Carbono no solo fortalece produtividade, impulsiona a economia e amplia a sustentabilidade no agro de Mato Grosso
Tema foi destaque durante visita técnica do projeto ABC+ em Ação à Fazenda Rio Manso, em Campo Verde
Luciana Bueno | Foto: FAMATO
Durante a press trip promovida pelo projeto ABC+ em Ação, realizada na Fazenda Rio Manso, em Campo Verde, jornalistas de Mato Grosso e de outros estados tiveram a oportunidade de conhecer de perto como a adoção de práticas sustentáveis tem contribuído para aumentar a produtividade, preservar recursos naturais e fortalecer a economia no campo. A iniciativa é promovida pelo Sistema Famato e pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), com apoio técnico da Embrapa.
Um dos temas centrais da programação foi o aumento do carbono orgânico no solo, considerado atualmente uma das principais estratégias para promover uma agropecuária mais eficiente, resiliente e sustentável.
De acordo com Flávio Wruck, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agrossilvipastoril, o carbono desempenha papel fundamental na qualidade do solo e nos resultados produtivos das propriedades rurais.

“Um solo com mais carbono apresenta melhor estrutura física, maior capacidade de retenção de água e condições mais favoráveis para a atividade biológica. Isso melhora o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas e torna os sistemas produtivos mais eficientes”, destacou o pesquisador.
Durante a apresentação, Wruck mostrou resultados de estudos realizados na própria Fazenda Rio Manso, comparando áreas de cerrado nativo, pastagens e sistemas agrícolas. As análises apontaram melhoria na qualidade microbiológica do solo e aumento dos estoques de carbono orgânico em áreas manejadas com tecnologias conservacionistas.
Segundo o especialista, práticas como plantio direto, integração lavoura-pecuária, recuperação de pastagens degradadas e manejo adequado do solo são fundamentais para ampliar a captura e o armazenamento de carbono, contribuindo simultaneamente para a produtividade e para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa.
Os benefícios, entretanto, vão muito além das lavouras. Quando a propriedade rural se torna mais eficiente, toda a cadeia produtiva é impactada positivamente. O fortalecimento da produção movimenta setores como assistência técnica, comércio de insumos, transporte, armazenagem, prestação de serviços e geração de empregos, refletindo diretamente na economia dos municípios agrícolas.
Essa é justamente uma das propostas do projeto ABC+ em Ação, que percorre Mato Grosso levando informações técnicas, tecnologias sustentáveis e orientações sobre linhas de financiamento voltadas à agropecuária de baixa emissão de carbono. A iniciativa busca ampliar a adoção das práticas previstas no Plano ABC+, política pública nacional que incentiva sistemas produtivos mais sustentáveis e resilientes.
Para a Famato, a disseminação dessas tecnologias é essencial para manter Mato Grosso como referência nacional em produção agropecuária sustentável, conciliando crescimento econômico e responsabilidade ambiental. O projeto também atua na capacitação de produtores, técnicos e estudantes, fortalecendo a transferência de conhecimento para o campo.
Dentro do conceito de sustentabilidade, o carbono no solo representa um elo entre os pilares ambiental, econômico e social. Ao mesmo tempo em que contribui para a conservação dos recursos naturais, fortalece a competitividade da produção agropecuária e cria oportunidades para o desenvolvimento das regiões produtoras.
Para Flávio Wruck, investir na saúde do solo é investir no futuro da agropecuária brasileira.
“O carbono no solo demonstra que é possível produzir mais, conservar recursos naturais e gerar desenvolvimento econômico e social de forma integrada. É uma estratégia que beneficia o produtor, a sociedade e o meio ambiente”, concluiu.



