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CRISE BANCÁRIA LEVA MILHARES ÀS RUAS NO PARAGUAI; POLÍCIA USA GÁS LACRIMOGÊNEO E CANHÕES DE ÁGUA CONTRA MANIFESTANTES

Intervenção no Ueno Bank deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso aos recursos; oposição apresentou pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña.

DA REDAÇÃO | FOTO: REPRODUÇÃO

A crise financeira envolvendo o Ueno Bank provocou uma onda de protestos no Paraguai e elevou a tensão política contra o governo do presidente Santiago Peña. Na quarta-feira (4), forças policiais utilizaram gás lacrimogêneo e caminhões com canhões de água para dispersar manifestantes que protestavam nas proximidades do Palácio Presidencial, em Assunção.

A mobilização reúne correntistas, aposentados, trabalhadores e outros cidadãos que cobram explicações das autoridades e exigem a liberação do dinheiro mantido na instituição financeira. A intervenção no banco deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso às próprias contas, provocando preocupação sobre o destino das economias e dos recursos depositados.

A crise começou depois que o Banco Central do Paraguai determinou a intervenção no Ueno Bank, após identificar uma grave insuficiência nos índices de solvência da instituição. Com a decisão, os serviços bancários foram suspensos enquanto as autoridades iniciaram procedimentos para administrar a situação e organizar a restituição dos depósitos.

PROTESTOS TERMINAM EM CONFRONTO COM A POLÍCIA

As manifestações ganharam força nas ruas da capital paraguaia. Os participantes foram às ruas cobrar a devolução dos valores e exigir responsabilização das autoridades envolvidas na crise.

Durante os atos, manifestantes também entoaram palavras de ordem contra Santiago Peña e defenderam a abertura de um processo de impeachment.

A tensão aumentou quando grupos tentaram avançar em direção a prédios públicos. A Polícia Nacional utilizou equipamentos de dispersão, incluindo gás lacrimogêneo e canhões de água, para conter a mobilização.

OPOSIÇÃO APRESENTA PEDIDO DE IMPEACHMENT

A crise bancária também chegou ao Congresso paraguaio. Parlamentares da oposição apresentaram um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana.

A iniciativa reuniu 35 assinaturas e aponta questionamentos relacionados à crise financeira, possíveis conflitos de interesse e responsabilidades envolvendo a instituição bancária.

O caso ganhou dimensão política porque Peña teve participação societária no Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025. O presidente não reconheceu responsabilidade pelas irregularidades apontadas e defendeu a proteção dos interesses dos depositantes e a responsabilização de eventuais envolvidos.

Para que o pedido avance, são necessários pelo menos 53 votos entre os 80 integrantes da Câmara dos Deputados.

MILHÕES DE CLIENTES AGUARDAM RESPOSTAS

Além da disputa política, a principal preocupação dos paraguaios é recuperar o dinheiro depositado no banco. Entre os afetados estão aposentados e trabalhadores que dependem dos recursos para despesas cotidianas.

A intervenção também provocou questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro e a utilização de recursos de entidades públicas na instituição.

O episódio representa uma crise econômica e institucional para o Paraguai, com repercussões sobre a confiança dos cidadãos no sistema bancário e a estabilidade política do governo.

Enquanto as autoridades conduzem os procedimentos relacionados à instituição, milhares de clientes continuam aguardando esclarecimentos sobre quando e como poderão recuperar seus recursos.

O Povo MT segue acompanhando os desdobramentos da crise financeira e política no Paraguai.

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