MT AMPLIA EXPORTAÇÕES DE CARNE BOVINA EM 2.242% APÓS 25 ANOS DE CONTROLE DA FEBRE AFTOSA

Estado exportou 566,5 mil toneladas de carne bovina entre janeiro e setembro de 2026, movimentando US$ 3,4 bilhões; China lidera as compras da proteína mato-grossense.
DA REDAÇÃO | FOTO: IMAC
Mato Grosso consolidou sua posição como maior produtor de carne bovina do Brasil e ampliou sua participação no mercado internacional após 25 anos de reconhecimento como área livre de febre aftosa com vacinação. Entre 2001 e os primeiros nove meses de 2026, o volume de carne bovina exportado pelo estado cresceu 2.242%, passando de 24,1 mil toneladas para 566,5 mil toneladas.
Os dados mostram a transformação da pecuária mato-grossense ao longo das últimas décadas, marcada pelo avanço do controle sanitário, investimentos em tecnologia e melhoramento genético, além da modernização dos sistemas de produção.
De janeiro a setembro de 2026, as exportações de carne bovina de Mato Grosso movimentaram US$ 3,4 bilhões, com vendas para mais de 90 países. O resultado evidencia a ampliação dos mercados compradores e o fortalecimento da proteína produzida no estado no comércio internacional.
CONTROLE SANITÁRIO ABRIU CAMINHO PARA NOVOS MERCADOS
A certificação concedida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), há 25 anos, representou um marco para a pecuária estadual. A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta animais de casco fendido, podendo provocar perda de peso, dificuldades de locomoção e até a morte de animais jovens.
O reconhecimento sanitário contribuiu para ampliar as possibilidades comerciais da carne bovina mato-grossense, especialmente em mercados que exigem garantias rigorosas de sanidade animal.
No início dos anos 2000, a realidade da atividade era diferente. A pecuária tinha predominância de sistemas extensivos, baseados em grandes áreas de pastagem e com menor utilização de tecnologias voltadas ao aumento da produtividade.
Em 2001, as exportações de carne bovina do estado geraram US$ 47,5 milhões, com embarques para 29 países. O Egito era o principal comprador, responsável por 40,7% do volume comercializado, o equivalente a 9,7 mil toneladas.
TECNOLOGIA E MELHORAMENTO GENÉTICO IMPULSIONARAM A PRODUÇÃO
Além dos avanços no controle sanitário, a pecuária de Mato Grosso passou por mudanças nos sistemas de criação e manejo. Investimentos em genética, recuperação de pastagens, suplementação alimentar e intensificação da produção contribuíram para elevar a produtividade por hectare e melhorar a qualidade dos animais destinados ao abate.
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Oliveira, o crescimento das exportações é resultado de um processo de transformação que envolveu produtores e o fortalecimento das medidas sanitárias.
“A pecuária de Mato Grosso passou por uma transformação nesses 25 anos. O produtor investiu em genética, tecnologia e manejo e conseguiu aumentar a produtividade. Ao mesmo tempo, o trabalho de controle sanitário foi fundamental para garantir a segurança da produção e permitir que o estado conquistasse espaço no mercado internacional”, afirmou.
CHINA SE TORNA PRINCIPAL DESTINO DA CARNE DE MT
A mudança no perfil dos compradores internacionais também ajuda a dimensionar a expansão do setor. Em 2001, a China não importava carne bovina mato-grossense. Vinte e cinco anos depois, o país asiático se tornou o principal destino da proteína produzida no estado.
Entre janeiro e setembro de 2026, os chineses adquiriram 252,3 mil toneladas, correspondentes a 44,5% do volume total exportado por Mato Grosso no período.
O avanço das vendas internacionais reforça a importância da cadeia da carne bovina para a economia estadual, impulsionada pela combinação entre produção em larga escala, investimentos tecnológicos, controle sanitário e acesso a mercados consumidores de diferentes regiões do mundo.
O Povo MT segue acompanhando os resultados do agronegócio mato-grossense e os fatores que fortalecem a competitividade de Mato Grosso no mercado internacional.



