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AFROTECA INSPIRA EXPANSÃO DO ACERVO NEGRO NAS BIBLIOTECAS DE VÁRZEA GRANDE

Projeto criado na Biblioteca Laurinda Coelho Pereira será ampliado para outros espaços públicos de leitura e poderá chegar ao futuro Céu da Cultura

DA REDAÇÃO | FOTO: André Luis

O sucesso da Afroteca, inaugurada recentemente na Biblioteca Pública Municipal Professora Laurinda Coelho Pereira, em Várzea Grande, já começa a impulsionar uma nova etapa do projeto. A proposta da Prefeitura é ampliar o acervo dedicado à história, à cultura, à memória e à produção intelectual negra para outros equipamentos públicos de leitura do município.

Criada por meio de uma parceria entre a Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SMECEL), e o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (CMPIR/VG), a Afroteca foi inaugurada no dia 10 de setembro.

A iniciativa reúne livros e obras que apresentam diferentes perspectivas sobre a população negra, suas trajetórias, personagens, conquistas e contribuições para a sociedade. Com a expansão, a intenção é descentralizar esse conhecimento e ampliar o acesso de crianças, adolescentes e moradores de diferentes regiões da cidade a esse conteúdo.

Segundo a superintendente de Cultura, Lu Arruda, a ampliação será planejada de acordo com o perfil e as características de cada equipamento público.

Na Biblioteca Inhazinha, por exemplo, a prioridade será a formação de um acervo direcionado ao público infantojuvenil, que possui grande circulação no espaço.

“Como temos um público infantojuvenil muito grande e uma rotatividade bastante significativa de crianças e adolescentes, vamos levar para lá acervos voltados especificamente para esse público. A linguagem precisa conversar com essas idades e despertar o interesse pela leitura”, explicou Lu Arruda.

PROJETO DEVE CHEGAR AO CÉU DA CULTURA

A expansão também prevê a instalação de um ponto de leitura no Centro Cultural. O espaço deverá receber obras diversificadas e ampliar as opções disponíveis para a população.

A proposta é que o projeto esteja presente ainda no futuro Céu da Cultura, previsto para a região do Chapéu do Sol. O complexo deverá contar com uma nova biblioteca, além de espaços destinados ao teatro, audiovisual e outras atividades culturais.

“A Afroteca também estará presente no Céu da Cultura. Será uma biblioteca muito ampla, com acervo atualizado e diversos espaços para atender a população”, destacou a superintendente.

Além da literatura e da cultura negra, a Superintendência de Cultura pretende aproveitar a expansão dos equipamentos de leitura para valorizar também a história e a identidade dos diferentes bairros e regiões de Várzea Grande.

A ideia é aproximar os moradores das histórias e características das próprias comunidades. A presença de obras que retratem bairros, personagens, manifestações culturais e trajetórias locais pode transformar as bibliotecas em espaços de identificação e pertencimento.

LEITURA COMO POLÍTICA PÚBLICA

Para a secretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Maria Fernanda Figueiredo, ampliar o acesso aos livros e estimular o hábito da leitura desde a infância é uma responsabilidade do poder público.

“Valorizar a leitura desde a infância é investir na formação de cidadãos mais conscientes, curiosos e preparados para compreender o mundo ao seu redor. E essa formação também passa pela possibilidade de nossas crianças e adolescentes encontrarem nos livros diferentes histórias, culturas e personagens nos quais possam se reconhecer. É uma obrigação do poder público estar atento a essa questão e criar cada vez mais oportunidades de acesso à leitura e ao conhecimento”, destacou.

A secretária também defende que as políticas de incentivo à leitura ultrapassem os limites das escolas e estejam presentes em bibliotecas, centros culturais e demais espaços públicos, ampliando as oportunidades de contato com os livros para toda a comunidade.

RECEPTIVIDADE IMPULSIONOU EXPANSÃO

A decisão de ampliar a Afroteca surgiu após a receptividade do público durante a inauguração do primeiro espaço, na Biblioteca Laurinda Coelho Pereira.

De acordo com Lu Arruda, a resposta dos moradores demonstrou a existência de uma demanda por maior representatividade nos equipamentos públicos de leitura.

“Foi um sucesso. As pessoas se sentiram representadas dentro da biblioteca. Esse é o diferencial: quando conseguem se conectar com um equipamento público, percebem que aquele espaço também pertence a elas”, afirmou.

Com a ampliação, a Prefeitura de Várzea Grande pretende levar a proposta para diferentes regiões do município e fortalecer as bibliotecas e pontos de leitura como espaços de conhecimento, cultura, identidade e pertencimento.

A expectativa é que a Afroteca deixe de ser uma iniciativa concentrada em um único equipamento e avance para uma rede de acesso à literatura, à história e à cultura negra, acompanhando também a expansão dos espaços culturais públicos de Várzea Grande.

O Povo MT segue acompanhando as ações de cultura, educação e incentivo à leitura desenvolvidas em Várzea Grande.

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