Agro

Nova rota ao Pacífico pode reduzir custos e ampliar exportações de Mato Grosso, avalia Famato

Programa do governo federal prevê integração entre Brasil e Bolívia para fortalecer logística e abrir novos mercados internacionais.

DA REDAÇÃO / Foto: Famato

A criação do Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico foi recebida com expectativa positiva pelo setor agropecuário de Mato Grosso. A iniciativa, instituída pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), busca fortalecer a integração comercial e logística entre os dois países, criando novas alternativas para o escoamento da produção brasileira até os portos do Oceano Pacífico.

Para Mato Grosso, considerado um dos principais polos agropecuários do país e com extensa faixa de fronteira com a Bolívia, a medida surge como uma possibilidade de diminuir custos no transporte, reduzir distâncias e ampliar a competitividade no mercado internacional, especialmente nas exportações destinadas à Ásia.

Durante evento realizado em Brasília, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, afirmou que a proposta atende uma demanda histórica do setor produtivo.

Segundo ele, a criação de uma nova rota pode representar um avanço importante para a economia estadual.

“Mato Grosso enfrenta desafios históricos relacionados à distância dos grandes centros consumidores e dos portos. A abertura dessa integração pode impulsionar o desenvolvimento da região oeste e fortalecer ainda mais o agronegócio do Estado”, destacou.

O projeto prevê a consolidação de corredores logísticos transfronteiriços e coloca a região de Vila Bela da Santíssima Trindade como ponto estratégico dentro da chamada Rota 3/Rondon, que ligará a produção mato-grossense ao território boliviano e, posteriormente, aos portos localizados no Pacífico.

A expectativa é que a nova estrutura facilite o transporte de grãos, carnes e outros produtos do agronegócio, oferecendo uma alternativa às rotas tradicionais já utilizadas pelo setor.

Além dos ganhos logísticos, a proposta também é vista como uma oportunidade para fortalecer a cooperação econômica entre Brasil e Bolívia, ampliando o acesso a insumos agrícolas e estimulando novas oportunidades de desenvolvimento nas regiões de fronteira.

Vilmondes Tomain ressaltou ainda que Mato Grosso já possui avanços em infraestrutura voltados para essa conexão, como obras de pavimentação em direção à divisa com a Bolívia.

“O desafio agora é consolidar a continuidade desse corredor também em território boliviano, criando uma conexão eficiente e capaz de atender a demanda crescente do setor produtivo”, afirmou.

O programa também prevê ações voltadas ao incentivo de investimentos em infraestrutura, promoção comercial, facilitação regulatória e cooperação técnica e sanitária entre os países envolvidos.

A operacionalização do projeto ficará sob responsabilidade da Secretaria-Executiva do Ministério da Agricultura, que deverá instituir um Comitê Gestor para conduzir as próximas etapas do programa.

Para representantes do setor, a ampliação das alternativas de transporte e exportação é considerada essencial para aumentar a eficiência logística e fortalecer a competitividade da produção agropecuária mato-grossense.

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