AGROINDÚSTRIA COBRA AMPLIAÇÃO DA OFERTA DE BIOMASSA E AVANÇO NA RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS RURAIS EM MT

Reunião do Coagro debateu o crescimento da demanda energética das agroindústrias, o endividamento dos produtores e a crise enfrentada pela suinocultura em Mato Grosso.
DA REDAÇÃO
Foto: Fiemt
A expansão da oferta de biomassa para atender ao crescimento das agroindústrias de Mato Grosso, a renegociação de dívidas rurais e a situação econômica da suinocultura dominaram os debates da 2ª Reunião Ordinária de 2026 do Conselho Temático da Agroindústria (Coagro), da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt).
O encontro foi realizado nesta segunda-feira (27), na sede do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), reunindo representantes da cadeia produtiva, conselheiros e especialistas para discutir os desafios e perspectivas do setor agroindustrial.
Entre os principais assuntos esteve a apresentação do Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa de Mato Grosso 2026–2040, conduzida pela superintendente de Agronegócios e Energia da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Camila Bez.
O planejamento prevê ampliar a área de florestas plantadas para 700 mil hectares e expandir para 6,5 milhões de hectares as áreas destinadas ao manejo florestal sustentável até 2040. O documento estabelece 13 diretrizes, 45 ações estratégicas e nove metas voltadas ao fortalecimento da cadeia florestal e da produção de biomassa.
Apesar de avaliarem positivamente a proposta, representantes da agroindústria defenderam ajustes nas metas para acompanhar o ritmo de expansão do setor, especialmente diante do crescimento acelerado da produção de etanol de milho.
Segundo dados apresentados durante a reunião, apenas essa cadeia produtiva já demanda uma área estimada em cerca de 980 mil hectares para garantir o fornecimento de biomassa. A expectativa é de que o consumo de cavaco, lenha e outros insumos energéticos aumente ainda mais nos próximos anos, somando-se às necessidades de frigoríficos e unidades de secagem de grãos.
O presidente do Coagro, Cleiton Gauer, destacou que o planejamento precisa acompanhar a velocidade de crescimento da agroindústria mato-grossense.
“O crescimento da agroindústria de Mato Grosso exige planejamento para garantir oferta de biomassa, acesso ao crédito e competitividade às cadeias produtivas. A expansão do etanol de milho, somada à demanda já consolidada dos frigoríficos e da secagem de grãos, mostra que o plano florestal precisa acompanhar a realidade do setor. Ao mesmo tempo, a renegociação das dívidas deve chegar efetivamente ao produtor, permitindo a continuidade da atividade e dos investimentos no campo”, afirmou.
Renegociação de dívidas em pauta
Outro tema de destaque foi a Medida Provisória nº 1.376/2026, que cria mecanismos para a renegociação de dívidas de produtores rurais prejudicados por perdas de safra, eventos climáticos e redução de renda.
O diretor de Relações Institucionais do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), Giuseppe Lobo, apresentou aos participantes as regras da medida, incluindo critérios para enquadramento, limites de crédito, taxas de juros, prazos de pagamento e exigências para comprovação das perdas.
Entre os requisitos estão a apresentação de laudo técnico elaborado por profissional habilitado e a comprovação da redução da renda bruta. A proposta contempla operações de custeio, comercialização, industrialização e investimentos rurais.
Durante a apresentação, Giuseppe reforçou que o prazo para envio de sugestões de emendas à Medida Provisória termina em 6 de agosto, ressaltando a importância da participação das entidades representativas para aperfeiçoar o texto e ampliar o acesso dos produtores ao benefício.
Suinocultura enfrenta queda de preços
A crise enfrentada pelos produtores de suínos também foi debatida na reunião. O presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tanure, apresentou um panorama do setor e alertou para a redução expressiva na rentabilidade da atividade.
Segundo ele, o preço pago pela carcaça suína caiu, em média, cerca de 40%, comprometendo a margem de lucro dos produtores e agravando a pressão financeira sobre as propriedades rurais.
Ao final da reunião, os integrantes do Coagro definiram encaminhamentos para acompanhar tanto a tramitação da Medida Provisória quanto possíveis adequações no Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa, com o objetivo de garantir segurança energética e competitividade para a agroindústria de Mato Grosso.



