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PIVETTA COBRA RUMO POR FERROVIA ATÉ CUIABÁ E ADMITE INCERTEZA SOBRE PRAZO DAS OBRAS

Projeto estimado em até R$ 15 bilhões prevê 743 quilômetros de trilhos; governador afirma que concessionária deve cumprir contrato, mas condiciona avanço dos investimentos ao cenário econômico

DA REDAÇÃO | FOTO: REPRODUÇÃO

O governador reeleito de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), voltou a cobrar da Rumo Logística o cumprimento do contrato para implantação da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, empreendimento estimado em até R$ 15 bilhões. O principal impasse envolve a chegada dos trilhos a Cuiabá, prevista no projeto original, mas ainda sem cronograma público confirmado para execução do ramal.

Em entrevista concedida na quarta-feira (21), Pivetta afirmou que a concessionária assumiu voluntariamente o compromisso de construir a ferrovia até Lucas do Rio Verde, incluindo a ligação com a capital mato-grossense. O governador defendeu que as condições estabelecidas no contrato sejam respeitadas.

“Nós temos um bom contrato, muito bem feito, muitíssimo bem feito. A Rumo tem obrigação. Ela não foi obrigada a pegar a concessão. Ela se habilitou através de um edital que o Estado publicou”, declarou.

Segundo ele, o traçado prevê a continuidade dos trilhos a partir da região de Rondonópolis, passando pela BR-070, seguindo em direção ao Médio-Norte e contemplando um ramal para Cuiabá.

“Ela assumiu o compromisso contratual de fazer a ferrovia chegar ali na BR-070, depois subir até Lucas do Rio Verde e um ramal aqui para Cuiabá”, reforçou.

Projeto prevê 743 quilômetros de ferrovia

O contrato de adesão nº 021/2021 foi firmado em 20 de setembro de 2021, durante o governo de Mauro Mendes, entre a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) e a Rumo, com participação da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Ager-MT).

O projeto, inicialmente apresentado com aproximadamente 730 quilômetros, passou a ser divulgado pelos órgãos estaduais com extensão estimada em 743 quilômetros. A proposta prevê a ligação entre Rondonópolis, Cuiabá, Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, conectando regiões produtoras à malha ferroviária nacional e ao Porto de Santos, em São Paulo.

A ferrovia foi planejada para ampliar a capacidade de transporte de soja, milho, farelo e outras mercadorias, além de facilitar a chegada de fertilizantes, combustíveis e insumos utilizados pela indústria.

A primeira etapa foi inaugurada em 20 de junho de 2026, com aproximadamente 162 quilômetros entre Rondonópolis e o terminal ferroviário na região de Dom Aquino, próximo à BR-070. O investimento nessa fase foi estimado em cerca de R$ 5 bilhões.

Apesar do avanço inicial, a continuidade do empreendimento ainda envolve definições sobre investimentos, cronograma e viabilidade dos diferentes trechos.

Ramal de Cuiabá enfrenta entraves econômicos e contratuais

A principal dificuldade está na viabilidade comercial do ramal destinado à capital, estimado em aproximadamente 210 quilômetros. Enquanto o corredor em direção ao Médio-Norte concentra grandes volumes de grãos destinados à exportação, a ligação com Cuiabá dependeria de uma combinação mais diversificada de cargas para sustentar sua operação.

Uma análise técnica divulgada em maio deste ano apontou que o contrato prevê hipóteses em que atrasos ou a não execução de investimentos podem ser justificados por razões técnicas, ambientais, fundiárias ou econômicas, desde que aceitas pela Ager-MT.

A cláusula 7.5 trata dessas possibilidades. Já a interpretação de outros dispositivos, incluindo a cláusula 17.4.1, envolve discussões sobre as consequências do eventual descumprimento das obrigações relacionadas às interligações ferroviárias.

Essas previsões, porém, não significam que a concessionária esteja automaticamente dispensada de construir o ramal. A aplicação das regras depende da análise do contrato vigente, dos aditivos e das decisões dos órgãos competentes.

Até o momento, a ligação ferroviária com Cuiabá permanece sem uma previsão pública confirmada de entrega, enquanto o eixo em direção a Lucas do Rio Verde avança no planejamento do empreendimento.

Governador relaciona investimentos ao cenário econômico

Ao comentar a continuidade das obras, Pivetta relacionou o ritmo dos investimentos às condições econômicas do país, especialmente ao custo do financiamento e à confiança dos investidores privados.

O governador afirmou esperar que a definição do próximo governo federal, após o segundo turno presidencial deste domingo (25), contribua para a criação de um ambiente favorável à ampliação dos investimentos em infraestrutura a partir de 2027.

“Se mudar a economia, o viés do futuro governo, um governo que estimule a economia, que segure os gastos, que faça o que o mercado mundial espera, nós vamos ter muito investimento no Mato Grosso, no Brasil. No Mato Grosso, em primeiro lugar em infraestrutura”, afirmou.

A declaração ocorre durante a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidato apoiado por Pivetta.

Apesar da expectativa do governador, uma eventual mudança na política econômica não assegura, por si só, a construção do ramal. A execução também depende das obrigações contratuais, das decisões de investimento da concessionária e da superação dos entraves técnicos e financeiros.

Pivetta afirmou que espera apresentar informações mais precisas sobre a continuidade das obras na segunda-feira (26), após a votação.

“Sinceramente, na segunda-feira eu poderia dizer para você com mais precisão em que tempo nós vamos ver a continuidade das obras”, declarou.

Governo também pretende negociar concessão da BR-163

Outro projeto citado pelo governador foi a possível transferência da concessão da BR-163 novamente à iniciativa privada.

Atualmente, a Nova Rota do Oeste está sob controle da MT Participações e Projetos (MT Par), empresa vinculada ao Governo de Mato Grosso. O Estado assumiu o controle da concessionária para viabilizar a retomada de investimentos na duplicação da rodovia.

Pivetta afirmou que pretende aproveitar um cenário econômico mais favorável para atrair investidores interessados no ativo e recuperar recursos estaduais aplicados na operação.

“Nós queremos também, esperamos esse momento para nós vendermos a 163, devolver isso para o mercado e trazer de volta o dinheiro para o Estado, para fazer outros investimentos. Então eu tenho esperança que nós vamos viver esse momento a partir do ano que vem”, explicou.

A ferrovia estadual e a BR-163 integram a estratégia logística de Mato Grosso para reduzir custos de transporte e ampliar a competitividade da produção. Enquanto os trilhos permitem movimentar grandes volumes de carga por longas distâncias, as rodovias continuam fundamentais para conectar propriedades rurais, centros industriais e terminais de transbordo.

Cuiabá segue sem prazo confirmado

A chegada da ferrovia à capital é apontada por defensores do projeto como uma oportunidade para ampliar a industrialização, atrair centros de distribuição e diversificar a economia da Baixada Cuiabana.

A eventual implantação do ramal poderia criar novas alternativas de transporte para mercadorias destinadas ao abastecimento urbano e à atividade industrial. Esses benefícios, contudo, dependerão da construção efetiva do trecho e da existência de demanda capaz de sustentar sua operação.

O custo total do empreendimento também passou por revisões. As estimativas divulgadas ao longo dos anos variaram de aproximadamente R$ 11,2 bilhões a R$ 15 bilhões. Não há, porém, um orçamento executivo atualizado e publicamente confirmado que permita estabelecer com segurança o custo específico do ramal de Cuiabá.

O principal desafio agora é transformar o compromisso previsto no projeto original em um cronograma efetivo de execução. Pivetta sustenta que a Rumo deve cumprir o contrato, enquanto a viabilidade econômica e as condições contratuais continuam no centro da discussão.

A expectativa é que o governador apresente novas informações sobre a continuidade das obras após o segundo turno. Até lá, a capital mato-grossense permanece sem prazo confirmado para receber os trilhos da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo.

O Povo MT segue acompanhando os desdobramentos do projeto ferroviário e as definições sobre a chegada dos trilhos a Cuiabá.

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