ABÍLIO DIZ QUE GRUPO DE ILDE TAQUES NA PRESIDÊNCIA DA CÂMARA SERIA “PREJUÍZO” PARA SUA GESTÃO

Prefeito declara apoio à permanência de Paula Calil e demonstra preocupação com possível avanço de bloco ligado ao vereador do Podemos na eleição da Mesa Diretora
DA REDAÇÃO | FOTO: REPRODUÇÃO
A disputa pela Presidência da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (17), após o prefeito Abílio Brunini (PL) afirmar publicamente que vê com preocupação a possibilidade de o grupo que apoia o vereador Ilde Taques (Podemos) assumir o comando do Legislativo municipal.
Ao comentar o cenário político após um novo revés judicial na tentativa de viabilizar a recondução da atual presidente, Paula Calil (PL), Abílio afirmou que não considera Ilde, individualmente, uma ameaça à administração municipal. Segundo o prefeito, a preocupação está na composição política do grupo que sustenta a candidatura.
“Não acredito que seja ele a ameaça. O grupo que está com ele é um problema, porque é um grupo de oposição. Então imagina um grupo de oposição tomando a presidência da Câmara. É um prejuízo para a nossa gestão, com certeza”, declarou.
A manifestação ocorre em um momento decisivo das articulações para a formação da próxima Mesa Diretora da Câmara. A eleição está prevista para o dia 6 de outubro e, até lá, os grupos políticos devem intensificar a busca por votos entre os 27 vereadores.
DECISÃO JUDICIAL MANTÉM BARREIRA PARA MUDANÇA NO REGIMENTO
A disputa ganhou novos contornos após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso manter a exigência de quórum de dois terços dos vereadores para alterações no Regimento Interno da Câmara de Cuiabá. Na prática, são necessários 18 dos 27 parlamentares.
O julgamento no Órgão Especial acompanhou o entendimento da relatora, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, e manteve a negativa ao pedido de medida cautelar apresentado pelo Município de Cuiabá.
A ação ajuizada pela Prefeitura questiona dispositivos do Regimento Interno que estabelecem quórum qualificado para determinadas matérias.
No campo político, uma eventual derrubada da exigência poderia facilitar uma alteração nas regras relacionadas à Mesa Diretora e abrir caminho para uma nova candidatura de Paula Calil à Presidência da Câmara. Até o momento, porém, a exigência dos 18 votos permanece.
ABÍLIO MANTÉM APOIO A PAULA CALIL
Mesmo diante das dificuldades impostas pelo cenário judicial, Abílio afirmou que continuará apoiando Paula Calil e que pretende acompanhar a estratégia adotada pelo grupo aliado.
“Ela vai lutar até o fim e nós vamos lutar junto com ela. E, ganhando, a gente continua com a Paula na Presidência da Câmara”, afirmou.
O prefeito também disse que deixou claro aos vereadores aliados que respeitará a decisão tomada pelo próprio grupo.
“Eu falei para os vereadores: ‘O que vocês decidirem têm meu apoio’. Os vereadores lá estão bem consolidados, têm 13 votos dentro deles e estão tranquilos quanto a isso”, declarou.
GRUPOS DISPUTAM VOTOS E APRESENTAM CONTAGENS DIFERENTES
As articulações nos bastidores também revelam uma disputa pelos números. Aliados de Paula trabalham com a informação de que possuem 13 vereadores e buscam ampliar o bloco. Informações divulgadas recentemente apontam que o grupo tenta chegar a pelo menos 14 parlamentares, enquanto a atual presidente mantém a estratégia de buscar alternativas na Justiça.
Do outro lado, o grupo que apoia Ilde Taques também afirma ter 13 votos.
Nesta quinta-feira (17), a vereadora Dra. Mara (Podemos) reafirmou apoio à candidatura de Ilde e contestou a avaliação de Abílio de que o bloco seria formado essencialmente por opositores.
Segundo ela, entre os 13 parlamentares que atualmente estariam alinhados com Ilde, apenas quatro poderiam ser considerados opositores históricos do prefeito.
A diferença entre as contagens evidencia que as alianças ainda estão em processo de consolidação e que determinados vereadores podem estar sendo considerados por mais de um grupo durante as articulações políticas.
ILDE GANHA ESPAÇO ENQUANTO BASE DE ABÍLIO AVALIA ALTERNATIVAS
Com as dificuldades jurídicas enfrentadas por Paula Calil, Ilde Taques passou a ganhar espaço nas articulações pela Presidência da Câmara.
Paralelamente, o grupo governista avalia possíveis alternativas caso Paula fique definitivamente impedida de disputar a recondução. Nomes como Kássio Coelho, Wilson Kero Kero e outros vereadores da base já aparecem nas conversas de bastidores como possíveis opções.
Abílio, entretanto, reforçou que a prioridade continua sendo a atual presidente.
“Não sendo isso uma opção, aí o grupo deles lá que vai decidir o que será a opção deles”, afirmou.
A declaração evidencia a atenção do Palácio Alencastro sobre a formação da próxima Mesa Diretora. Embora o prefeito sustente que a decisão cabe aos vereadores, ele também deixou explícito que prefere a manutenção de Paula no comando da Câmara e considera problemática para sua gestão uma eventual vitória do grupo ligado a Ilde.
ELEIÇÃO PODE REDEFINIR RELAÇÃO ENTRE PREFEITURA E CÂMARA
A disputa pela Presidência da Câmara vai além da escolha de quem ocupará a principal cadeira do Legislativo. A composição da próxima Mesa Diretora poderá influenciar a relação entre Prefeitura e Câmara, a definição das pautas de votação, a tramitação de projetos enviados pelo Executivo e a correlação de forças políticas durante a segunda metade do mandato municipal.
Com Paula Calil ainda apostando nas possibilidades jurídicas e Ilde Taques ampliando as articulações no Legislativo, a eleição prevista para 6 de outubro entra em uma fase decisiva.
De um lado, permanece a batalha judicial pela possibilidade de recondução de Paula. Do outro, cresce a disputa política pelos votos dos 27 vereadores que definirão a composição da próxima Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá.



