Milho deixa de ser ‘safrinha’ e se consolida como motor da economia de Mato Grosso, destaca Famato

Com produção estimada em mais de 53 milhões de toneladas, cereal impulsiona renda no campo, agroindustrialização e geração de empregos no estado
Da Redação | Foto: Sistema Famato
O milho segunda safra consolidou sua posição como uma das principais culturas agrícolas de Mato Grosso e passou a desempenhar papel decisivo na geração de renda, no fortalecimento da agroindústria e no desenvolvimento econômico do estado. A avaliação foi apresentada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) durante a Abertura Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra, realizada em Querência, na região Leste mato-grossense.
O evento reuniu produtores rurais, lideranças do agronegócio, empresários e autoridades políticas para debater temas como crédito rural, custos de produção, logística, inovação e competitividade do setor agropecuário.
Segundo o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o milho deixou de ser apenas uma alternativa complementar à soja para se tornar uma cultura estratégica para a economia estadual.
Ele destacou que o cereal passou a ocupar posição central na produção agropecuária, impulsionando novos investimentos e abrindo espaço para a expansão da agroindustrialização em Mato Grosso.
“O que antes era tratado como safrinha hoje é uma safra consolidada e fundamental para o crescimento econômico do estado. O milho vem sendo transformado em energia renovável, etanol e outros produtos de valor agregado, fortalecendo toda a cadeia produtiva”, afirmou.
A expectativa da entidade é que a demanda pelo cereal continue crescendo nos próximos anos com a chegada de novas indústrias voltadas à produção de biocombustíveis e proteína animal.
Durante o encontro, Vilmondes também defendeu medidas para ampliar o acesso ao crédito rural e oferecer condições para renegociação de dívidas dos produtores. O tema está relacionado às discussões do Projeto de Lei 5.122/2023, que tramita no Senado Federal e prevê uma linha especial de financiamento para o setor.
De acordo com o superintendente da Famato e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, os indicadores da safra atual apontam para um cenário positivo. As projeções do instituto indicam produtividade média de 120,28 sacas por hectare, com produção estimada em 53,3 milhões de toneladas em uma área cultivada de aproximadamente 7,4 milhões de hectares.
Segundo ele, o modelo produtivo adotado em Mato Grosso, com soja na primeira safra e milho na sequência, permitiu aos produtores aumentar a eficiência das propriedades e ampliar a rentabilidade sem necessidade de expansão significativa das áreas agrícolas.
Cleiton também ressaltou a importância da indústria de etanol de milho, que ampliou a capacidade de absorção da produção estadual e fortaleceu a agregação de valor dentro do próprio estado.
O presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo, avaliou que as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras e contribuíram para uma expectativa positiva em relação à colheita.
Já o produtor rural Irio José Guisolphi, anfitrião do evento, destacou que o milho tem sido essencial para garantir a sustentabilidade financeira das propriedades diante das margens cada vez mais apertadas registradas na cultura da soja.
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, também participou da programação e reforçou a importância da industrialização da produção agrícola. Segundo ele, a transformação do milho em biocombustíveis e proteína animal representa uma das principais oportunidades de crescimento econômico para o estado nos próximos anos.
A Abertura Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra reforçou a relevância de Mato Grosso como maior produtor nacional de grãos e evidenciou o protagonismo crescente do milho no fortalecimento da economia rural e da agroindústria brasileira.





