Saúde

CALOR, SECA E QUEIMADAS AUMENTAM RISCO DE ANIMAIS PEÇONHENTOS DENTRO DE CASAS EM VÁRZEA GRANDE

Escorpiões lideram registros de acidentes no município; CCZ orienta moradores sobre cuidados para evitar a entrada e a permanência desses animais nas residências

Por Luciana Bueno
Foto: Matheus Guimarães / Secom-VG

O período de estiagem, marcado por temperaturas elevadas e aumento das queimadas, exige atenção redobrada dos moradores de Várzea Grande para evitar acidentes com animais peçonhentos. Com a alteração das condições ambientais, escorpiões, aranhas, lacraias, abelhas e serpentes podem deixar seus habitats em busca de água, alimento, abrigo e locais com temperaturas mais amenas.

De acordo com a bióloga Thayse Oliveira, do Centro de Controle de Zoonoses de Várzea Grande (CCZ-VG), o calor intenso e a destruição de áreas naturais provocada pelas queimadas podem favorecer a aproximação desses animais das regiões urbanizadas.

A existência de terrenos baldios, entulhos, lixo, restos de materiais de construção e outros pontos que ofereçam abrigo também contribui para a presença desses animais próximos às residências.

ESCORPIÕES CONCENTRAM MAIOR NÚMERO DE ACIDENTES

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) apontam que os escorpiões são responsáveis pela maior parte dos acidentes com animais peçonhentos registrados em Várzea Grande.

Entre janeiro e agosto de 2026, foram contabilizadas 60 notificações de picadas de escorpião. No mesmo período de 2025, o município havia registrado 88 casos.

Os acidentes envolvendo abelhas aparecem na sequência, com 23 registros neste ano, contra 21 no mesmo período do ano passado. As aranhas somaram 22 notificações em 2026, diante de 19 em 2025.

Já os acidentes com serpentes chegaram a 14 registros neste ano, o dobro dos sete casos contabilizados entre janeiro e agosto de 2025.

As ocorrências estão distribuídas por diferentes regiões da cidade, mas a Região 1 concentra o maior número de notificações. A área engloba localidades como Grande Cristo Rei, Parque do Lago, Uniparque, Santa Clara, Aurília Curvo, parte do Ponte Nova e Manga.

BARATAS PODEM ATRAIR ESCORPIÕES

Um dos principais fatores que favorecem o aparecimento de escorpiões dentro de imóveis é a presença de baratas, que estão entre as fontes de alimento desses animais.

Por isso, manter os ambientes limpos e eliminar locais que possam servir de esconderijo são medidas importantes. Pilhas de telhas, restos de madeira, folhas, entulhos, materiais de construção e objetos acumulados nos quintais podem oferecer abrigo.

O CCZ-VG orienta os moradores a observar quatro fatores que favorecem a permanência desses animais: abrigo, acesso, alimento e água. Reduzir essas condições torna o ambiente menos atrativo para escorpiões e outros animais peçonhentos.

CUIDADOS DENTRO E FORA DE CASA

Entre as principais recomendações estão manter quintais limpos, evitar o acúmulo de materiais e entulhos, controlar a presença de insetos e manter lixeiras devidamente fechadas.

Também é importante proteger ou tampar ralos, vedar frestas em paredes, pisos e portas e evitar roupas, toalhas e cobertas amontoadas no chão.

Calçados devem ser examinados antes do uso, assim como roupas e toalhas devem ser sacudidas. Camas não devem ficar encostadas diretamente nas paredes e cobertas e mosquiteiros não devem permanecer em contato com o chão.

No jardim, a orientação é controlar plantas e trepadeiras próximas às janelas e utilizar calçados fechados e luvas apropriadas durante atividades de jardinagem.

Outra recomendação é nunca colocar as mãos em buracos, frestas ou locais que não permitam visualizar o interior.

Os cuidados devem ser ainda maiores durante a noite, período em que os escorpiões apresentam maior atividade e costumam sair dos esconderijos para procurar alimento.

RALOS E TUBULAÇÕES PODEM SERVIR DE ACESSO

De acordo com o CCZ-VG, sistemas de esgoto, ralos e tubulações podem funcionar como pontos de entrada de escorpiões nas residências.

Imóveis próximos a terrenos baldios também precisam de atenção. Uma das medidas preventivas é manter uma faixa limpa junto aos muros, evitando vegetação excessiva, entulhos e materiais que possam formar esconderijos.

O uso indiscriminado de inseticidas e outros produtos químicos também não é considerado a principal estratégia de controle. A aplicação pode provocar o deslocamento dos animais, fazendo com que deixem um esconderijo e procurem outro local, inclusive dentro das casas.

A orientação é priorizar a eliminação das condições que oferecem abrigo, alimento e acesso aos animais.

NÃO PEGUE O ANIMAL COM AS MÃOS

Ao encontrar um escorpião, o morador não deve tentar capturá-lo diretamente com as mãos. Mesmo quando aparenta estar morto, o animal pode oferecer risco.

Quando for possível realizar a captura com segurança, o animal pode ser colocado cuidadosamente em um recipiente apropriado para identificação. Em situações de aparecimento recorrente, o CCZ-VG pode ser acionado para orientar a família e avaliar as condições do imóvel.

O atendimento pode ser solicitado pelo WhatsApp (65) 98476-5719.

Durante a vistoria, a equipe verifica possíveis pontos de abrigo, acesso e alimentação que estejam favorecendo a presença dos animais.

PICADA EXIGE ATENDIMENTO MÉDICO

Em caso de acidente com animal peçonhento, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente. Em Várzea Grande, o Pronto-Socorro Municipal possui estrutura para atender esse tipo de ocorrência e disponibiliza medicamentos e soros específicos quando houver indicação clínica.

O uso de soro não é necessário em todos os casos. A decisão depende da avaliação de um profissional de saúde, que considera os sintomas, a espécie envolvida, a idade e as condições clínicas da vítima.

Crianças e idosos exigem atenção especial. A gravidade também não pode ser determinada apenas pelo tamanho do animal, já que espécies pequenas podem provocar consequências importantes dependendo da situação.

TRÊS ESPÉCIES DE ESCORPIÃO SÃO ENCONTRADAS EM MATO GROSSO

No Brasil, quatro espécies de escorpiões são consideradas de importância médica: Tityus serrulatus, conhecido como escorpião-amarelo; Tityus bahiensis, chamado de escorpião-marrom; Tityus obscurus, conhecido como escorpião-preto-da-Amazônia; e Tityus stigmurus, o escorpião-amarelo-do-Nordeste.

Segundo o CCZ-VG, três dessas espécies podem ser encontradas em Mato Grosso. A identificação, entretanto, nem sempre é simples, já que algumas apresentam características semelhantes.

Por esse motivo, a orientação é não tentar identificar a espécie apenas pela aparência ou coloração e evitar qualquer contato direto com o animal.

PREVENÇÃO REDUZ O RISCO

Durante a estiagem e o período de queimadas, a combinação entre altas temperaturas, perda de habitat e busca por água, alimento e abrigo pode aumentar a aproximação de animais peçonhentos das áreas urbanas.

A principal estratégia de prevenção é manter os ambientes organizados e reduzir as condições que favorecem a presença desses animais. Limpeza frequente, eliminação de entulhos, controle de insetos, vedação de possíveis acessos e atenção aos ralos e frestas estão entre as medidas mais eficazes para proteger as residências.

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