidando sua posição de liderança no segmento.
O avanço da indústria de biocombustíveis foi tema da primeira visita técnica do Conselho Temático da Agroindústria (Coagro), da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), à unidade da Fueling Sustainability (FS), em Lucas do Rio Verde, na terça-feira (13). A agenda incluiu o acompanhamento das operações industriais e a realização da terceira reunião ordinária do conselho em 2026.
Presidido por Cleiton Gauer, superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o Coagro buscou conhecer o funcionamento da indústria e discutir as perspectivas de crescimento da produção estadual.
A visita ocorre em um momento de expansão do setor. Em 2026, Mato Grosso conta com 19 usinas de etanol em operação, distribuídas em 17 municípios. Outros três projetos de novas unidades estão em andamento, com previsão de conclusão até o final de 2027.
Para Cleiton Gauer, o crescimento da atividade representa oportunidades para a industrialização da produção agrícola, mas também exige atenção aos desafios decorrentes da expansão.
“O etanol de milho vem ganhando destaque em Mato Grosso nos últimos anos, impulsionado pelo crescimento da produção no estado. Esse movimento traz desafios, mas também abre oportunidades para agregar valor à matéria-prima e fortalecer o setor. Além disso, o etanol de milho tem um papel importante na diversificação das fontes de energia e pode contribuir para a descarbonização da matriz energética brasileira”, destacou.
Processamento de milho deve crescer 18,52%
Os números projetados para a próxima safra reforçam a importância da indústria para a cadeia produtiva mato-grossense. Na temporada 2025/26, o estado produziu 6,18 milhões de metros cúbicos de etanol de milho. Para 2026/27, a previsão é alcançar 7,33 milhões de metros cúbicos.
A expansão também deve aumentar o volume de milho destinado ao processamento industrial. A estimativa é que 16,36 milhões de toneladas do grão sejam utilizadas na fabricação do biocombustível na safra 2026/27, alta de 18,52% em relação à temporada anterior.
O crescimento amplia a demanda interna pelo milho produzido em Mato Grosso e fortalece a conexão entre o campo e a indústria. Em vez de ser comercializado exclusivamente como matéria-prima, o grão passa a integrar uma cadeia de transformação que gera produtos de maior valor agregado.
Esse processo contribui para diversificar os mercados consumidores, ampliar as oportunidades de negócios e fortalecer a estrutura industrial ligada ao agronegócio estadual.
Unidade da FS foi pioneira no Brasil
Durante a visita, os integrantes do Coagro conheceram as operações da FS, indústria que utiliza exclusivamente milho como matéria-prima para a fabricação de etanol.
Inaugurada em 2017, a unidade de Lucas do Rio Verde foi a primeira indústria brasileira a produzir o biocombustível utilizando 100% de milho, marco para o desenvolvimento desse segmento no país e para a ampliação das alternativas de processamento da produção agrícola mato-grossense.
Além da transformação do grão em combustível, a atividade coloca em pauta o aproveitamento dos recursos disponíveis e a adoção de práticas sustentáveis nos processos industriais.
O analista de relações institucionais da FS, Pedro Liendo, ressaltou a importância de compartilhar informações sobre o funcionamento da indústria e as iniciativas adotadas para tornar a produção mais sustentável.
“O etanol de milho já nasceu com essa perspectiva de sustentabilidade. É uma indústria que busca utilizar fontes sustentáveis, principalmente na geração de energia, e incorporar essas práticas ao processo produtivo. Aqui na FS, por exemplo, 100% da nossa energia é sustentável”, afirmou.
Expansão industrial fortalece a economia estadual
O crescimento das usinas de etanol de milho evidencia uma transformação na cadeia produtiva de Mato Grosso, que passa a ampliar o processamento de uma das principais culturas agrícolas do estado.
Com a perspectiva de aumento da produção e da capacidade industrial, o setor ganha relevância na diversificação da economia, na geração de oportunidades e no desenvolvimento de novas atividades ligadas ao agronegócio.
A expansão, no entanto, também traz desafios relacionados à infraestrutura, à capacidade de processamento e à sustentabilidade das operações, temas importantes para acompanhar o desenvolvimento da atividade nos próximos anos.
Para o Coagro, a visita técnica e a reunião ordinária permitiram aproximar representantes da indústria e do setor produtivo, além de ampliar o conhecimento sobre as perspectivas de crescimento do etanol de milho em Mato Grosso.
O Povo MT segue acompanhando os avanços do agronegócio e da agroindústria, setores estratégicos para a economia de Mato Grosso.



