Saúde

Após ação da Defensoria, menino de 11 anos consegue cirurgia para corrigir pé torto congênito em MT

Criança aguardava há mais de uma década por procedimento considerado essencial para recuperar mobilidade e qualidade de vida

A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso garantiu, por meio de ação judicial, que o Estado de Mato Grosso e o Município de Poxoréu realizassem uma cirurgia de correção de pé torto congênito em um garoto de 11 anos que aguardava há mais de uma década pelo procedimento.

A ação foi movida em favor do menino identificado pelas iniciais S.R. da S., que convivia desde o nascimento com a deformidade e enfrentava dificuldades severas de mobilidade, dores constantes e impactos emocionais provocados pelo agravamento do quadro clínico.

O caso foi acompanhado pelo defensor público Marcelo De Nardi e pela assessora jurídica Geovana Alvarenga, responsáveis pela atuação no núcleo da Defensoria em Poxoréu.

Segundo Geovana, a criança chegou a passar por duas cirurgias ainda nos primeiros anos de vida, mas os procedimentos não conseguiram corrigir a deformidade. Em 2021, uma nova cirurgia foi indicada, porém o procedimento só ocorreu agora após determinação judicial.

“Ele foi submetido a duas cirurgias, uma antes de completar um ano e outra pouco depois. Mas, como não houve solução do problema, em 2021 veio uma nova recomendação cirúrgica, realizada somente agora após a ação judicial”, explicou.

Com o passar dos anos, a demora no atendimento agravou a condição física da criança, causando deformidades ósseas, limitação dos movimentos, dificuldades para andar, correr e até utilizar calçados adequadamente.

A cirurgia foi prescrita pela médica ortopedista Tais Lima, responsável pelo acompanhamento do paciente. Conforme o laudo médico, a deformidade já provocava desalinhamento articular, artrose degenerativa e comprometimento significativo da mobilidade do menino.

Além das limitações físicas, a Defensoria destacou que o problema também trouxe impactos emocionais e sociais à criança, afetando diretamente sua autoestima e convivência social.

O defensor Marcelo De Nardi relatou que o caso teve impacto pessoal em sua atuação.

“Essa história me tocou porque meu filho também nasceu com a mesma condição e recebeu tratamento logo nos primeiros dias de vida. Não podemos permitir que crianças sofram por mais de uma década devido à burocracia e à falta de ação do poder público”, afirmou.

A ação judicial foi protocolada em maio de 2025 contra o Estado de Mato Grosso e o Município de Poxoréu. Em setembro do mesmo ano, o juiz Darwin de Souza Pontes, da 2ª Vara Cível de Poxoréu, concedeu tutela de urgência determinando que a cirurgia fosse realizada em até 30 dias.

Mesmo após a decisão favorável, o procedimento não foi executado dentro do prazo determinado pela Justiça. A Defensoria informou que precisou realizar novas intervenções no processo para garantir o cumprimento da ordem judicial.

Segundo Geovana Alvarenga, o Sistema de Regulação (Sisreg) não tratava o procedimento como prioridade, o que atrasou ainda mais a cirurgia.

O procedimento finalmente foi realizado na última segunda-feira (4). A criança recebeu alta médica e, conforme a Defensoria Pública, apresenta boa recuperação.

Autor: Luciana Bueno / Foto: Reprodução

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