Plano Safra 2026/2027 amplia recursos, mas redução no custeio preocupa produtores rurais

Entidade aponta que aumento anunciado pelo governo federal não acompanha inflação e alerta para dificuldades no acesso ao crédito rural.
DA REDAÇÃO / Foto: Bruno Lopes
O governo federal anunciou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027 com a previsão de R$ 525,1 bilhões destinados ao financiamento da produção agropecuária no país, desconsiderando os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Apesar de ser apresentado como o maior volume já disponibilizado, representantes do setor avaliam que a composição dos recursos acende um alerta para produtores rurais.
Do total anunciado, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização da produção, enquanto R$ 140,2 bilhões irão para investimentos.
A principal preocupação do setor está justamente na redução dos recursos voltados ao custeio e comercialização, considerados fundamentais para financiar o ciclo produtivo. No plano anterior, o segmento recebeu R$ 414,7 bilhões. Para o novo ciclo, o valor caiu para R$ 384,9 bilhões, representando uma redução nominal de R$ 29,8 bilhões.
Embora o volume total do programa tenha registrado aumento aproximado de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior, a elevação representa crescimento nominal de cerca de 1,7%. Considerando a inflação acumulada de 4,4% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos últimos 11 meses, representantes do setor apontam que seriam necessários aproximadamente R$ 538,7 bilhões apenas para manter o mesmo patamar real de recursos da safra anterior.
O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, afirmou que o cenário gera preocupação diante do aumento dos custos de produção e das restrições no acesso ao crédito.
Segundo ele, mesmo com a redução das taxas de juros em algumas modalidades, a diminuição dos recursos voltados ao custeio pode impactar diretamente o financiamento das etapas ligadas ao plantio, manutenção e comercialização da safra.
A entidade informou ainda que já havia levado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) propostas relacionadas ao endividamento rural antes do lançamento do plano, defendendo medidas para ampliar a capacidade financeira dos produtores e evitar aumento da inadimplência.
Outro ponto destacado é a maior participação de instrumentos privados no financiamento rural, como a Cédula de Produto Rural (CPR). Dados apresentados mostram crescimento da utilização desse mecanismo em comparação às linhas tradicionais de crédito, cenário que, segundo o setor, pode ampliar a exposição do produtor às condições de mercado e às exigências financeiras.
Além do custeio, programas voltados à modernização da atividade rural também registraram redução de recursos, entre eles linhas ligadas à irrigação, mecanização agrícola, armazenagem e sustentabilidade no campo.
Representantes do agronegócio defendem que, além do volume anunciado, a efetividade das políticas dependerá da facilidade de acesso ao crédito e da capacidade dos recursos chegarem aos produtores rurais.



