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CASARÕES DO CENTRO HISTÓRICO DE CUIABÁ APRESENTAM RISCO DE DESABAMENTO E PASSAM POR VISTORIA

Prefeitura e IPHAN avaliam imóveis deteriorados e preparam medidas de prevenção, incluindo escoramento de estruturas; período chuvoso aumenta a preocupação com a conservação.

DA REDAÇÃO | FOTO: SECOM/CBA

Casarões antigos do Centro Histórico de Cuiabá estão sob avaliação técnica após levantamentos identificarem sinais de deterioração e risco estrutural em algumas edificações. Para prevenir desabamentos e preservar o patrimônio histórico da capital, a Prefeitura de Cuiabá e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) realizaram, nesta quinta-feira (15), uma vistoria conjunta nos imóveis.

A ação contou com equipes da Secretaria Municipal de Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano. Durante a inspeção, os técnicos verificaram as condições das estruturas e reuniram informações para definir as intervenções necessárias, especialmente nos prédios que apresentam maior comprometimento.

Os levantamentos municipais realizados anteriormente apontaram imóveis com falta de manutenção, degradação dos materiais e necessidade de escoramento. A preocupação aumenta com a chegada do período chuvoso, que pode agravar os danos em construções já fragilizadas.

IMÓVEIS PODEM PRECISAR DE ESCORAMENTO

O secretário municipal de Defesa Civil, coronel Alessandro Borges, explicou que a Prefeitura já havia elaborado um relatório técnico sobre a situação das edificações e encaminhado o documento aos órgãos responsáveis para análise conjunta.

Segundo ele, a exposição prolongada ao sol e à chuva, somada à falta de manutenção, contribui para o desgaste das construções.

“Essas casas estão sofrendo com a falta de manutenção. Muitas estão abandonadas e, com a ação do sol e da chuva ao longo do tempo, os materiais vão se deteriorando. Algumas já estão escoradas e outras também vão precisar desse suporte. Para resolver essa questão, será necessária uma reforma geral, para evitar que essas edificações desabem e se percam”, destacou.

O diretor técnico do Patrimônio Histórico de Cuiabá, Josino Bisneto de Moura, da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, afirmou que as vistorias identificaram situações preocupantes, inclusive em imóveis pertencentes ao próprio município.

“Fizemos uma série de vistorias e levantamentos junto com a Defesa Civil Municipal e constatamos situações que estão próximas do colapso em algumas edificações. A partir desse trabalho, queremos levantar as condições necessárias para prevenir esses problemas”, afirmou.

Para os imóveis sob responsabilidade da Prefeitura, os estudos e projetos para serviços de escoramento e manutenção já estão prontos. A expectativa é reduzir os riscos e proteger as estruturas enquanto são definidas as medidas necessárias para sua conservação.

IPHAN PREVÊ APOIO TÉCNICO E CAPACITAÇÃO

Além das ações emergenciais, a parceria com o IPHAN busca ampliar a capacidade técnica de preservação do Centro Histórico. Entre as iniciativas previstas estão capacitações para engenheiros e arquitetos, padronização de projetos e orientações a proprietários e comerciantes sobre intervenções adequadas em imóveis localizados na área tombada.

O coordenador-geral de Conservação do IPHAN e gestor do programa Conviver, Paulo Farsetti, explicou que o instituto também desenvolve ações voltadas a moradores e proprietários que não possuem recursos suficientes para custear a recuperação de edificações históricas.

“Temos uma frente de trabalho dedicada a moradores e proprietários de imóveis tombados nos centros históricos brasileiros que não têm renda suficiente para fazer a conservação. São os chamados canteiros-modelos de conservação, que permitem recuperar essas edificações, capacitar estudantes de arquitetura e engenharia e envolver a comunidade na valorização desse patrimônio”, explicou.

PARCERIA COM A UFMT

Em Cuiabá, o trabalho é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e envolve técnicas tradicionais de construção, como o uso de terra crua e madeira.

A iniciativa busca contribuir para a formação de novos profissionais e incentivar a participação da comunidade na preservação das edificações, conciliando o conhecimento técnico com métodos construtivos tradicionais.

A vistoria conjunta representa mais uma etapa no diagnóstico das condições dos casarões e demais construções antigas da capital. A partir dos resultados, os órgãos envolvidos poderão estabelecer prioridades, orientar intervenções e definir medidas para reduzir os riscos estruturais.

A preservação desses imóveis é importante não apenas para a segurança de moradores, trabalhadores e visitantes, mas também para manter viva a memória arquitetônica e cultural de Cuiabá.

O Povo MT segue acompanhando as ações voltadas à segurança e à preservação do patrimônio histórico da capital.

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