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GOLPES DIGITAIS: DEFENSORIA PÚBLICA DE MT ALERTA PARA FRAUDES COM USO DE NOME DE ÓRGÃOS PÚBLICOS

Mensagens falsas com ameaças de bloqueio de CPF, promessas de valores judiciais e pedidos de Pix estão entre as principais estratégias usadas por criminosos

DA REDAÇÃO
Foto: Reprodução

A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT) reforçou o alerta à população sobre o aumento de golpes digitais praticados por criminosos que utilizam indevidamente nomes, logotipos, imagens e informações de órgãos públicos para aplicar fraudes.

As abordagens costumam ocorrer por WhatsApp, e-mails, redes sociais, anúncios patrocinados e páginas falsas na internet. Entre as principais tentativas de enganar as vítimas estão mensagens com ameaças de bloqueio do CPF, falsas liberações de benefícios, supostos valores judiciais a receber e cobranças de pagamentos via Pix.

A orientação é que qualquer comunicação suspeita seja confirmada diretamente nos canais oficiais da instituição antes do fornecimento de dados pessoais ou realização de transferências bancárias.

O alerta ganhou destaque após auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou falhas na prevenção e no combate aos chamados golpes de personificação governamental, quando criminosos se passam por órgãos públicos para conquistar a confiança das vítimas.

O levantamento foi aprovado pelo Plenário do TCU em junho, por meio do Acórdão nº 1.535/2026 – Plenário, referente ao processo TC 012.850/2025-0.

Segundo dados apresentados pelo Tribunal, entre janeiro e setembro de 2025 foram registrados mais de 75 casos de fraudes envolvendo a identidade de órgãos públicos, instituições financeiras e entidades ligadas ao Judiciário. No mesmo período, foram identificadas 855 páginas falsas e 572 ocorrências de phishing — técnica utilizada para roubar senhas, dados bancários, códigos de autenticação e informações pessoais.

Estudos analisados pelo TCU apontam que os golpes e fraudes digitais causaram prejuízos estimados em cerca de R$ 100 bilhões no Brasil em 2024, além de impactos emocionais e sociais às vítimas, como medo, constrangimento e perda de confiança nos serviços digitais.

DEFENSORIA ALERTA SOBRE FALSOS CONTATOS

O defensor público Carlos Eduardo Freitas, que atua no Núcleo da Defesa do Consumidor da DPEMT, em Cuiabá, destacou que a instituição tem registrado situações em que criminosos usam a identidade da Defensoria para dar aparência de legalidade às fraudes.

Segundo ele, a população deve ficar atenta porque a Defensoria Pública não cobra qualquer valor para prestar atendimento jurídico ou administrativo e não solicita pagamentos, depósitos ou transferências via Pix.

“É fundamental reforçar que a assistência jurídica prestada pela Defensoria é gratuita e que a instituição não solicita pagamentos, depósitos ou transferências via Pix para realizar atendimentos”, afirmou.

A recomendação é que, diante de uma mensagem suspeita, a pessoa não realize pagamentos, não informe dados pessoais ou bancários e preserve todas as provas, como conversas, números de telefone, e-mails, comprovantes e capturas de tela.

Também é indicado registrar boletim de ocorrência e comunicar a Defensoria caso o nome da instituição tenha sido utilizado indevidamente.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL É USADA PARA TORNAR FRAUDES MAIS REALISTAS

O relatório do TCU também apontou o uso de inteligência artificial como ferramenta para aumentar a credibilidade dos golpes.

Um levantamento do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou 1.770 anúncios fraudulentos publicados por 151 anunciantes relacionados a 87 sites entre os dias 10 e 21 de janeiro de 2025.

Do total analisado, 40,5% dos anúncios aparentavam representar páginas do Governo Federal e 70,3% apresentavam imagens, vídeos ou elementos produzidos ou modificados por ferramentas de inteligência artificial.

Os conteúdos prometiam valores a receber, benefícios públicos e facilidades envolvendo o Pix. Para convencer as vítimas, os criminosos utilizavam símbolos oficiais, imagens de autoridades e informações verdadeiras obtidas previamente.

PRINCIPAIS SINAIS DE QUE PODE SER UM GOLPE

A Defensoria orienta que alguns comportamentos devem levantar suspeita:

  • mensagens com tom de urgência ou ameaça;
  • avisos sobre “bloqueio imediato do CPF”;
  • promessa de benefício ou indenização inesperada;
  • cobrança de pagamento via Pix para liberar valores;
  • pedido de senha, código de autenticação ou dados bancários;
  • links desconhecidos ou diferentes dos endereços oficiais;
  • erros de escrita ou nomes semelhantes aos de instituições verdadeiras;
  • solicitação para instalar aplicativos ou compartilhar a tela do celular.

A recomendação do Ministério das Comunicações é nunca acessar links recebidos em mensagens suspeitas. O cidadão deve entrar nos serviços digitando diretamente o endereço oficial no navegador ou utilizando aplicativos legítimos das instituições.

CASO EM MATO GROSSO

Um dos casos registrados pela Defensoria ocorreu em Ribeirão Cascalheira, a 741 quilômetros de Cuiabá. Uma moradora recebeu contato de uma pessoa que se apresentou falsamente como estagiária da instituição.

A vítima foi informada de que teria direito ao recebimento de R$ 13,5 mil referentes a uma ação judicial, mas deveria pagar R$ 989 via Pix para supostamente liberar o alvará.

Após realizar a transferência, a moradora percebeu que havia caído em um golpe.

A DPEMT reforça que não solicita reconhecimento facial, assinatura digital ou transferência bancária para liberar valores de processos, benefícios ou atendimentos.

Em caso de dúvida, a população deve procurar diretamente os canais oficiais da Defensoria Pública de Mato Grosso, pelo WhatsApp (65) 99963-4454, pelo site institucional ou presencialmente em uma das unidades de atendimento.

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