RANALLI CRITICA CLASSIFICAÇÃO DE DESENHOS BÍBLICOS E MINISTÉRIO DA JUSTIÇA VOLTA ATRÁS

Vereador de Cuiabá questionou elevação da faixa etária para 12 anos; após repercussão, governo federal restabeleceu classificação Livre para os 36 episódios
DA REDAÇÃO | FOTO: ASSESSORIA
O vereador Rafael Ranalli (PL), de Cuiabá, criticou a decisão do Ministério da Justiça de elevar para 12 anos a classificação indicativa do programa Record Kids – Desenhos Bíblicos, exibido pela TV Record. O parlamentar questionou os critérios utilizados na avaliação e defendeu maior atenção ao contexto cultural e religioso de produções voltadas ao público infantil.
Durante entrevista à imprensa, Ranalli considerou a mudança desproporcional, especialmente por envolver animações inspiradas em passagens e personagens bíblicos.
“Dá vontade de rir. Proibido para menores de 12 anos os desenhos cristãos que passavam nas manhãs de domingo do SBT e agora, se eu não me engano, passam na Record”, afirmou.
A alteração havia sido estabelecida pela Portaria nº 2.272, de 28 de outubro de 2026. Na avaliação inicial, o Ministério da Justiça atribuiu à produção os descritores de atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito, recomendando a exibição na televisão aberta a partir das 20h.
O vereador relacionou o episódio ao debate sobre liberdade religiosa, respeito às convicções familiares e participação dos pais na formação dos filhos. Para ele, a análise de conteúdos audiovisuais destinados às crianças precisa considerar o contexto em que as histórias são apresentadas.
Durante a entrevista, Ranalli também mencionou discussões sobre a abordagem de questões de gênero nas escolas e a participação das famílias nas decisões relacionadas à educação.
“É uma luta e a gente como classe política tem que sim se posicionar”, declarou.
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA RESTABELECE CLASSIFICAÇÃO LIVRE
O episódio teve um novo desdobramento em 3 de novembro, quando o Ministério da Justiça revisou a avaliação e restabeleceu a classificação Livre para os 36 episódios das animações bíblicas.
Na reanálise, a Secretaria Nacional de Direitos Digitais reconheceu que a avaliação inicial não havia aplicado integralmente a metodologia prevista no Guia Prático de Classificação Indicativa de 2025.
Entre os aspectos considerados na revisão estavam o contexto cultural e religioso das narrativas, a estética infantil das animações e os atenuantes aplicáveis a conteúdos relacionados às tradições religiosas.
A classificação indicativa funciona como instrumento de orientação para pais e responsáveis sobre a adequação de conteúdos audiovisuais às diferentes faixas etárias. A recomendação não representa, por si só, uma proibição de acesso por crianças com idade inferior à indicada.
Para Ranalli, a revisão representa um avanço e reforça a necessidade de critérios equilibrados na avaliação de produções culturais e educativas, respeitando a liberdade religiosa e as tradições cristãs.
O Povo MT segue acompanhando os desdobramentos de decisões que envolvem liberdade religiosa, educação e direitos das famílias.



