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DIA NACIONAL DA BANANA DESTACA PRODUTOR DE DOM AQUINO QUE INVESTE NA EXPANSÃO DA CULTURA

Com cerca de 72 hectares plantados, Wildon Cardoso aposta nas variedades nanica e banana-da-terra e busca ampliar a produção; cultura já ocupa 42,1% da área de fruticultura acompanhada pelo Senar MT

DA REDAÇÃO | FOTO: SISTEMA FAMATO

No Dia Nacional da Banana, celebrado nesta terça-feira (22), a produção da fruta ganha destaque em Mato Grosso como uma alternativa de diversificação no campo e geração de renda. Em Dom Aquino, no sudeste do Estado, o produtor rural e presidente do Sindicato Rural do município, Wildon Cardoso de Souza, mantém cerca de 72 hectares dedicados ao cultivo e planeja ampliar a atividade.

Wildon administra duas propriedades, o Sítio Paraíso e o Sítio São José, onde cultiva as variedades banana nanica e banana-da-terra. Ao todo, são aproximadamente 160 mil plantas, divididas entre cerca de 80 mil pés de banana nanica e outros 80 mil de banana de fritar.

A produção atende principalmente municípios da região, como Campo Verde, Dom Aquino, Jaciara, São Pedro da Cipa, Juscimeira e Rondonópolis. Em determinados períodos, a comercialização também alcança Cuiabá.

Durante visita à propriedade, o presidente do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato), Vilmondes Tomain, destacou a iniciativa do produtor e o impacto da atividade para a economia local.

“O Wildon está transformando a economia do município, que talvez não era visto pelo mato-grossense, com a produção desse produto tão importante na nossa mesa do dia a dia, que é a banana”, afirmou.

Vilmondes também ressaltou o cultivo da banana-da-terra, utilizada em diferentes preparos da culinária regional, e classificou a iniciativa como uma demonstração de empreendedorismo e busca por novas alternativas econômicas.

“Não só essa banana nanica, mas também a banana-da-terra, que é a grande banana da nossa farofa mato-grossense. Dou parabéns pela dedicação e pela visão que o Wildon teve ao empreender essa cultura aqui no município de Dom Aquino”, disse.

Segundo o presidente do Sistema Famato, a atividade também contribui para a geração de trabalho e renda no município.

“Você descobriu um novo modelo de fazer gestão aqui, de produzir economia aqui, para poder trazer trabalho para essa turma que precisa. É um município que não tem as grandes culturas, mas tem a fruticultura aqui”, acrescentou.

EXPERIÊNCIA MUDOU VISÃO SOBRE A PRODUÇÃO

A história de Wildon com a bananicultura começou com uma área de aproximadamente 18 hectares na comunidade das Corujas, em Dom Aquino. O produtor passou a enxergar novas possibilidades para a atividade depois de participar, em 2024, de uma missão técnica de fruticultura promovida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT).

A iniciativa levou produtores mato-grossenses aos estados da Bahia e Pernambuco, incluindo as regiões de Juazeiro e Petrolina, reconhecidas pela produção de frutas. Durante a viagem técnica, os participantes conheceram experiências de manejo, produção e organização da atividade.

“O start foi essa missão técnica de fruticultura, realizada e executada pelo Senar MT, que nos levou até o estado da Bahia e também Pernambuco, Juazeiro e Petrolina. Pudemos conhecer algumas experiências de sucesso da área da fruticultura e, posteriormente, transformar conhecimento em execução aqui no nosso município”, explicou Wildon.

A partir do conhecimento adquirido, o produtor passou a planejar a expansão da área cultivada. Uma nova área em processo de arrendamento poderá aumentar significativamente a produção, com possibilidade de até triplicar a quantidade de hectares destinados à cultura no município.

“A ideia nossa é, primeiro, nos consolidar dentro da cultura da banana. Buscarmos maiores conhecimentos sobre a sua produção, para depois, quem sabe, conseguirmos fazer uma inclusão de novas culturas, variedades ou novas frutas dentro do nosso ramo”, afirmou.

BANANA LIDERA PRODUÇÃO ACOMPANHADA PELO SENAR MT

A experiência de Dom Aquino acompanha uma tendência identificada pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar MT em diferentes regiões de Mato Grosso.

Dados do programa ATeG Vegetal, Fruticultura Perene, com referência a janeiro de 2026, apontam a banana como a cultura mais presente entre as propriedades acompanhadas pela assistência técnica.

O levantamento considera 704 propriedades ativas, com técnicos vinculados ao programa, distribuídas por 54 municípios mato-grossenses.

A banana está presente em 33,9% das propriedades acompanhadas e representa 42,1% de toda a área produtiva de fruticultura analisada. São aproximadamente 830 hectares destinados ao cultivo, com receita total agregada de R$ 961.105,54.

Os números reforçam a participação da bananicultura na diversificação das atividades rurais e mostram o espaço que a fruticultura vem ocupando entre produtores acompanhados pelo programa.

MÃO DE OBRA E CLIMA ESTÃO ENTRE OS DESAFIOS

Apesar do potencial de expansão, o cultivo exige planejamento, conhecimento técnico e acompanhamento constante. Entre os principais desafios apontados por Wildon estão a necessidade de mão de obra, a comercialização e as condições climáticas.

“Grande parte do manejo é feito de maneira manual, então necessita de mão de obra. Temos também uma problemática de comercialização, porque vem banana e outras frutas de fora do estado, de grandes produtores, e isso acaba interferindo principalmente no momento da comercialização”, explicou.

As condições climáticas também exigem atenção. Segundo o produtor, ventos fortes podem derrubar bananeiras carregadas de cachos e próximas do período de colheita, provocando perdas e prejuízos.

Mesmo diante das dificuldades, Wildon mantém o projeto de consolidar a produção e ampliar gradualmente a área cultivada. Para ele, a atividade representa não apenas uma oportunidade para suas propriedades, mas também uma possibilidade de geração de renda, empregos e diversificação econômica para Dom Aquino.

O Povo MT segue acompanhando as iniciativas que fortalecem a produção rural e a economia de Mato Grosso.

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