
Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária mostra os principais movimentos do agronegócio, com impactos no câmbio, nas commodities, nas exportações e nos custos logísticos
DA REDAÇÃO | FOTO: IMEA
O agronegócio de Mato Grosso registrou movimentos importantes nos mercados de grãos, proteínas animais, agroindústria e logística. Dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam alta expressiva do dólar, avanço no processamento de soja, valorização da arroba do boi gordo e crescimento das exportações brasileiras de carnes de aves e suína.
O levantamento também destaca mudanças nos preços do algodão, farelo e óleo de soja, além da elevação dos custos do transporte rodoviário de grãos em diferentes regiões do estado.
DÓLAR SOBE 7,15% NA SEMANA
O dólar Ptax encerrou a semana com média de R$ 5,39, alta de 7,15% em relação à semana anterior. Segundo o Imea, a movimentação refletiu a reação do mercado ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais, que contrariou parte das expectativas dos investidores sobre a condução da política fiscal.
O cenário elevou a percepção de risco e ampliou as incertezas no mercado financeiro brasileiro.
No mercado de trabalho, a PNAD Contínua do terceiro trimestre de 2026 registrou taxa de desocupação de 5,20%, o menor índice para o período desde o início da série histórica, em 2012. A população ocupada alcançou 103,6 milhões de pessoas, crescimento de 1,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O número de empregadores chegou a 4,5 milhões, avanço de 6,40% no comparativo anual.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) manteve a taxa básica de juros entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão ocorreu em meio às preocupações com a inflação americana e à pressão dos preços do petróleo diante das tensões no Oriente Médio.
SOJA: PROCESSAMENTO SUPERA 10 MILHÕES DE TONELADAS
Mato Grosso acumulou 10,42 milhões de toneladas de soja esmagadas até setembro de 2026, crescimento de 4,74% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço foi impulsionado pela maior demanda das indústrias.
Somente em setembro, o processamento atingiu 1,01 milhão de toneladas, recuo de 12,80% frente a agosto. Segundo o levantamento, a queda ocorreu em razão da paralisação de algumas indústrias para manutenção anual.
Mesmo com a redução sazonal, os coprodutos mantiveram desempenho positivo. O farelo de soja foi favorecido pelas exportações, enquanto o óleo encontrou sustentação na demanda do setor de biodiesel.
MILHO: CHUVAS PODEM FAVORECER SAFRA 2026/27
O avanço da semeadura da soja na safra 2026/27 pode contribuir para o calendário de implantação do milho em Mato Grosso.
De acordo com as projeções do CPTEC/INPE citadas pelo Imea, as chuvas previstas entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027 podem favorecer a umidade do solo e o desenvolvimento inicial das lavouras.
Entretanto, o cenário exige atenção. Precipitações acima da média podem interromper os trabalhos no campo, enquanto a redução ou a distribuição irregular das chuvas nos meses seguintes, especialmente durante o florescimento e o enchimento dos grãos, pode comprometer a produtividade.
ALGODÃO: PREÇO DO CAROÇO REGISTRA QUEDA
O beneficiamento do algodão da safra 2025/26 em Mato Grosso alcançou 65,62%, ampliando a oferta de caroço no mercado e pressionando as cotações.
Em outubro de 2026, o preço médio ficou em R$ 718,40 por tonelada, queda de 5,54% em relação a setembro e de 23,76% na comparação com outubro de 2025.
Apesar da menor produção de caroço no comparativo anual, a demanda enfraquecida tem limitado a recuperação dos preços. A expectativa do instituto é de manutenção das cotações em níveis pressionados no curto prazo.
BOI GORDO: CÂMBIO FAVORECE COMPETITIVIDADE DA CARNE
A arroba do boi gordo em Mato Grosso apresentou valorização mensal de 7,12% em outubro, alcançando US$ 68,40.
Entretanto, na última semana, a forte valorização do dólar provocou recuo de 5,76% na cotação da arroba em moeda americana, que passou para US$ 66,36, mesmo com a alta do preço em reais no mercado interno.
Na avaliação do Imea, esse movimento torna a arroba brasileira relativamente mais barata no mercado internacional, podendo favorecer a competitividade da carne bovina mato-grossense frente aos concorrentes externos.
SUÍNOS E AVES: EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS AVANÇAM
Os dados parciais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), referentes à quarta semana de outubro, apontaram crescimento das exportações brasileiras de carne suína in natura.
O volume médio embarcado chegou a 6,19 mil toneladas por dia, alta de 8,50% em relação a outubro de 2025. Em contrapartida, o preço médio pago por tonelada ficou em US$ 2.252,38, redução de 11,68% no comparativo anual.
No setor de aves, o desempenho também foi positivo. O faturamento médio diário das exportações brasileiras cresceu 31,86%, alcançando US$ 47,59 milhões por dia.
O volume médio embarcado chegou a 24,73 mil toneladas diárias, avanço de 14,79% em relação ao mesmo período do ano anterior.
AGROINDÚSTRIA: FARELO E ÓLEO DE SOJA SOBEM
Em Mato Grosso, o farelo de soja registrou valorização semanal de 0,78%, com preço médio de R$ 1.936,57 por tonelada.
O avanço está relacionado ao crescimento das exportações brasileiras do derivado e à valorização do dólar, que favorece a competitividade do produto nacional no mercado internacional.
O óleo de soja também apresentou alta, de 2,15%, atingindo R$ 6.370,91 por tonelada. A valorização é sustentada pela demanda do setor de biodiesel, que utiliza o óleo como principal matéria-prima para a produção de biocombustíveis, além da oferta mais restrita durante a entressafra.
LOGÍSTICA: FRETES SOBEM EM ROTAS DE ESCOAMENTO
O aumento no volume de escoamento da produção agrícola elevou a demanda por transporte rodoviário e pressionou os fretes de grãos na maioria das regiões de Mato Grosso.
Entre as rotas acompanhadas pelo Imea, o trecho de Sorriso a Rondonópolis registrou preço médio de R$ 182,56 por tonelada, alta de 1,73%.
Já o transporte entre Canarana (MT) e São Simão (GO) alcançou R$ 220 por tonelada, avanço de 1,54% na semana.
Os números reforçam a importância do transporte rodoviário para o escoamento da produção mato-grossense e mostram como as variações na demanda logística impactam os custos do setor.
CENÁRIO EXIGE ATENÇÃO DO PRODUTOR
Os indicadores apresentados pelo Imea mostram um cenário de diferentes movimentos no agronegócio estadual. Enquanto o processamento de soja e as exportações de proteínas apresentam resultados positivos, setores como o algodão enfrentam pressão sobre os preços.
O câmbio também aparece como fator importante para a competitividade das commodities brasileiras, especialmente da carne bovina, enquanto as condições climáticas e os custos logísticos seguem entre os pontos de atenção para o planejamento das próximas safras.
O Povo MT segue acompanhando os indicadores do agronegócio e os fatores econômicos que influenciam a produção, os investimentos e a competitividade de Mato Grosso no mercado nacional e internacional.
a bolsa brasileira.
mercado de trabalho.
SOJA
MILHO
Confira o relatório aqui
BOI
Em out/26, a arroba do boi gordo em Mato Grosso obteve um avanço
mensal de 7,12%, alcançando US$ 68,40/@, impulsionada pela valorização
do boi em reais e pelo recuo do câmbio na média mensal. Contudo, na
última semana, a apreciação de 7,15% do dólar provocou recuo de 5,76% na
cotação em moeda americana, para US$ 66,36/@, mesmo com a alta do
preço doméstico. Esse movimento tornou a arroba brasileira relativamente
mais barata no mercado externo, podendo favorecer a competitividade da
carne bovina mato-grossense.
Confira o relatório aqui
SUÍNOS
A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou os dados parciais das
exportações de carne suína in natura referentes a quarta semana de
outubro. No período, o Brasil exportou por dia 6,19 mil toneladas, o que
representa uma alta de 8,50% em relação a outubro de 2025. Por outro lado,
o preço médio pago por tonelada foi de US$ 2.252,38, variação negativa de
11,68% em comparação com a mesma semana do ano passado.
AVES
Segundo dados parciais da Secex referente a quarta semana outubro, as
exportações brasileiras de carne de aves registraram um crescimento de
31,86% no faturamento médio diário na comparação com outubro de 2025,
ficando em média US$ 47,59 milhões por dia. Além disso, a média diária do
volume embarcado ficou em 24,73 mil toneladas por dia, apresentando um
avanço de 14,79% no mês.
AGROINDÚSTRIA
Em Mato Grosso, o farelo de soja registrou alta de 0,78% na semana, com
preço médio de R$ 1.936,57/t. O avanço está associado ao aumento das
exportações brasileiras do derivado e à valorização do dólar, que favorece a
competitividade do produto nacional no mercado externo. Já o óleo de
soja valorizou 2,15%, atingindo R$ 6.370,91/t. A alta é sustentada pela
demanda do setor de biodiesel, que mantém o óleo como principal
matéria-prima para a produção de biocombustível, além da oferta mais
restrita durante a entressafra da soja.



