OPERAÇÃO BASALTO: FACÇÃO É ALVO DE 34 MANDADOS POR TRÁFICO, EXTORSÃO E LAVAGEM DE DINHEIRO EM MT

Ação da Polícia Civil mira 12 suspeitos de prisão e cumpre buscas em Pedra Preta, Rondonópolis, Itiquira e Cuiabá; mais de 50 comerciantes aparecem em documentos relacionados ao esquema de extorsão
Da Redação
Foto: Reprodução
Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso resultou na deflagração, nesta terça-feira (8), da Operação Basalto, que tem como alvo uma organização criminosa suspeita de atuar com tráfico de drogas, extorsão de comerciantes e lavagem de dinheiro.
Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 34 ordens judiciais, sendo 12 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão. As medidas são executadas em Pedra Preta, Rondonópolis, Itiquira e Cuiabá, incluindo diligências realizadas em unidades prisionais do Estado.
A operação é resultado de uma investigação iniciada pela Delegacia de Polícia de Pedra Preta e busca interromper a estrutura financeira e operacional do grupo criminoso.
Além das prisões e buscas, foram impostas medidas cautelares contra oito investigados. Entre as determinações estão o comparecimento periódico à Justiça, proibição de contato com outros suspeitos, restrição de acesso a determinados locais e impedimento de deixar a comarca sem autorização judicial.
A Justiça também determinou o bloqueio de valores e outros ativos financeiros ligados a três investigados e a uma empresa. Uma pessoa jurídica apontada nas investigações como possível instrumento para movimentação e ocultação de dinheiro também teve as atividades econômicas e financeiras suspensas.
INVESTIGAÇÃO COMEÇOU APÓS PRISÃO POR TRÁFICO
As apurações tiveram início em fevereiro de 2025, depois que uma pessoa foi presa em flagrante por tráfico de drogas no município de Pedra Preta.
A partir da prisão, os investigadores passaram a reunir informações que permitiram ampliar o conhecimento sobre o funcionamento da organização criminosa. Durante o trabalho policial foram analisadas mensagens, áudios, imagens, comprovantes de transações bancárias e planilhas.
O cruzamento desses dados apontou para uma estrutura organizada, com diferentes funções distribuídas entre integrantes do grupo. Segundo as investigações, havia pessoas responsáveis pela liderança, gerenciamento local, movimentação financeira, distribuição de entorpecentes e monitoramento das forças de segurança.
Outro ponto identificado foi a possível participação de integrantes que estariam presos. De acordo com a investigação, parte das determinações relacionadas às atividades criminosas seria transmitida de dentro de unidades prisionais por meio de celulares utilizados clandestinamente.
Os grupos de comunicação eram utilizados, conforme os investigadores, para organizar tarefas, controlar valores, realizar prestações de contas e repassar orientações aos demais integrantes.
MAIS DE 50 COMERCIANTES SÃO CITADOS EM DOCUMENTOS
A investigação também chegou a um suposto esquema de extorsão contra comerciantes de Pedra Preta.
Documentos apreendidos e analisados pelos investigadores apresentam informações referentes a mais de 50 estabelecimentos comerciais, com registros de cobranças periódicas que, segundo a apuração, seriam destinadas à organização criminosa.
A suspeita é de que os comerciantes eram obrigados a efetuar pagamentos diante do receio de sofrer represálias atribuídas aos integrantes da facção.
Entre os materiais utilizados como elementos de prova estão conversas, listas de estabelecimentos, planilhas com valores individualizados e comprovantes de transferências bancárias.
A análise desses documentos teria permitido aos investigadores identificar não apenas os estabelecimentos envolvidos no esquema, mas também a forma como os valores eram cobrados e posteriormente movimentados.
CONTAS DE TERCEIROS TERIAM SIDO USADAS PARA MOVIMENTAR DINHEIRO
As apurações apontaram ainda para a utilização de contas bancárias de terceiros e de uma empresa na circulação de recursos que, segundo a investigação, seriam provenientes do tráfico de drogas e das extorsões.
A suspeita é de que essas estruturas financeiras eram utilizadas para dificultar o rastreamento da origem dos valores e ocultar o patrimônio relacionado às atividades criminosas.
Com base no conjunto de informações reunidas ao longo da investigação, a Polícia Civil solicitou ao Poder Judiciário a adoção das medidas contra os investigados.
Os pedidos foram deferidos pela Justiça e cumpridos nesta terça-feira (8), durante a Operação Basalto.
INVESTIGAÇÃO CONTINUA
Após o cumprimento dos mandados, os investigadores deverão analisar documentos, equipamentos eletrônicos e demais materiais eventualmente apreendidos durante as buscas.
A nova etapa da apuração deverá auxiliar na identificação de outros possíveis integrantes da organização criminosa e esclarecer a participação individual dos investigados nos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, extorsão e lavagem de dinheiro.
A operação também busca avançar na identificação do caminho percorrido pelos recursos financeiros supostamente obtidos por meio das atividades ilícitas.



